Quarta-feira, Julho 23, 2008

Anabela Martins (1958-2008)


Faleceu hoje, vítima de acidente de viação na Via do Infante, Anabela Abreu Martins, psicóloga e dirigente do MAPS, empresária e dirigente associativa ligada aos produtos tradicionais algarvios e uma das colaboradoras dos 1001 OLHARES.

Gratos por tudo quanto partilhaste connosco, não nos esqueceremos de TI!

Sexta-feira, Junho 20, 2008

Até Setembro!


Caríssimos,

Vamos descansar os corpos e refrescar as mentes. Voltamos em Setembro!

A Administração.

Mendes Bota Vs Macário Correia

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

As eleições no PSD Algarve não vão trazer nada de novo à política regional. Não há sinais de mudança, nem tão pouco uma lufada de ar fresco. Poderá, quanto muito, haver uma mudança de estilo. Mendes Bota continua a apresentar-se aos militantes para dar continuidade à sua governação e, como opositor, vai ter Macário Correia, cuja equipa assenta nas velhas rivalidades e pouco mais. O que está em jogo nesta eleição não é a renovação do partido, nem tão pouco uma hipótese de lhe injectar sangue novo, que leva à sua dinamização.

Tudo passa, simplesmente, pela manipulação do poder e pelas escolhas de quem vai ocupar lugares nas listas dos próximos actos eleitorais. Vejamos os objectivos de cada candidato: Mendes Bota antecipa o acto eleitoral para a distrital exclusivamente para que seja definida a equipa que irá preparar e trabalhar os desafios eleitorais do próximo ano, designadamente, as eleições autárquicas. Para Macário Correia, o objectivo é colocar o representante no Parlamento Europeu, duplicar o número de deputados na Assembleia da República e ganhar de novo a maioria das Câmaras Municipais. Não deixa de existir, claro, para compor o ramalhete, um conjunto de enunciados programáticos porque os políticos percebem que, nestas coisas, captar votos nada melhor do que fazer promessas, pintar de dourado o cenário, apelar ao regionalismo e, sempre que possível, protocolar intenções.

A realidade do PSD do presente é um pouco diferente do passado recente. Os sociais democratas não quiseram escolher o caminho do futuro, elegendo um militante jovem, sem os vícios do sistema. Preferiram eleger Manuela Ferreira Leite para quem o país está a passar ao lado porque, acima dele está a sua família e o seu neto. Têm todo o direito, mas em política não há 2 opções: ou se serve a causa pública em prejuízo dos interesses pessoais, ou então não se assumem compromissos por mera vaidade e subserviência a outros titãs que, um dia se saberão.

Enfim, se o Governo se impõe com uma ditadura de maioria, a oposição morre ao virar da esquina.

Quinta-feira, Junho 19, 2008

Algarve com pouca segurança

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)


Temos aqui alertado para os problemas de segurança no Algarve e, sobretudo para o facto de uma região com uma economia turística como a nossa não pode ter, nem pode suportar problemas de segurança. Mas a coisa continua e temos de voltar a falar dela. Penso que os nossos dirigentes políticos, quer os de lá do Governo, quer os das bandas da oposição, ainda não perceberam que há no Algarve um grave problema de segurança e, se perceberem, fazem como se não tivessem percebido. Temos dias que, como é costume, acorda demasiado tarde.

Por exemplo, este mês de Junho tem sido uma calamidade nas zonas mais interiores do concelho de Tavira: casas, estabelecimentos e até colectividades têm sido assaltadas e roubadas, algumas duas, três ou mais vezes. A população obviamente anda assustada e sente que se esqueceram dela, que a abandonaram e diz, e bem, que os políticos só aparecem quando não são precisos e, apenas para pedir votos. A GNR parece fazer o que pode, mas a verdade é que pode pouco. Basta, aliás, ver o orçamento que têm para combustível e fica-se a perceber que eles quase não podem sair do posto. Assaltos também é que, barcos espanhóis fazem na nossa costa.

Há dias foi apanhado na baia de Monte Gordo uma traineira espanhola. Curiosamente ainda nem tinha pago as coimas de anteriores crimes. O tribunal de Tavira, e bem, deu ordem para a sua apreensão até pagar tudo. Esperemos que à armada e à polícia marítima não venha também a faltar combustíveis, como já aconteceu na GNR.

Quarta-feira, Junho 18, 2008

Um país vergonhoso

por Luís Horta (director do jornal Sotavento)

Estava eu a pensar no tema que deveria trazer. Início da 2ª semana verdadeiramente equilibrada, com as temperaturas normais para a época e parecia não encontrar razão de jeito para massacrar os ouvidos ou sequer despertar a atenção do auditório. Os 8 dias anteriores, pelo destrambelhamento originado por exigências, talvez justas, talvez justificadas ou, pelo menos, percebidas foram férteis em eventuais comentários. A ganância dos operadores petrolíferos e o insaciável apetite governativo pela manutenção de impostos acima do razoável, explicam a irritação dos operadores.

Mas se, por enquanto, o pior já passou e se assiste a uma quase normalidade no abastecimento público, não poderemos descartar a certeza de que os ânimos continuam em ebulição. Desde Quarta- Feira, dia 11, na A2 nos percursos ascendente e descendente em direcção ao Algarve e, por toda a via do Infante, algumas dezenas de viaturas provenientes de avaria ou falta de combustível, descansavam nas bermas rodeados de triângulos vermelhos. Achei estranho. Mas depois percebi que se tratava de mais um bloqueio, desta vez dos reboques, cujos proprietários lutam por renovar uma tabela das companhias de assistência em viagem que, levava mais de 10 anos de diligência.

O movimento teve o seu início no Algarve e ameaça estender-se ao resto do país mas, enquanto isso, os veículos não foram assistidos, nem retirados. Quem responde pelos prejuízos inerentes? Entretanto, já vimos referências a uma acção semelhante contra os taxis e depois, ninguém nos garante se os negociantes de carne, peixe, fruta ou as próprias redes de supermercados, não estarão a preparar também a sua exigênciazinha. E o vulgar cidadão, quando poderá reivindicar um melhor serviço de saúde, estradas sem buracos, educação adequada, segurança civil eficaz? Este, terá de aguentar firme aquilo que lhe quiserem dar, como foi o caso há 2 dias noticiado, daquele cidadão português, não sei se algarvio, pois a notícia não o identificava que, requereu o complemento solidário para idosos.

Depois do preenchimento de uma dúzia de impressos complicados e de prestar exaustivas informações sobre os rendimentos familiares a ter dos próprios filhos foi, notificado ter-lhe sido concedido o complemento solidário de 1€ mensal. Mas o idoso só receberá de 5 em 5 meses ao atingir os 5 €. Perante o ridículo do caso e a pequenez deste chamado complemento solidário de idoso, serve tudo o que se viu e ouviu.

Que este português, certamente debilitado e necessitado não tem poder reivindicativo, nem sequer para bloquear as portas envidraçadas do seu Centro Distrital de Segurança Social. E é pena que não tenha.

Scolari

por Carlos Lopes (advogado)

Hoje, um pouco de futebol. Depois da requalificação de Portugal, da contratação de Scolari pelo Chelsea e antes do jogo com a Suíça, permitam-me que fale de Scolari. Quando Scolari chegou a Portugal, todos sabemos o que era a Selecção Nacional: um punhado de jovens talentosos mas uma equipa sem organização, sem colectivo ou vislumbre total; ou por falta de pulso por parte da federação ou por falta de pulso por parte do treinador. O que é certo é que aqueles jovens talentosos não tinham resultados que correspondessem às suas potencialidades.

Com Scolari foi diferente. A selecção atingiu lugares nunca antes alcançados: 2º no Campeonato da Europa de 2004, 4º no Campeonato do Mundo e agora uma carreira bonita neste campeonato da Europa. É obra. De resto, há uma similitude muito grande entre Scolari na selecção e Macário na Câmara de Tavira. Nada se poderá compara com o antes de e nada poderá ser como o antes depois deles.

Incutiram graus de exigência, um dinamismo e um profissionalismo nas suas actividades que, ninguém no seu perfeito juízo, poderá ignorar o seu trabalho sob pena do ridículo. Após eles, a fasquia da exigência tem uma elevação que é preciso pensar bem aceitar a sua substituição. Uma coisa é certa: marca uma página dourada nos seus campos.

10 de Junho

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

10 de Junho, hoje dia de Portugal. Dia de um pequeno país, um pequeno país que é realmente um arquipélago no Atlântico nordeste entre a Europa e a América, aberto ao mundo e que, hoje a onda da crise mundial atinge em cheio e destrói muitas das suas esperanças como se fossem castelos de areia, face a uma vaga muito forte. A altura, portanto, para percebermos que temos muito a fazer se quisermos salvar alguma coisa no meio desta tempestade mundial que arrasa tudo à sua passagem.

Que Portugal queremos? E como o podemos construir e defender? É esta, para mim, a grande pergunta deste dia de Portugal. É óbvio que precisamos de 3 coisas: emprego, desenvolvimento e segurança. A segurança que garante desenvolvimento e emprego. Mas pergunta-se: em que investir para alcançar desenvolvimento e emprego? Quem tem estudado à anos e, muito a sério este problema tem as respostas adequadas. Só falta mesmo pô-las em prática. Sabem bem disso os meus amigos André Magrinho, José Carlos Zurrinho e José Manuel Ribeiro. Chegaram todos os três às mesmas conclusões por vias diferentes.

Em suma, Portugal precisa dum choque tecnológico para assegurar desenvolvimento e exportações de alto valor. E Portugal precisa de turismo e mais turismo para criar emprego e precisa de segurança; de ser um país seguro para atrair investimentos e turistas. Temos soluções, só precisamos mesmo de saber concretizá-las, pô-las em prática e, para isso, todos os dias têm de ser dia de Portugal.

Quinta-feira, Junho 12, 2008

Subida dos preços de combustíveis

por Luís Horta (director do Jornal Sotavento)

A crise económica desencadeada pela alta de preços dos combustíveis tem originado posições das mais diversas e, naturalmente, controversas. Foi, por exemplo, o caso da Câmara Municipal de Tavira ter anunciado e colocado, desde logo em prática, a ideia de abastecer as suas viaturas em Espanha. O diferencial, quando se trata de veículos com depósitos de grande porte, dá para o percurso e, ainda sobram uns bons milhares de euros por semana, mês ou por ano, conforme a escala de utilização desta medida. Há vozes que, logo se levantaram dizendo da falta de patriotismo dessa iniciativa. Há sempre quem esteja a favor e quem esteja contra qualquer coisa, que mais não seja por questões ligadas a estratégias e interesses que, quase sempre nada têm a ver com a questão de fundo.

Neste caso, parece-me a questão de fundo não é o patriotismo. A questão de fundo é uma medida de gestão que, resultando, se torna sadia e aceitável. O problema situa-se muito no âmbito do imposto e outro tanto em relação a Portugal, na evidente cartolização dos preços. E, como assim é, onde está o patriotismo de quem, agravando a crise, mantém intransigência percentual no imposto e a liberdade da marcação do preço num produto essencial para a estabilidade da economia. Aos concursos de fornecimento, quer de produtos quer de obras, sejam grandes ou pequena, podem ser internacionais e, obrigatoriamente, o são a partir de certos volumes financeiros, medida que se refere especialmente a investimentos públicos.

Toda a Europa pode, portanto, fornecer o que quer que seja aos restantes países. É normal comprar onde é mais barato. Qual é pois, a falta de patriotismo desta medida da Câmara Municipal de Tavira? Entregar o imposto ao país vizinho? E porque não desce a taxa em Portugal? Estou lembrado do caso das idas a Cuba para tratar dos olhos dos nossos idosos. Será igualmente falta de patriotismo? Quer bem crer que não. Esta falta de patriotismo deve rotular, quanto a mim, quem procura espremer ainda mais a desvalia da situação em que se encontram as camadas mais frágeis da população.

E se a população no combustível se dirigir, em última análise, a acções sociais como é o caso das cirurgias oculares, ninguém deverá constestá-las, deverá antes, promover a correcção do que está mal. O resto é demagogia.

Quinta-feira, Junho 05, 2008

Futuro do PSD

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

Com a eleição de Manuela Ferreira Leite para a presidência do PSD pode concluir-se que, politicamente, esta não é uma mais valia para Mendes Bota e para o PSD Algarve. O líder dos sociais democratas algarvios apoiou Pedro Santana Lopes e conseguiu que o aparelho do partido funcionasse a seu favor em muitas concelhias, mas começaram a aparecer divergências e um conjunto de militantes a demarcar-se das atitudes políticas de Mendes Bota. A linha política de Ferreira Leite é reconhecida por todos os analistas com regresso ao cavaquismo, tendo Mendes Bota entrado em ruptura com cavaco silva ao ponto de ter abandonado a política durante 9 anos.

Hoje, vai voltar a encontrar pela frente os seus opositores que tudo farão para o marginalizar. A nível nacional a intervenção de Mendes Bota não esta facilitada. A nível regional volta a haver a ascensão de Isabel Soares e Macário Correia, tudo apontando para que o presidente de Tavira venha a fazer parte da Comissão Política Nacional. Com 7 concelhias a não apoiarem a escolha do candidato, feita por Mendes Bota, coloca-se sempre a questão: como será o futuro dentro do partido, a nível regional?

Tudo irá depender das próximas eleições legislativas. Se o PSD vencer, os opositores de Ferreira Leite terão que arrumar as botas. No entanto, a leitura dos analistas aponta para que Manuela Ferreira Leite não seja a vencedora pela, sua postura muito próxima das políticas de José Sócrates. Retira-lhe a maioria, mas não alcança o poder. As lutas internas no PSD voltam a suceder-se porque, esse cenário era apontado e previsível, mas os barões da direita do partido, a quem são favoráveis as políticas de Sócrates ou Ferreira Leite, preferem arriscar com o objectivo de serem o poder e sentirem-se mais à vontade para manipularem as directrizes.

Manuela Ferreira Leite pode ter muitos atributos, mas à sua volta há gente ávida de poder e de se encaixar na máquina do Estado.

Terça-feira, Junho 03, 2008

Subida de preços

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)


A brutal subida dos preços do petróleo vai ter graves consequências para a economia do Algarve. Essa subida brutal veio para ficar e se os pescadores são dos primeiros a senti-la, a sentir os seus terríveis efeitos, eles não vão ser, porém, os únicos...longe disso. Senão, vejamos com este aumento brutal do petróleo. As companhias de aviação estão já em crise e, as que resistirem, as que não fecharem as portas vão ter que aumentar e muito o preço real dos bilhetes.

Quer dizer, acabaram as viagens de avião ao preço da “uva mijona”. E sendo assim, há um certo tipo de turista que vai desaparecer do Algarve, pela razão simples de que ficará em casa por falta de dinheiro para o bilhete de avião. Portanto, é todo o negócio do turista barato que está ameaçado e que, veio entrar em crise. Nos próximos anos e, mesmo já este verão, só viaja quem tem dinheiro para pagar os encarecidos bilhetes de avião, quem não tiver fica em casa.

O Algarve tem portanto que se virar para um tipo de turista mais exigente e com mais dinheiro, quer dizer, como aqui já o temos repetido, é urgente que o Algarve se requalifique, pense no futuro e saiba ganhar a qualidade que lhe falta, que saiba alear a tradição e a inovação. O fundamento, a tradição e a justificação, a inovação que valha a pena a alguém visitá-lo e ficar com vontade de voltar, se não o fizer, se não formos capazes de fazer o que tem de ser feito, se não tivermos essa inteligência e essa capacidade, se ficarmos à espera acontecerá o pior.

Ficamos sem os turistas baratos, já que eles desaparecem (ficam em casa) e ficamos sem os turistas com dinheiro que, exigem a qualidade que ainda não temos, ou seja, esta crise é uma grande oportunidade. Assim, o Algarve seja capaz.

Quinta-feira, Maio 29, 2008

Insegurança no Algarve

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

O Algarve está com problemas de segurança e não vale a pena escondê-lo. Nestas coisas é sempre melhor não fazer figura de avestruz e não meter a cabeça na areia, à espera que a coisa passe. Isso, é a forma mais rápida e segura para que as coisas piorem e muito.

No relatório anual da segurança interna, Faro é o distrito com mais crimes em 2007. Mas, basta estar atento ao que se passa à nossa volta, basta ler os jornais todos os dias para nos apercebermos de que as coisas não vão nada bem, em matéria de segurança pelo Algarve.

Vão mesmo mal e, isto, não é possível nem é admissível numa região que vive do turismo e, portanto, precisa de segurança para viver e desenvolver a sua principal actividade económica. Vejam-se alguns títulos recentes: “GNR com falta de pessoal”; “Caixa de multibanco levada de caixa de supermercado”; “Roubado carrinha BMW”; “Casal traficava em Loulé”; “Assassinada em casa”; “Turistas assaltados e agredidos”. Há muito mais mas, já chega para se ver e perceber do que estou a falar. Quem não fala nada sobre isto e, está muito caladinho quando devia e tinha a obrigação de falar são, os senhores políticos, quer do PSD, quer os do PS. Parece que eles não têm problemas de segurança e, portanto, não lhes interessa a coisa. Que se lixe!

Isto é mau, muito mau. E será melhor que abram os olhos antes que seja tarde. O PS então tem uma dupla responsabilidade. Desde sempre que é o principal partido político do Algarve e é hoje o partido do Governo. A Direcção Política do Algarve que tem feito? Que eu saiba nada. É péssimo e inaceitável. Pelo menos poderiam ter alertado o Governo para esta situação de falta de segurança, uma situação incompatível com o bem-estar das populações e incompatível com a actividade económica do turismo.

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Falsas promessas governamentais

por Carlos Lopes (advogado)

O DN vem em primeira página de Sexta-feira passada dizer que o Governo não paga as bandas gástricas, coisa que se tinha obrigado a fazer há 6 meses. O DN veio dizer isto como se uma notícia fosse. Como se a falta de cumprimento de uma promessa do Governo fosse novidade, como se tal fosse notícia. O DN ou não é deste mundo ou está ao lado do Governo. O Governo há 3 anos que não cumpre aquilo a que se obrigou. O Governo e, digo isto, deste Governo como posso dizer de outros governos, nunca se falta por uma atitude de hombridade, correcção e verticalidade. O Governo não cumpriu uma promessa e, isso, poder-se-á considerar uma novidade?

Há fome em Portugal

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

Vim aqui comprar pão e mais qualquer coisa porque está ali em baixo uma pessoa com fome. Um gesto de solidariedade de um amigo que encontrei numa grande superfície. Afinal, há gente com fome em Portugal. O riso do 1º ministro quando lhe falaram neste problema é demonstrativo da nossa cultura e do sentimento de repúdio pela afirmação. No fundo, todos consciente ou inconscientemente temos vergonha de falar na fome. É estado que deve ser escondido, abafado e, se possível, silenciado. Há fome em Portugal.

Diariamente, os alicerces da nação vão-se desmoronando. Vamos atingir o patamar das civilizações aplicadas de 3º mundo, onde existem os muito ricos e os muito pobres. As micro e pequenas empresas não suportam as investidas e muitas das leis que aparecem são feitas para as sufocar. A Europa deu-nos muito jeito porque nos doou muito dinheiro, grande parte dele mal aproveitado, mas também nos fez muito mal porque incentivou a subsídio-dependência e, pagou a Portugal para não produzir.

Fomos atrás dessa política como parolos. A Europa não queria a nossa concorrência na agricultura e não fomos capazes de percorrer, pensando que, pelo menos, para consumo próprio devíamos semear. Importamos 80 a 90% de produtos que consumimos; pagamos a quem produz...à Espanha, França; aos países sul-americanos e a muitos outros. Há fome em Portugal. Haja coragem política para abordar o tema.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 9 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Melhoria nos acessos, para quando?

por Luís Horta (director do Jornal Sotavento)

Até ao último fim de semana o tempo, em todo o país, permaneceu incerto: chuvas, ventos e muito pouco do que nos habituou o mês de Maio. Parecendo querer transpor para o Junho, que já aí vem, esta irregularidade meteorológica fora de tempo. Mas não é do mau tempo que lhes quero falar. Antes do Verão que, pelo calendário, já caminha a passos largos para a sua entrada ao serviço. Serviço que, nesta nossa região, quer dizer oferta turística; oferta que corresponde a praia que, envolve Tavira, Cabanas e Sta. Luzia. Cabanas criou uma frente junto à ria com dimensão de respeito. Da fortaleza às imediações do Almargem, empreendimentos, uns acabados outros em obra e outros em projecto.

A praia tem apenas acesso por barco, mas há quem fale numa ligação pedonal. Sta. Luzia equipara-se em crescimento urbano e surge de cara mais lavada na frente ribeirinha, à mercê da excelente recuperação da sua marginal. Falta saber se as praias da Terra Estreita e Barril, tal como em Cabanas conseguirão suportar tal carga que, vai causando estragos, cuja fragilidade é evidente. Tavira com a sua praia da ilha. Aí, coloca-se muito mais a questão do acesso, ou seja, 4 Águas, a que se juntam outras questões colaterais: onde e como estacionar? Como percorrer uma estrada em muito mau estado, sem bermas para os peões? Onde estão as carreiras rodoviárias suficientes ao longo do dia? Porque não saiu ainda do local, a estância das areias? Porque continuam a esboroar os últimos metros da margem direita do Gilão frente ao Arraial?

Muitos de nós sabemos que tudo isto resulta da diversidade de entidades que têm a ver com a restruturação das 4 Águas e da falta de uma coordenação entre elas. Quando é que o Governo pensa colocar este assunto em agenda? Ou estará à espera que a procura interna ou externa deixe de se interessar pela Ilha de Tavira? Não somos um país tão rico que, possa desperdiçar pérolas turísticas, de excelência, como a nossa ilha. Nem quero pensar se, neste assunto, há razões que a própria razão desconhece.

Quarta-feira, Maio 28, 2008

"El Pais"

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)


O Algarve esteve recentemente em focu no “El Pais”. Este jornal madrileno de referencia fez há dias um suplemento especial com propostas para o turismo de Verão e o Algarve, tinha aí um lugar de grande destaque. O “El Pais” refere e destaca as noites quentes do festival Allgarve e as suas estrelas de Rock, Jazz, Fado e fala de praias, lugares e cidades. Destaca a Ria Formosa, Tavira, Olhão, Silves, Monchique, Sagres e a Costa de São Vicente. Destaca-os como cidades e locais que importa descobrir. Mas não se detém, nem aconselha outros sítios, aqueles onde a massificação passou dos limites do aceitável.

Uma missão, portanto, do “El Pais” a meditar por todos aqueles que querem um Algarve requalificado. Como exemplo desta requalificação necessária, acho importante destacar o recentíssimo caso do Museu Municipal de Portimão, um caso exemplar de inovação. Aquela fórmula certa da inovação da fidelidade à tradição que aqui temos defendido para orientar a requalificação do nosso Algarve. E este museu de Portimão é um caso exemplar que já se vê mesmo com direito a um merecido prémio e que é um exemplo a seguir para requalificar o nosso Algarve.

Política marítima da U.E

por Jamila Madeira (deputada do partido socialista)

Desde 2006 que e iniciou um processo único de discussão do livro verde da política marítima da U.E. O desafio era mais do que criar mais um instrumento de acção complementar aos múltiplos já existentes nesta área. Pretendia ser um aglutinador de vontades e perceber a transversalidade desta problemática. Assim, desde então que o debate tem sido em torno de um mar de oportunidades e responsabilidades que é esta nova política marítima europeia. A riqueza dos contributos permitiu-nos, durante a presença portuguesa da U.E em outubro de 2007 lançar propostas concretas e assumir agora uma acção consequente.

Nesta fase, o parlamento europeu é novamente chamado a pronunciar-se para em conjunto com o conselho, lançar os alicerces sólidos que um dóssier deste género com, a relevância que tem e que a economia europeia precisa. Assim, associados de forma adequada às problemáticas, não só aquáticos mas do desenvolvimento das zonas costeiras com todas as questões de sustentabilidade social, económica e ambiental que têm a si associadas, é absolutamente crucial. Por isso mesmo, o relatório que será esta semana discutido no parlamento europeu dá nota da necessidade, da investigação, inovação terem, que ser o mote para um maior potencial desenvolvimento regional que dará sustento a todas as actividades a que a política marítima se refere e afecte.

Também as alternativas de mobilidade dos mares e o desafio das energias das ondas são, promessas já no terreno e que trará certamente muita esperança quanto às soluções económicas do futuro. Enfim, os cidadãos e o parlamento europeu abraçam este dossier há 2 anos atrás. Agora, assumiremos a responsabilidade de o levar a todo o terreno e com este, um novo instrumento marca pela positiva este nosso planeta azul, a que chamamos terra, mas que é esmagadoramente mar.

Quarta-feira, Maio 21, 2008

Desertificação do Algarve

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

Estão a ser feitos investimentos no Algarve. Esses investimentos, concluímos que estão na sua totalidade distribuídos pela faixa litoral do Algarve, onde está a massificação, tanto humana, como na construção e, onde se afirma, tudo se vai recuperar. Esperemos que o tal benefício da dúvida, que a intenção seja mesmo colocar ordem no litoral, requalificar e reabilitar zonas densamente degradadas e não estar a prestar um serviço público para que os privados o possam aproveitar. Não se pode pensar, quando se traçam projectos desta natureza, o de reabilitar todas as zonas que, eles venham a ser aproveitados para instalar mais carga urbana em cima do litoral, jogando no efeito da reabilitação pretendida porque, nesse caso, é deitar dinheiro à rua e saber-se que daqui a 20 anos se volta a falar em requalificação novamente a ter que demolir algumas construções, como já está acontecendo em Espanha.

Há uma política definida para ser aplicada a sul da EN125. E então pelo Norte? O Algarve começa no Atlântico e termina nas serras, passando pelo barrocal. Quando a crise alimentar é uma das mais actuais preocupações das Nações Unidas, não devíamos pensar que as terras férteis da região e a zona de floresta com medronheiros, carvalhos e sobreiros mereciam um plano estratégico de emergência? Sem uma retaguarda protegida, o Algarve do interior corre sérios riscos de avançar a passos largos para desertificação territorial e humana.

Com um deserto nas costas, o litoral está ameaçado e, a pouco e pouco, vai sendo engolido. Não se ouve falar, pelo menos em termos visíveis, na retoma agraria do Algarve. As terras não devem ficar ao abandono e a Direcção Regional de Agricultura deve dialogar com os seus proprietários para as tornar rentáveis, definindo áreas e as suas aptidões agrícolas. Há que constituir associações de jovens agricultores, alugando-lhes as terras mas, em 1º lugar há que acabar com o minifúndio conseguido pelos muros de pedra, limpando as terras deste obstáculo, delimitando as propriedades com um simples marco para que as áreas emparceladas possam tornar-se rentáveis.

A agricultura é uma das áreas que tem muito futuro na região Algarvia. Basta olharmos para aqueles que aqui estão: estrangeiros a aplicar o seu trabalho na terra Algarvia.

Onde anda a justiça?

por Carlos Lopes (advogado)

António Nunes achou por bem iniciar o ano, simbolicamente o ano 0 do fumo dos cigarros, em lugares públicos com uma cigarrilha nos lábios. Apanhado em flagrante, balbuciou uma desculpa qualquer, do género “os casinos não estão incluídos na proibição”. Mentira. Ele sabe que é proibido fumar nos casinos. Se não sabia é ignorante. Mas, como se sabe, a ignorância não aproveita o ignorante.

O nosso 1º Ministro, tão intransigente e tão rigoroso fumou no avião para Caracas. Jurava-me o PS que o homem tinha querido ir fumar lá para fora, mas que não o tinham deixado. Sócrates, tal como o outro, disse não saber que era proibido. Lindo serviço. Mas este clima de alguma impunidade e descaramento está a alastrar. Na nossa sociedade é ver os carros da brigada de transito em cima do passeio ou extensivamente frente ao tribunal. E aí, também se vêm carros de magistrados que, como se sabe, têm de aplicar a lei e que estarão a aplicar a lei que não a cumprem. E já se têm visto os veículos dos senhores magistrados estacionados onde é necessário pagar mas, colocando o dístico de “magistrado especial” no pára-brisas ficam isentos de pagamento do estacionamento, quando o comum dos mortais tem que pagar.

Na sexta-feira, em Sto. Estevão vi o carro da Protecção Civil estacionado em cima da passadeira. Condutor, o Sr. Presidente da Câmara. Até quando este clima de impunidade se manterá?

Quarta-feira, Maio 14, 2008

Maddie Mccann

por Ricardo Chega (correspondente da Lusa em Espanha)


Um ano após o desaparecimento da pequena Maddie Mccann, tudo continua igual. Há muitas incógnitas: os pais seguem carregando com o estatuto de arguidos e a PJ continua a investigar um caso que não ata nem desata. O caso Mccann é um autentico banho de agua fria. Para a credibilidade, os nossos sistemas policial e judicial e, também para a imagem de Portugal no exterior. Se não fossem os jornalistas, este caso já estaria no esquecimento. Sorte que a imprensa às vezes, desperta algumas consciências.

Mas é certo que a equipa de investigadores tocou muitas ocasiões e isso pode custar-lhes muito caro. Não sei, se precipitou-se ou não, o que sei é que no principio as coisas foram feitas de forma muito pouco correcta. Parece que os policias estavam mais interessados em publicar livros e passear pelos bastidores das televisões que, fazer o seu trabalho bem feito. Dá a impressão que ficaram iludidos com os holofotes da comunicação social. É certo que hoje em dia. É certo que hoje em dia há uma atenção especial em relação a tudo o que envolve crianças. À pouco, foi possível ver como o director do refugio Aboim Ascensão se indignava com a falta de integridade e responsabilidade de alguns pais, estrangeiros por certo e, também com alguma falta de cuidados da nossa justiça.

Enquanto as coisas não forem bem feitas e com alguma cautela e bom senso, tudo irá mal e não haverá grandes avanços. É preciso que os policias investiguem e que os jornalistas informem. Não se pode querer continuar a controlar o trabalho dos outros e deixar o nosso de lado. É preciso que Portugal se faça grande e que perante o mundo demonstre que as suas conclusões são as mais acertadas e, porquê? Porque houve cuidados e profissionalismo.
Caso contrário, vamos ser os últimos em termos económicos e também na credibilidade.

Cuba

por Luís Horta (director do jornal sotavento)

Tenho observado, talvez um pouco à margem, a iniciativa do município vizinho de Vila Real de Santo António desde que resolveu transportar para Cuba umas dezenas de idosos do seu concelho para serem tratados aos problemas de visão que os afectavam. Porém problemas que, como sabemos, afectavam e afectam dezenas de milhares de portugueses que ano após ano viam engrossar a interminável lista de espera. O Algarve, por vezes, também sabe ser pioneiro em qualquer coisa, por muito que em contrario digam. E, tanto assim, que outros municípios algarvios ou já aderiram a idênticos projectos ou estão em vias de o fazer. E não só no Algarve...ao Ribatejo já os ecos também chegaram e a iniciativa multiplica-se.

Assim, os nossos idosos já podem começar a ver uma luz ao fundo do túnel, de tirar-lhe as negras perspectivas em que as suas cataratas os deixaram. Este é também, sem duvida, um campo em que o poder local pode e deve actuar, já que a nível central um outro poder não foi capaz, ate aqui, de atenuar a tristeza dos idosos privados de visão. Talvez comunicando esse poder de que deixar andar séria a forma mais barata de resolver o problema, ou antes, de não resolver o problema. Curiosamente, é também agora que, certos serviços hospitalares começam a dizer que têm capacidade para operar uns quantos milhares por dia, que é tudo uma questão de protocolos, que a ida a Cuba não tem uma exigente qualidade, nem uma garantia total.

Se agora já é possível, porque razão ninguém o disse antes? Porque não sugerir qualquer iniciativa concreta?

Bem, quanto a qualidade e garantia os próprios algarvios que o digam. Parece que foram bem tratados e o seu problema resolvido. Em Portugal, vai-se continuando a esperar pelos protocolos a assinar. Se calhar, lá para mais uns 5 anos. Mas, entretanto, e é isso que nos agrada, os algarvios idosos e sem meios de fortuna têm garantida a melhoria da sua vida, o que significa uma melhoria da qualidade dos seus anos de vida.

Como disse, alguma vez haveria o Algarve de ser pioneiro em qualquer coisa. Um boa semana para todos e com boa visão.

Micro créditos

por Jamila Madeira (deputada do partido socialista)

Um dos instrumentos parlamentares que os deputados ao parlamento europeu têm ao seu dispor é, a possibilidade de apresentar declarações escritas. Estas, depois de reunirem as assinaturas de mais de metade dos membros do parlamento europeu são formalmente enviadas à comissão e ao concelho, para que estes tomem as adequadas iniciativas legislativas. Foi nesse sentido, que iniciei em conjunto com mais 4 parlamentares de outros grupos políticos de origens nacionais, uma declaração escrita sobre a implementação e reforço do micro crédito.

A ideia é que a U.E possa assumir que esse instrumento é crucial no combate à pobreza dentro do seu território e também nas suas políticas com países terceiros, quer no mediterrâneo ou genericamente nos países em vias de desenvolvimento. Como é evidente, essa iniciativa carece de mais investimentos que numa lógica social, um dos poucos com carácter reprodutivo. Todos os estudos dizem que quem recebe estas muito pequenas quantias para iniciar o seu projecto e a sua actividade tem assumido um grau de cumprimento de cerca de 100%, ou seja, quem recebe estas muito pequenas quantias quer sobretudo, cumprir os compromissos assumidos.

Na maioria dos casos são mulheres, mulheres bem sucedidas e que se emancipam. Depois do primeiro micro crédito pagam-no e aumentam o seu negocio com um novo. Com o retorno que começam a ter, investem essencialmente na família e na educação dos filhos e, por isso, são os que mais contribuem para o combate à exclusão social. No entanto, para atribuir o microcrédito é preciso que exista uma entidade pública ou comercial, sem fins lucrativos mas credível, que faça a avaliação dos projectos e veja os instrumentos, em termos de formação que eles vão precisar para alem da determinada arte para aquele preciso negócio.

Essa avaliação é hoje feita, por exemplo em Portugal, pela Associação Nacional de Direito ao Crédito. Umas das suas solicitações que fazemos nesta declaração escrita é, a criação de uma associação conjunta entre a Europa e as zonas a apoiar na U.E e no mundo, que tenha credibilidade atribuída no quadro do sistema financeiro europeu e que permita que os bancos comerciais a vejam como mais credível e, por isso, estejam mais disponíveis a financiar micro créditos. Com isto, teremos ganhos incomensuráveis em volume de financiamento e a absoluta certeza de que estamos a fazer mais que uma simples gota de água num oceano de exclusão social.

Por isso mesmo, quando esta semana ouvia-se anunciar que a nossa declaração escrita tinha reunido as assinaturas necessárias e, que ia ser enviada à comissão e ao concelho, fiquei orgulhosa. Resta agora saber se, como recentemente anunciou o presidente da comissão, o social está agora no centro da sua agenda. Se assim for, certamente esta iniciativa verá a luz do dia, ainda antes do fim da legislatura. Espero eu e, todos aqueles que carecem desse apoio.

Maio de 68

por Carlos Lopes (advogado)

Este é o mês dos 40 anos do Maio de 68. Tendo sido um movimento que teve repercussões um pouco por todo o mundo, o Maio de 68 foi essencialmente um Maio de Paris. Maio de 68 é essencialmente a revolta contra uma sociedade velha e caduca, contra valores obsoletos e reaccionários, pela liberdade nos seus mais variados aspectos. A liberdade de expressão, a liberdade sexual, a igualdade entre os sexos.
“É proibido proibir a imaginação ao poder” são palavras que ficaram desse tempo e que dão uma ideia da revolta do Maio de 68.

As barricadas, as famosas barricadas de Paris voltaram a estar na ordem do dia e a ser o dia-a-dia em Paris. Como Bendito, o estudante germano-francês que encarnou o Maio, foi expulso de França, mas quem andava escondido era Ducou, o presidente francês. É desse tempo aquela imagem de intelectual que agia trocando o fato e gravata pelo blusão, a vender jornais e a falar aos operários da Renoult. Mais do que hoje considerarmos normal e faz parte da nossa vida, teve inicio nesse Maio de 68.

E Maio de 68 teve também uma característica importante. Não foi uma tentativa de tomada do poder. Não se pretendeu substituir o poder por outro, mas transformá-lo. O mundo nunca mais foi o mesmo. É por isso que quando o presidente da França, o Sr. Sarcossi pretende destruir o Maio de 68 não se apercebe o ridículo da situação. Aquele caso em directo por causa do Maio de 68.

Quinta-feira, Maio 08, 2008

Polis barrocal e Polis serra

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

O actual governo promete para 2013 um Algarve bem diferente do actual, direccionado essencialmente, e não totalmente, para a vertente turística. Hotéis de 5 estrelas e depois tudo o que está amontante se interliga àquele sector. As obras emblemáticas anunciadas são a barragem de Odelouca para que não haja falta de água, principalmente para os empreendimentos turisticos, a requalificação da EN125 com o propósito de acabar com os pontos negros, isto é, permitir que a região saia da faixa negativa que ocupa em termos de acidentes naquela rua.

Agora anuncia-se o polis litoral, ou seja, a recuperação de toda a área da ria formosa com a intenção de a tornar uma pérola ambiental no Algarve e o símbolo de oferta da excelência que se pretende para a região e, por fim, a construção do hospital central para que o serviço nacional de saúde seja universal, isto é, para a população e turistas. Esta estratégia de investimento e qualificada pelo primeiro ministro, como fazendo parte de um projecto integrado, colocando o Algarve, segundo as suas palavras, na linha da frente das prioridades para que o desenvolvimento económico possa crescer dentro da simbologia que os responsáveis governamentais pretendem, que são a qualidade e a excelência porque a região tem muito para dar ao país, dizem.

O futuro do Algarve não pode passar exclusivamente pelo turismo. Há que criar uma dinâmica agrícola, em que os frutos secos, principalmente o figo e a alfarroba, são dois exemplos onde o regadio tem muito espaço para crescer, agora que há barragens e água suficiente. Com a mesma audácia com que se colocou o litoral nas decisões do governo, é por demais importante e honesto redigir o decreto que revoga o abandono do barrocal e serra, colocando no topo do papel timbrado do ministério, prioridade das prioridades: polis barrocal e polis serra.

As pescas estão fracas e os homens já começaram a investir nas gaiolas viveiros. Passa por ai a reprodução do peixe? Talvez. Para a opinião de José Sócrates, diria que as palavras estão ditas. Resta salvar-se o Algarve.

Novo hospital do Algarve

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

Finalmente o Algarve vai ter um novo hospital. Penso que o compromisso de Sócrates é para tomar a sério e que podemos confiar nele. “Este hospital já podia estar a andar há anos”, disse Sócrates. De facto, já oiço falar nele há anos, e quem não ouviu? Já ouvi uma série de primeiros ministros e de ministros da saúde falar do novo hospital do Algarve. Mas, de facto, só falavam. Agora, finalmente vai ser. Sócrates lançou um concurso público para o novo hospital e marcou um calendário de execução.

Com um investimento directo de 250 milhões de euros, o novo hospital deve estar a funcionar em pleno em 2013. Em 2012 a estrutura deverá estar concluída. As obras começam no próximo ano e nestes meses mais próximos decide-se o concurso público. Este hospital não é construído para substituir o outro e, penso que isto, é um esclarecimento fundamental mas, sim para ser um hospital de referência para a região, para a sua economia, sobretudo turística e também no país, para ser um peça essencial, como digo da economia da região.

Esperemos que também para servir de infra-estrutura ao ensino da medicina como quer, e bem, o reitor da universidade, João Guerreiro. Será, disse Sócrates, não apenas um hospital novo, mas sim um hospital novo, que seja pois, o Algarve merece e precisa. Dito isto, depois deste anúncio formal, veio o PSD dizer que isto é eleitoralismo e que o hospital é lançado quando já podia estar a funcionar. Têm razão. Para o hospital estar já a funcionar bastava que o governo do PSD de Barroso e de Santana Lopes o tivesse lançado nessa altura. Desgraçadamente não o fizeram. Falaram, falaram mas não fizeram nada. E agora queixam-se que é tarde e que já podiam, etc, etc.

A pergunta a fazer-lhes é simples: mas que raio fizeram quando o podiam ter feito? A resposta também é simples: nada. Só conversa. Por isso, agora um pouco de vergonha não lhes ficava mal. Uma última nota, Macário Correia tem razão. Ele descobriu agora que os empatas da QUERCUS não têm credibilidade. É verdade, não têm. Macário já podia ter descoberto isto há mais tempo, mas só agora lá chegou. Chegou atrasado, mas chegou e nisto tem razão. A QUERCUS não tem mesmo já credibilidade.

Tarde, tarde é só mesmo o que nunca vem.

Quarta-feira, Maio 07, 2008

1º de Maio

por Luís Horta (director do Jornal Sotavento)

Na passada Quinta-feira, em que a igreja assinala o dia de São José Operário, comemorou-se o dia do Trabalhador, num feriado respeitado por quase todas as entidades patronais. Em Lisboa e noutras capitais de distrito, as duas centrais sindicais consentiram a presença de inúmeros filiados nos mais diversos sindicatos, num enorme protesto contra a nova lei laboral, contra a precariedade do emprego, contra a situação dos jovens, cujo 1º emprego cada vez é mais raro e difícil de atingir.

São episódios de uma guerra constante em que não há vencedores. Só vencidos. Onde não há crescimento, o país é que sofre e sofrendo o país, sofrem todos: as entidades patronais, empregados e todos quantos constituem a força produtiva de riqueza do nosso país. Isto são, no entanto, contas de um rodeio que o 1º de Maio todos os anos vem assinalando e registando para memória futura. Num outro rosário, ou seja, fazer do 1º de Maio um dia de descontracção também vai ficando muito aquém. Como todos nos lembramos, praticamente o dia do piquenique no campo, junto às ribeiras em zonas de lazer, uns caracóis, umas favas, um bom vinho tinto da cooperativa de Tavira, que também já não existe, eram os condimentos obrigatórios, entre outros.

Este ano, na véspera do 1º de Maio fui procurar uns caracóis. Tinham estado muito caros e não havia nada à venda, nem dos algarvios (aqueles sequinhos do restolho dos cereais ou das favas), nem dos caracóis emigrantes que vêm de Marrocos e a gente não sabe que tratamentos químicos poderão ter levado. Os caracóis fizeram pois, uma autentica greve ao 1º de Maio.

Sinal que os tempos estão tão maus para os agentes económicos, como para o cumprir de uma simples tradição de caracolada neste dia. Vamos lá ver se para o ano, nem uma situação, nem outra acontecem. Esperemos pois, que o Maio de 2009 nos traga outra alegria ou melhores empregos e com mais caracóis no prato.

Terça-feira, Maio 06, 2008

Em busca de um mundo melhor

por Jamila Madeira (deputada do partido socialista)

Desde sempre que a U.E defende intransigentemente a paz, que tem uma perspectiva de solidariedade e coesão, que proclama a integrarão mais do que a divisão e promove os direitos do ambiente e das pessoas com elementos fundamentais do nosso desenvolvimento integrado. Nos últimos anos, com a guerra do Iraque, do Líbano, o alimentar do conflito do médio-oriente, a noção de paz tem sido atacada. Com a especulação de alto risco com bens de primeira necessidade do mundo, como os cereais, a solidariedade e coesão foram postas em causa em troca de lucro rápido e fácil.

Com o alimentar de hostilidades entre Sérvios e Kozovares de uma perspectiva étnica, alimentou-se o separatismo. A U.E tem por isso sido violentamente atacada por empatar o prosseguimento deste tipo de linhas de raciocínio. No entanto, nos tempos mais recentes, começámos a ver alguma luz ao fundo do túnel. Todos os actores, nas diferentes guerras assumem que estas foram e são um erro e querem que a U.E intervenha directamente com a sua abordagem alternativa de diálogo, das pessoas primeiro.

As nações unidas ouviram os nossos apelos e controlaram a linha especulativa à volta dos bens de primeiras necessidades, declarando a batata como o elemento frágil e o único crucial. Para alimentar o mundo com esta linha, desmonta-se a especulação dos mercados de alto risco, a chantagem dos Lóbis e a pressão do Lóbi do petróleo para que não existam alternativas rápidas, embora temporárias, aos combustíveis fosseis. Por outro lado, a Sérvia iniciou o seu processo de integração. Numa lógica que edificará o espaço europeu, iniciando o seu caminho à adesão à U.E.

Criaram-se regras no âmbito ambiental e de registo químico para todos os produtos que fabricados fora do espaço europeu, ainda assim ambicionam ser vendidos no poderoso mercado de 500 milhões de consumidores que é a U.E. E deram-se ainda os primeiros passos para que estes critérios sejam alargados à escala dos direitos sociais e laborais, intrínsecos a cada produto que chega às nossas fronteiras. É assim, a moral da historia.

Depois de muito ser criticada como a desmancha prazeres e a ovelha negra, que bloqueia estratégias leoninas, a U.E é hoje vista como uma esperança do mundo. Em tempo de celebrar mais um dia da Europa, é bom que nos lembremos disto e que recuperemos a luz ao fundo do túnel para dar esperança às próximas gerações.

Tenham um bom dia 9 de Maio: dia da Europa e de um mundo melhor.

Stephen Zweig

por Carlos Lopes (advogado)

Tendo passado o mês do livro não deixaria de falar do autor, um pouco esquecido, mas que parece que está a voltar ao convívio dos leitores. Pessoas mais velhas, a rondas os 70/80 anos, certamente recordarão o autor austríaco que escreveu “24 horas na vida de uma mulher”. Falo de Stephen Zweig. O autor que se lê bem, caiu no esquecimento como o autor menor, mas Zweig vendeu durante muitos anos. Era um autor lido e querido dos portugueses, vendido aos milhares. Li as “24 horas” há muitos anos. Gostei. Saiu agora uma nova edição de “24 horas na vida de uma mulher”. Custa 11€ e é um livro interessante para ler nesta primavera.

Jornal Barlavento

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

Semana a semana, este conjunto de homens e mulheres, unidos por este símbolo criado há 33 anos, que dá pelo nome de Barlavento e ditam e edificam letra a letra, parágrafo sobre parágrafo no produto que é referência a quem, foi já atribuído pelo clube de jornalistas, o prémio Gazeta para a imprensa regional e que os nossos leitores continuam a colocar como o jornal mais lido no Algarve, nas sondagens efectuadas por empresas credíveis.

Não é norma nesta casa auto elogiar-se. Somos o que somos. Temos uma escola de jornalismo regional que muito nos orgulha e que serve de exemplo para outros mas, a capacidade de criatividade e de intervenção da nossa equipa permite-nos estar no topo das preferências. Não colocamos na cabeça e no cabeçalho do nosso jornal as expressões de “mais lido”, “maior do Algarve” ou outros subtítulos como muitos fazem para mascarar a realidade porque é, por demais, evidente que a qualidade do jornal produzido por toda a equipa barlaventina, pelo reconhecimento dos leitores, pelos anunciantes, das entidades, dos políticos, do povo que nos consome semanalmente.

Permitam-me este auto-elogio na passagem de mais um aniversário deste jornal. Com humildade e reconhecimento justo e merecido ao conjunto de trabalhadores do jornal, que tudo fazem, dia-após-dia para nos mantermos com vivacidade própria de uma criança e irreverência de quem não deseja envelhecer. A idade apenas nos dá o estatuto de maturidade para entendermos que o jornalismo é uma profissão onde se contam os factos e se dá a oportunidade ao confronto das partes. No corpo do jornal há as diferentes secções, entre elas, a de opinião livre. Não se pode confundir as ideias pessoais, a defesa de argumentos estritamente ideológicos com jornalismo.

Esses textos são uma das partes do corpo do jornal para gerar o equilíbrio, para que os leitores encontrem no seu jornal o contraditório. O jornal define-se pelo seu estatuto iveverial, que na maioria dos jornais generalistas é o mais abrangente possível, com base na liberdade e no direito de informar.

Sem fomentar ódios, sem a apologia das divergências que semeiem a segregação. Não é por acaso que o jornal festeja o seu aniversario no dia 26 de Abril.

Sexta-feira, Maio 02, 2008

O jornalismo está em risco

por Ricardo Chega (correspondente da Lusa em Espanha)

No próximo Sábado comemora-se o dia da liberdade de imprensa, dependendo do ponto de vista, é um dia para celebrar ou para esquecer. A liberdade de imprensa corre perigo em vários pontos do globo. A ânsia de poder desses políticos tem contribuído para prejudicar enormemente o direito de serem informados com verdade. Em Portugal, o governo da maioria de José Sócrates contribui para desprestigiar a democracia e empobrecer a liberdade de expressão e de imprensa.

O novo estatuto do jornalista serve apenas para que os profissionais da informação sejam controlados e se transformem, nalguns casos, em marionetas do poder. Em Portugal, tal como sucedeu noutros países onde a democracia também é insípida, o jornalismo converteu-se numa profissão de alto risco. Cada vez mais, há jornalistas a serem incomodados pelo poder judicial, muitas vezes, dando cumprimento ou desejos políticos.

A liberdade de expressão e de imprensa tem que ser entendida como um dos pilares do país, que se pretende democrático e adulto, um país em definitiva do séc. XXI. Não é possível que um governo pretenda dominar a comunicação social e fazer calar através de decretos e leis, todos aqueles que lhe são contrários. É na diversidade que está a riqueza de um país e parece que Portugal ainda não percebeu que assim é. Sócrates quer ser o Primeiro Ministro. Passeava e voava pelas exposições, opinando, criticando e censurando.

Hoje em dia, desde o palácio de São Bento quer evitar a todo o custo as críticas e minguar o papel social e democrático da imprensa. Portugal atravessa momentos difíceis, não só economicamente, mas também ao nível da informação. É um país que vive quase sempre aplicando a lei da rolha. Os jornalistas têm muitas dificuldades para fazer os seus trabalhos de maneira independente. Só os profissionais que são solidários ou partilham a mesma cor do governo, informam através de notícias que parecem publicidade.

Mas isso parece não preocupar o governo. O que importa ao Sr. José Sócrates e à sua colha é que se venda imagem de Portugal, que é um país moderno e democrático, quando na realidade é um pais que está a perder um dos pilares fundamentais da Democracia e a confiança dos seus habitantes. Deveríamos fazer todos uma reflexão no próximo sábado.

Quarta-feira, Abril 30, 2008

Crise económica

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)


Daniel Bessa, um professor de economia que tem estudado muito o caso português, deixou há dias numa conferencia no Algarve um alerta sobre a próxima crise grave em Portugal e algumas pistas para ultrapassarmos bem. Portugal, diz Daniel Bessa, vai passar para ritmos de crescimento mais baixos do que os actuais. Tudo isto, devido à crise financeira mundial e ao consequente arrefecimento da economia global.

Mas, também tem consequências muito importantes para nós a aterragem forçada da economia espanhola, que já está a mergulhar e, se prevê que tenha um mergulho bastante violento. São factos e circunstâncias que nós não controlamos e nem sequer podemos influenciar, mas que nos vão cair em cima da cabeça.

Para resistir e ultrapassar este desastre anunciado, Daniel Bessa defende que temos de definir motores para a nossa economia e apostar forte neles. Para ele, é claro que os motores da economia portuguesa são as médias e pequenas empresas e citou exemplos: a EFASEC. Podia ter acrescentado a Edisoft e as empresas tecnológicas do pólo espacial e da defesa que se safam muito bem na competição mundial e até são lideres mundiais em certos segmentos bem avançados.

Mas também sejamos honestos. Há que dizer que a todas estas pequenas e médias empresas falta marca e falta comunicação para se elevarem na cadeia de valor e ganhar o dinheiro que ainda não conseguem ganhar e que merecem e, esta marca é essencial para a aposta que Bessa defende nos mercados externos. No mercado global também temos de apostar cada vez mais e com mais qualidade no turismo do nosso Algarve.

Daniel Bessa, certamente estará de acordo que a aposta das nossas pequenas e médias empresas tecnológicas e com vocação exportadora para o mercado global, sendo uma aposta estratégica e imprescindível, não nos resolve porém um problema grave. O problema do emprego de centenas de milhares de pessoas pouco qualificadas é estratégico e imprescindível e só indústrias de mão-de-obra intensiva, como o turismo o podem resolver.

Daí a necessidade absoluta de manter e desenvolver uma política séria e inteligente para qualificar e desenvolver esta indústria estratégica para o Algarve, mas também para Portugal que é o turismo e já não é sem tempo.

Terça-feira, Abril 29, 2008

Mais uma ponte?

por Luís Horta (director do jornal Sotavento)


O passado fim de semana foi rico em acontecimentos que fizeram movimentar a cidade para além do habitual. Bastou para isso, no aproveitamento de um fim de semana prolongado que a Feira da Serra de Primavera, enchesse a baixa da cidade com o colorido das roupas que, um antecipado Verão justifica.

Mas é evidente que nem tudo são rosas neste amontoar de pessoas que afluem à cidade do Gilão: acrescenta-se o corte do trânsito através da ponte do jardim. Quem inventou aquela ponte de forças armadas deveria voltar atrás; por causa da feira cortou-se a ponte do jardim, o que não permite tornear a rua José Pires Padinha ou estacionar está em curso.

O arranjo da rua dos Pelames que cortou o percurso automóvel entre os CTT e o centro de transportes da Bela Fria. Assim, a Praça da República e a Rua da Liberdade estão praticamente isoladas quanto a cargas e descargas. Neste fim de semana e, pelo movimento de visitantes, foi ver e sentir os efeitos das extensas filas nas zonas de possível estacionamento, “entupindo” uma grande parte da cidade e causando a exasperação.

É certo que no dia 25 de Abril foi inaugurado o parque de estacionamento gratuito na Bela Fria com 70 lugares e com boas condições de acessibilidade ao centro. E também é certo que o espaço sobre a ponte D.Manuelino, porque do mercado comportam bastantes viaturas. Também é certo ainda que o lado ocidental da cidade tem espaços públicos que podem ser aproveitados. Mas, para além do arranjo da ponte do jardim, eu insisto com este nome mais bonito. É preciso criar outra ponte e fazer com que a circulação de viaturas e peões tenha fluidez, segurança e proximidade.

Se Tavira pretende ser e é uma cidade de turismo, tem de criar todas as condições e mais uma para que os seus visitantes a percorram com facilidades na existência de suficientes parques para estes e, para as actividades normais de uma cidade que cresceu em dimensão urbana. Esta dimensão obriga ao uso de viatura para aceder ao centro, o coração onde, além dos motivos turísticos se situa toda a sua actividade motora, quer seja pública quer empresarial. É essa melhoria que me foi sugerida pelo intenso movimento deste fim de semana em Tavira.

Quarta-feira, Abril 23, 2008

O abandono de Luís Filipe Menezes

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

O PSD parece tendencialmente residual e regionalizado. É uma crise grave, de um partido histórico do acto governamental. Um partido que representa ou representou uma parte importante do eleitorado e da democracia portuguesa, mas que parece perder-se em jogos pessoais e intrigas rasteiras.

Luís Filipe Menezes sai prematuramente sem honra nem glória. Ele que queria ser o Sarcossi português. Menezes andou a berrar que queria ser Sarcossi e agora invoca contrariedades oriundas do próprio partido para justificar o abandono. Se o autarca de Gaia conhecesse 10% ou até mesmo 5% das contrariedades que Sarcossi enfrentou e venceu, num tal cenário não se demitia, apenas suicidava-se.

Ora Sarcossi está agora na presidência e quem lhe procurou arranjar as tais contrariedades está a explicar em tribunal e diante juizes. E não são quaisquer uns. Basta ser o nome, por exemplo, Jacque Chirac. Olhe-se agora para os candidatos que se unem para a candidatura à próxima liderança do PSD e veja-se, como a maioria dos nomes mais sonantes são todos oriundos do Porto e políticos de 2ª linha.

De Lisboa parece não haver candidatos. Manuela Ferreira Leite parece não estar convencida a ser a dama de ferro do PSD e Marcelo Rebelo de Sousa, mesmo se adorasse voltar, não é hoje para o PSD senão um professor de Direito que faz comentários na televisão. Pedro Vaz Coelho é ainda um “J” de Coimbra que foi presidente da JSD. Dotado com 26% das intenções de voto, o PSD em termos de quadros diferentes não parece ter hoje massa crítica a Sul e, preso com uma distribuição orgânica muito assimétrica e desequilibrada para Norte de Leiria. A demissão prematura de Luís Filipe Menezes pode ter como consequência colateral, o fim político do ultimo barão de Lisboa, Angelo Correia, que começou da pior maneira no Verão passado.

Uma conversa de fazeres de reias, enganando-se redondamente na escolha do rei. Não deixaria de ser imensamente irónico que o inoxidável Angelo Correia fosse liquidado por fogo amigo do instável Menezes. Mas, a grande questão que desta perspectiva se levanta é a seguinte: será hoje o PSD uma formação política residual, concentrando a massa crítica restante dos seus dirigentes do Porto e a Norte?

Não me parece haver ainda uma resposta clara e definitiva para a questão. Mas, nas próximas semanas já vamos saber. Ver-se-á se o PSD escapa ou não a esta tendência para a residualização e para a regionalização. Mas se esta tendência se acentua então abre-se o campo a uma marcante recomposição de toda a paisagem política portuguesa.

Terça-feira, Abril 22, 2008

Os Lóbis

por Jamila Madeira (deputada do partido socialista)

O Lóbi é uma expressão forte e com um lado muito útil quando usado de maneira transparente. Em Portugal, os Lóbis não estão regulamentados e são, de alguma forma, vistos como um mundo subterrâneo e de interesses ilegítimos em que todos têm algo a ganhar. Nas instituições europeias, os Lóbis não são vistos desta forma. A sua actuação é vista como muito importante, estando a cidadania e a discussão em torno das diferentes perspectivas sobre uma mesma questão.

A sua regulamentação é feita de maneira bastante detalhada ao nível do parlamento europeu, dadas as múltiplas possibilidades de intervenção que os Lóbis podem potenciar junto desta instituição. No entanto, estes quase 5000 Lóbistas que trabalham junto das instituições europeias vão agora ter que regulamentar a sua actividade com novas regras e estas, pretendendo reforçar a transparência entre estes grupos de pressão e as instituições europeias.

Assim, para além de ser conhecido o objecto da sua intervenção implementar-se-ão medidas que reforçam as responsabilidades destes em relação aos membros do parlamento europeu e das demais instituições e em relação a todas as iniciativas que aí desenvolvem. Assim, para além do registo único comum a todas as instituições, estes deverão também tornar públicas as suas fontes de financiamento. Também que seja publicada a lista de todos estes Lóbis que foram consultadas para a elaboração de uma qualquer legislação europeia.

Deste modo, podemos garantir ou pelo menos continuar a garantir o reforço da cidadania europeia com a confiança no trabalho do parlamento europeu.

As "províncias" de Portugal

por Luís Horta (director do jornal Sotavento)

No fim de semana de 12 e 13 de Abril teve lugar no Algarve o 1º Festival Internacional de Ginástica, uma organização que movimentou cerca de 600 atletas e decorreu nos concelhos de Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António. Como é hábito, os jornais regionais e também os locais, Postal e Sotavento, cobriram o acontecimento, dando-lhe o relevo que as suas disponibilidades de espaço permitiram, o que acho curioso e daí a razão desta minha crónica de hoje. Os diários a nível nacional e os desportivos nao fizeram referências de jeito a este festival.

Isto porque acabei de receber um telefonema de uma participante que me perguntava se o meu jornal tinha trazido alguma coisa sobre o acontecimento. Perante a minha resposta positiva, perguntou-me ela como podia aceder o mais rápido à notícia e, como estava a falar de Lisboa, acabei por lhe fazer chegar a página do Sotavento através da internet, o que numa primeira análise, satisfez o seu interesse imediato.

Mas, o facto obriga-me ainda a pensar na verdadeira ou verdadeiras razões pelas quais a nossa dita grande imprensa pouca importância dá a eventos como este. Será porque não são futebol? Será porque não envolvem Sporting, Benfica ou Porto? Será porque não têm figuras Vip a assistir? Enfim...Será por uma série infinita de razões que nos dizem cada vez mais que a maior parte dos políticos, a maior parte das figuras do topo da economia, das artes, das ciências ou do desporto não ligam patavina à dita e chamada província. Ser província é ser menor.

O que se passa na grande província não interessa ao grande país, cujos horizontes para a maior parte deles é apenas Lisboa. Infelizmente, também uma grande parte dos jornalistas portugueses assim pensa. Talvez a senhora ginásta, a quem enviei por mail a página do Sotavento, tenha ficado satisfeita pelo evento ter sido divulgado. Caso contrário, poderia a senhora pensar que o festival não tinha sequer acontecido e, quem sabe, pensar se os concelhos de Tavira, Vila Real e Olhão nem sequer existirem, ou ainda, não passa de um mito desta zona do Sotavento para acontecimentos de certa grandeza, desportivos ou não.

Ninguém, nos meios importantes quer olhar para além do seu horizonte centralizador, da sua cidade capital. O resto, continua a ser paisagem. Não há pior cego do que aquele que não quer ver.

Quinta-feira, Abril 17, 2008

Num sono profundo

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)


"O lar foi desde sempre a pretensão inicial da instituição", reconhece Augusto César, um militante de causas sociais que tem lutado para que a Serra do Caldeirão não adormeça num profundo sono. Esta, é uma nova etapa que a Instituição de Solidariedade Social da Serra do Caldeirão está a viver, com a apresentação de um projecto e de uma nova candidatura para construir um lar para idosos acamados e deficientes mentais que fiquem sem família.

O Instituto de Segurança Social promete dar todo o apoio para a sua concretização, pelo que o projecto não pode morrer nos corredores burocráticos. O projecto tem um lar com 84 quartos que pretende responder às valências. De certa forma, que já tem alguma resposta a nível dos acamados, mas quanto aos deficientes mentais, é preciso que se diga que não existe no Sul do país uma única instituição que os possa acolher depois de ficarem sem pais.

Isto, é de facto um drama real que muitas das pessoas vivem e que são depois integradas em lares de idosos, que em nada estão preparados para os receber. A Governadora Civil e o director do Centro Distrital de Faro da Segurança Social têm conhecimento do trabalho desta instituição e é importante, portanto, que já existindo terreno disponível para que seja feita a construção do lar, que comece a ser desumano prolongar por anos e anos um simples despacho do ministro da cultura, bastando assinar os termos de modo a que a obra possa concluir-se.

Além destes projectos, a Câmara Municipal de São Brás de Alportel reconheceu todo o trabalho desta instituição de solidariedade social e irá entregar-lhe, de São Brás de Alportel a uma instituição do concelho de Loulé, uma escola recuperada e desactivada, criando ali um centro de dia para que esta instituição possa administrar. É de facto importante que as pessoas se comecem a aperceber de uma realidade que existe no nosso país e, que é de facto, os deficientes mentais quando os pais morrem.

Onde ficam estas pessoas? E não existem um, dois, três, existem talvez milhares de pessoas nestas condições. É desumano não permitir que um lar destes seja construido e os burocratas e os monges de alpaca estejam de facto nos gabinetes fechados a pôr um travão numa obra que é essencial e importante, não só para o Algarve, como para a Serra do Caldeirão, porque a serra não pode ficar num profundo sono.

Quarta-feira, Abril 16, 2008

O Salazar do século XXI

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

Os casos Jorge Coelho e Fernanda Câncio mostram bem que a política da oposição está reduzida a hipócritos ataques pessoais. A hipócrisia, a duplicidade da argumentação falaciosa e o vício do ataque pessoal destes neo-salazarentos não conhece limites.

Duas vergonhosas manifestações desta pessonha aconteceram esta semana; foram a jornalista Fernanda Câncio e Jorge Coelho. Sem propostas políticas para os novos problemas deste século XXI, esta gente que vive algures no passado, claro se sente confortável, que não quer de lá sair e que pretende mesmo encerrar-nos e fechar-nos aí, fora do ataque pessoal e da intriga rastejante da sua política. Isto é comum, estes ataques todos, digam os senhores de esquerda ou de direita.

Jorge Coelho, por exemplo, que mais duplicou o período de nojo que a lei impõe às pessoas nas circunstâncias dele, tem claro, a lei, a legitimidade e a moral do seu lado. Portanto, toda a liberdade para escolher e fazer as opções de vida que bem entender e, sem ser vítima dos ataques destes farizeus da política que, com falsas morais pretendem limitar e coartar a liberdade de cada um, tal como, de resto Salazar fazia.

O bicho morreu, mas 40 anos depois parece que a pessonha ainda cá anda.

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Segunda-feira, Abril 14, 2008

Uma União Europeia melhor

por Jamila Madeira (deputada do partido socialista)

A União Europeia é um espaço de Democracia, Liberdade, Tolerância e Direitos Humanos. Na sua génese está a constituição da paz e da prosperidade e, vir a trazer um futuro próspero aos seus cidadãos. Sempre, mas sempre se pautam todas as defesas do direito internacional e sempre se quiz a sua supremacia. Ainda assim, a UE não tem conseguido fazer ouvir com a veemência necessária, a sua voz no âmbito externo. Umas vezes, porque articula a mesma mensagem ou a sua mensagem de forma demasiado ténue, outras vezes por ser pouco autónoma nas suas posições, outras ainda por estar demasiado dividida e em sentido completamente antagónico.

Esta realidade foi originada pelo facto de estarmos sem instrumentos, ou seja, de só agora no tratado de Lisboa e também na anterior Constituição, a UE funcionar a uma só voz no âmbito da política externa e só agora, efectivamente, ser uma realidade. Assim, o concelho europeu, normalmente seguindo linhas que a diplomacia também conhece, fugia da realidade e dos cidadãos e mantinha uma perspectiva absolutamente altista.

Vários são os exemplos em que a UE ainda não marcou pela diferença. Falamos de Cuba, antes e depois de Fidel, da situação no Darfur, no conflito do Sahara, mesmo nas relações com a América Latina e com África. É pena, mais evidente que tudo, o conflito no Médio Oriente. Neste caso, em que o nosso aliado transatlântico enfrenta neste momento eleições e assumem todos os candidatos à presidência uma postura presentemente escorregadia e índubia contra a proposta do presidente, a UE deveria ser capaz de assumir a liderança deste processo, apoiando uma solução de paz que, naturalmente passa pelo diálogo e, obviamente, pelo diálogo entre todos os interlocutores sem excepção.

A realidade já nos demonstrou isso no território europeu com a solução encontrada para o conflito na Irlanda do Norte. É preciso de uma vez por todas assumir a liderança e dar apoio a quem quer ajudar. É preciso trabalhar para que os cidadãos europeus se empenhem num projecto global de paz e, não apenas numa visão particular e, de alguma forma, egoista.

Metereologia correcta

por Luís Horta (director do jornal Sotavento)

Na última semana o Algarve, como aliás todo o país, esteve sob temporal que abalou a Península Ibérica. Porque a sua actividade depende do tempo, há sempre gente ansiosa pelas notícias que correspondem à previsão. Notícias e previsões que não surgem com aquele desenvolvimento e com aquela precisão que muitos necessitam e, de que a maior parte não desnenharia.

Por mim, quando quero saber alguma coisa sobre a matéria estabeleço ligação com a TVE e, o primeiro canal dos nossos vizinhos espanhóis, por volta das 21h, dá-nos 5 minutos, pelo menos, de antevisão para os dias seguintes. É pena que os noticiários televisivos portugueses, designadamente a estação pública, não o façam como antigamente. Perder 5 minutos com a metereologia talvez não faça perder telespectadores, talvez aumente o seu número.

Parece que os noticiários são também os grandes barómetros das audiências, que todos querem ganhar, mesmo à custa de uma informação menos cuidada. A nossa memória ainda regista com agrado as intervenções dos técnicos do serviço metereológico de há 30 anos. Ainda tem imagens das autênticas lições dadas por Antimio Azevedo, conhecido como o "explicadinho", Costa Andrade e outros. Os anticiclones, as depressões, as frentes e outros termos eram-nos familiares, a coisa percebia-se.

O cidadão corrente, mesmo sem ter conhecimentos sobre a matéria, ficava elucidado quanto baste, para a sua relação próxima com o mau/bom tempo que viesse a fzer e, quem viajasse, os pescadores ou agricultores, agradeciam o bonús. Era serviço público.

Nesta última semana e em Tavira, como se viu, não chegou a haver problemas graves, ocasionados pelo mau tempo infernoso que se prolongou por vários dias. O nosso Rio Gilão está menos agressivo, bastando que as suas margens não sejam invadidas por detritos. É quanto se deseja. Mas o cidadão gostaria de saber mais sobre o que se passa com o tempo, para além de alertas amarelos, laranjas ou vermelhos que constituem informação difusa e pouco concreta.
Bastaria recuperar os boletins metereológicos feitos com tempo, devagar e bem explicadinhos.

Que acham disto os presentes ouvintes?

Camilo Castelo Branco

por Carlos Lopes (Advogado)

Camilo Castelo Branco é conhecido sobretudo pela sua grande obra "Amor de Perdição", uma espécie de Romeu e Julieta da Beira Alta, obra romântica por excelência e, pela qual, Camilo é conhecido. Mas Camilo não é só isso. A sua imensa obra; diga-se que Camilo foi o primeiro escritor português a viver exclusivamente da escrita. Espalha-se por mais de uma dezena de livros.

Em virtude desse profissionalismo, há obras recentes em que se tem que escrever a metro para ganhar a vida, mantendo textos inesquecíveis. Hoje queria trazer aqui a "Queda de um Anjo", a obra satírica da sociedade portuguesa do século XIX e, onde nos rimos a bom rir. O herói, Calisto Elói, uma personagem rural que ascende a deputado na mansão e que vive peripécias hilariantes, é o português típico.

"Queda de um Anjo" não fica atrás das páginas de Eça e é uma faceta que por vezes é menos conhecida de Camilo. O livro vale a pena. Não é muito grande e faz, de certo, as delícias de quem o lê. Há edições populares, nomeadamente da Arcadia.

Vale a pena.

Sexta-feira, Abril 11, 2008

Triste justiça

por Ricardo Chega (correspondente da Lusa em Espanha)

O caso da pequena Mariluz veio pôr o dedo na ferida e lançar o debate social sobre os caos, em Espanha e quase por toda a Europa. Sentenças arrefecem dentro de gavetas e caixas de cartão das secretárias judiciais. Todos sabiamos que a justiça é cega e suprema, mas agora sabemos também que é lenta e pouco prevenida.

O sistema judicial em si não é complicado nem é lento, mas tem a responsabilidade de quem o exerce, de quem tem o dever de desenvolvê-lo, tem também a responsabilidade de torná-lo mais eficaz. Neste saco englobo os políticos, os governantes, os juízes, os procuradores, os advogados e também, claro que sim, os cidadãos, sobretudo quando a justiça se aplica em nome do povo.

O caso da Mariluz, na Espanha, é apenas um dos milhares de casos anónimos que se conservam nos tribunais. Há delinquentes condenados e que estão em liberdade, cometendo crimes. A justiça continua de olhos fechados, até ao dia em que de tantos erros e de tanta vergonha padeça de um ataque fatal.

Em Portugal passa-se exactamente o mesmo. O sistema judicial é lento, demasiado lento. Não se actua com a eficácia e, muitas vezes a eficiência devidas. Perde-se demasiado tempo com pormenores que interferem no bom funcionamento da justiça e, quando ocorre um erro judicial escandaloso, eis que todos os intervenientes da justiça sacodem a água do capote e atribuem-se culpas mútuas.

Creio que é um inquívoco. Deviamos todos, já que a justiça não é de ninguém em particular, unir-nos e exigir a quem corresponde responsabilidade, dedicação, seriedade, eficácia e profissionalismo. Não se pode alterar a lei como quem muda a decoração de uma casa. Já existem leis suficientes. O que é preciso é pô-las em prática. É necessário rigor.

Penso que se todos pusermos um pouco da nossa parte seguramente poderemos resolver este problema. É preciso que os políticos sejam prudentes, que os governantes mimem a justiça, apesar de não dar votos. Que o ministério público faça o seu trabalho, que os juízes deixem a preputência de parte, que parem de pensar que eles são deuses e que façam mais uso da palavra, pontualidade e dedicação. Os advogados que evitem as manobras para magnificar ainda mais a triste moronocidade.

O sistema judicial precisa urgentemente de um milagroso circuito informático, semelhante ao que tem, por exemplo, as finanças para que se conheça num instante o registo criminal do cidadão e se algo pende sobre ele. E claro está, a solução não passa apenas pela informática, o nº de funcionários especializados e dinâmicos têm que ser também aumentados.

Quinta-feira, Abril 10, 2008

Recuperação dos moinhos

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

O dia dos Moinhos, iniciativa da Rede Portuguesa de Moinhos, comemorou-se no passado dia 7 de Abril. 102 Moinhos em 13 distritos do continente e dos Açores estiveram abertos para visitas e com animação própria. Desde o fazer pão até às provas do pão, passando por visitas de estudo, palestras, caminhadas e mostras e provas de produtos regionais.

A recuperação dos Moinhos, para além do que se pode fazer em animaçao turística como se viu, é sobretudo no caso dos moinhos de água e seus açudos, o muito significativo contributo para a verdadeira conservação da natureza e para a biodiversidade. Certamente era muito importante que os nossos autarcas e outros políticos e, até aqueles ambientalistas que só falam em ambiente para chatear e empatar fizessem qualquer coisa de útil para a biodiversidade, a conservação da natureza e a riqueza deste nosso Algarve.

Aqui fica o desafio: recuperem os moinhos, recuperem os nossos moinhos, sobretudo os de água e seus açudos. E se ao contrário do que acontece nos Açores aqui no continente os moinhos ainda não têm legislação, que os proteja. A verdade, é que já as autarquias podem declará-los de interesse concelhio. Pois entao façam-no e já. Metam mãos à obra.

A natureza, a biodiversidadde, o turismo e os eleitores vão agradecer.

À espera da Circular Norte

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

Há 10 anos, o concelho de Loulé abriu as suas portas para receber o aterro sanitário do Sotavento Algarvio, com a condição de pelo menos o Governo assumir o compromisso de construir a Circular Norte, para evitar a circulação dos cameões de transporte dos resíduos sólidos pelo centro da cidade. Passaram-se todos estes anos, o aterro está a funcionar mas a Circular Norte tem vindo a ser adiada.

Sem um pingo de vergonha e sem constrangimento, o Secretário de Estado do adjunto das obras públicas teve o descaramento de afirmar que a Circular Norte de Loulé esteve prevista para integrar o projecto de requalificação da Estrada Nacional 125 mas acabou por ser retirada, enquanto o concurso público que decorre desde Junho de 2006 será anulado e adiado, não se sabe para quando. Não há vergonha, nem respeito pelas populações.

Tudo parece resumir-se à simples contagem dos votos e uma espécie de negócio que ninguém entende ou educadamente fazem por não entender porque muitos têm mais vergonha do que os políticos que mais não fazem do que construir o seu futuro à sombra da passagem pelo Governo.

A Câmara de Loulé tem todo o direito de demonstrar publicamente a sua indignação porque estamos perante um compromisso que ultrapassa a simples partidarite. Há protocolos entre o anterior Instituto de Estradas de Portugal, actual empresa Estradas de Portugal (EP) e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional. O problema não é de agora, já vem do passado. Que haja solidariedade, pelo menos por parte dos concelhos do Sotavento Algarvio para com o concelho de Loulé, porque a negação e o adiamento da construção da Circular Norte não deixa de ser um ponto negro no sistema rodoviário do Algarve.

Para que tudo se possa solucionar em nome da transparência e da honestidade política, resta ao Sr. Secretário de Estado adjunto das obras públicas deslocar-se até loulé, montar uma tenda, se entender que tal lhe dá mais propaganda e assinar a adjudicação da obra o mais breve possível, porque o Verão está à porta e porque é sempre imprevisível a reacção dos algarvios quando estão "marfados".

Quinta-feira, Abril 03, 2008

Adiar a regionalização?

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

A Grande Área Metropolitana do Algarve (AMAL) tem os seus dias contados e tão pouco depois da proposta de lei que o Governo socialista leva a debate no próximo dia 18, os seus estatutos se coadunam com o que se passará a chamar de Comunidade Intermunicipal (CIM) para fins múltiplos.

O Governo apresenta uma proposta onde os municípios da Grande Lisboa e da Península de Setúbal integram a Área Metropolitana de Lisboa e os municípios do Grande Porto e de Entre-Douro e Vouga integram a Área Metropolitana do Porto, que irão ser reguladas por diploma própria. A Área Metropolitana do Algarve legalmente fica extinta.

Pela lógica, e porque o Algarve está inserido na NUT III, e visto a proposta de lei anunciar que «apenas as associações de municípios correspondentes a uma ou mais NUTS III serão consideradas parceiras do Governo em matéria de descentralização de competências e de participação na gestão do QREN, acautelando a necessidade de coerência e continuidade territoriais», todos os municípios irão fazer parte da nova associação, que receberá, certamente, o património da actual AMAL.

O Governo pretende avançar com um novo conceito de associativismo municipal, permitindo que os municípios se associem para fins múltiplos, e aqui apenas o poderão fazer numa associação, ou para fins específicos, podendo neste caso pertencer a mais do que uma associação.

Define o Governo, também, o modelo de governação das CIM, criando dois órgãos, o deliberativo, através da assembleia intermunicipal, que apenas se reúne duas vezes por ano, obrigatoriamente, e extraordinariamente nos termos definidos nos estatutos da CIM, e o conselho executivo, que é o órgão de direcção da CIM, composto por todos os presidentes de Câmara que elegem, entre si, um presidente e dois vice-presidentes.

Relativamente ao Algarve, pela sua inquestionável dimensão física bem definida, esta nova associação, denominada Comunidade Intermunicipal, tem muitas das características da AMAL, restando adaptar os seus novos estatutos à nova lei, como forma de poder ser parceira do Governo e não ficar marginalizada nas acções futuras que se adivinham para a região.

Será que o Governo quer ensaiar com este tipo de associativismo e pelas competências atribuídas a cada órgão, um adiar da regionalização?

Há que fazer uma leitura ao pormenor das competências atribuídas ao conselho executivo da Comunidade Intermunicipal, para perceber que muitas das linhas programáticas de uma futura regionalização estão ali inseridas.

Pode propor à assembleia intermunicipal a cobrança de impostos, propor ao Governo projectos e programas de investimento e desenvolvimento de alcance intermunicipal, elaborar planos intermunicipais de ordenamento do território e muitas outras acções que um futuro Governo regional terá competência para gerir.

Fica-se com a sensação, depois de olharmos para a proposta de lei do associativismo municipal, que o Governo pretende instituir um poder intermédio, com quem passa a dialogar, esvaziando, desta forma, uma futura regionalização do território.

Porque, a haver regiões administrativas, não tem cabimento, dentro do mesmo território, existirem dois poderes com capacidade intermédia para dialogar com o Governo central.

Afirma-se no preâmbulo da proposta de lei que «importa pois, por isso, que as associações de municípios possam ter um regime que lhes permita elevar a respectiva escala de intervenção, ao mesmo tempo que devem acompanhar a matriz de organização desconcentrada do Estado. O diálogo entre as estruturas desconcentradas do Estado e as associações de municípios passa a efectuar-se num patamar semelhante e sem desconformidades territoriais».

O Governo está a criar um interlocutor, tirando, nitidamente, margem de manobra para a criação das futuras regiões administrativas, onde o poder intermédio será gerido por eleitos a nível de região, com as consequências respectivas para os partidos.

Porque passam a existir eleitos de um e do outro lado, enquanto nas Comunidades Intermunicipais os eleitos são meramente locais.

Em 2009, dizem os partidos, pode ser feita a revisão da Constituição, apontando os regionalistas para que se retire a simultaneidade na criação das regiões.

Vamos mais longe: é importante que se crie a figura dos partidos regionais, com capacidade para concorrerem às eleições da sua região, porque, caso contrário, voltamos ao mesmo dilema – serão eleitos representantes dos partidos de cariz nacional, sempre constrangidos quando o Governo central coincidir com o regional.

Queremos maior abrangência e mais democracia participativa. Não pode haver cidadãos de primeira, os que estão nos partidos e alinham nesse tipo de corporativismo, e os restantes que, não pertencendo àquelas estruturas, não se podem candidatar a deputados.

Haja coragem para rever a lei dos partidos e a abertura aos cidadãos para se candidatarem a deputados nacionais e regionais.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008

Ser solidário

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

As chuvas fortes, de um Inverno teimosamente seco, caíram de madrugada e encheram as ruas da cividade. Arrastaram carros, pessoas, derrubaram muros. É a natureza Mãe a querer ocupar os espaços que sempre foram seus.

Vão-lhe impermeabilizando o manto da fertilidade e dá-se a revolta, a fuga desenfreada na procura das linhas de água que a encaminhavam para os ribeiros, os rios, o mar. Na sua frente, há uma parede de betão. Milhares de portugueses ficaram afectados pelas cheias.

A culpa não é da chuva. Como diz a canção, tomara que chova três dias sem parar. A água é um bem. E a seca que o país atravessa precisa dela como de pão para a boca.

A culpa é de todos nós. Queremos mais cidade, queremos estradas, desejamos um maior conforto enquanto pessoas, esquecendo os perigos que se escondem atrás de um mau ordenamento urbanístico, das construções em linhas de água, na falta de limpeza das ribeiras.

Esquecem-se os homens de manter vivos os diques das ribeiras, de construir na Serra e no Barrocal barragens de terra, para alimentarem o lençóis freáticos que, na falta do precioso líquido, vão secando e arrastando para paisagem desértica o que está a sua volta.

Se as técnicas dos homens são as grandes causadores destas catástrofes, ninguém, principalmente os responsáveis políticos e governantes, se pode colocar de fora, atirando a culpa para cima do vizinho.

O ministro do Ambiente Nunes Correia considerou que os culpados desta situação eram as autarquias. A falta de postura política-democrática, quando se sabe que o Ministério do Ambiente é o primeiro responsável por muitas das anomalias que se passam no terreno, demonstra a falta de solidariedade para com os cidadãos, o que mais não é do que a demonstração prática da atitude do actual Governo.

As pessoas não estão primeiro, mas em segundo, terceiro, quarto e quinto lugar. Pelo menos devia ter tido a capacidade para fazer o discurso politicamente correcto de que a culpa é de todos nós, há coisas mal feitas, temos que corrigir. Culpar os outros, sacudindo a água do capote, é uma falta de respeito pelo povo. Um ministro, no mínimo, é teoricamente responsável.

Se o ministro do Ambiente não quis assumir responsabilidades, do primeiro-ministro José Sócrates, que, na noite de segunda-feira deu uma entrevista em directo na SIC, não se ouviu uma palavra de solidariedade para com as famílias atingidas, como se a catástrofe que se desenrolava aos seus pés fosse nos antípodas.

Ficou mal, muito mal, constatarmos a falta de um sentimento que deve ser muito caro à verdadeira cidadania – ser solidário. Sócrates não foi solidário, aliás, nem podíamos esperar outra coisa dele, quando ao longo dos últimos três anos o seu afastamento da realidade é notório, com os cidadãos a serem rotulados de simples números, ensanduichados pela máquina fiscal, sentindo medo e rejeitando-se mutuamente, como se a sociedade estivesse vigiada por um big brother e em cada esquina existisse um agente pidesco.

Falta a muitos ministros de José Sócrates, e a ele próprio, fazerem a leitura dos mandamentos do que é ser solidário.

Podem-se embelezar os números das estatísticas, mas a realidade mostra que o desemprego aumentou, que nos onze meses do ano passado a economia esteve parada, que a pobreza envergonhada é uma realidade cada vez mais palpável, que os jovens não conseguem comprar casa, que muitos dos cursos do ensino superior não têm saída no mercado de emprego, o custo de vida aumenta todos os meses... há uma realidade que o Governo procura esconder, porque lhe convém.

Como é que o PS vem dizer que o PSD tem que manter os acordos políticos que foram feitos para a lei das autarquias e da justiça, quando na prática, e sempre que pode, quebra os laços de solidariedade que deve ter para com os cidadãos?

Se os seus exemplos não são os melhores, como pode ser exigida aos parceiros outro tipo de postura? Não há uma oposição clara em Portugal, porque o PSD é solidário para com o PS. Mas é uma solidariedade de pura conveniência, que cheira mal, porque é espúria. Já não há valores, há negócios.

E sempre se ouviu o povo dizer, que negócios, negócios, amigos à parte. José Sócrates sentiu-se ofendido quando viu os cidadãos-professores manifestarem-se à porta da sede do seu partido.

Este é um sinal de que as pessoas vão deixando de acreditar nos partidos-corporações e de que a liberdade de mostrarem a sua indignação não tem locais próprios para se manifestar. Pode ser confuso para políticos de olhos vendados, mas é uma realidade emergente a insatisfação do povo, que não sente solidariedade por parte de quem a devia manifestar.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

Os «fundamentalismos» da Europa

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

A ASAE está a multar as agências de viagens que enviem clientes para hotéis sem licenças. Não seria mais lógico que a ASAE fosse aos ditos hotéis, mandasse os clientes dar uma volta e fechasse as portas, até tudo estar devidamente licenciado? Sim, porque se a ASAE vai a uma cantina na hora de almoço, a manda encerrar e deixa crianças sem comer durante cinco horas, também pode mandar fechar um hotel.

Porque não actua a ASAE em conformidade? Porque é uma polícia feita à medida das tascas, das feiras do relógio e de umas tantas festas populares. O patamar superior, ao que parece, já não é para esta polícia.

Aliás, não temos conhecimento que tenham sido fechados hotéis sem licença, nem tão pouco que o camarão de alguma grande superfície tenha sido regado com lixívia.

Para que fique claro, não desejamos, de forma alguma, que haja desleixo ou incumprimento das normas legais. Num país como Portugal, onde a iliteracia está instituída, era muito mais importante começar a educar, praticar a prevenção e actuar sem repressão.

Há uma procura contínua da multa e dos processos, como simples regra contabilística dos números que contam para as estatísticas.

O que resta aos cidadãos a quem não lhes é dada margem de se adaptarem aos novos «fundamentalismos» europeus? Responder com regras que não violem as leis, dentro de esquemas marginais da normalidade, onde não possam ser acusados de ilegalidade.

Por exemplo: há alguma lei a proibir um cidadão de organizar na sua casa, diariamente, almoços com uns amigos? Casas de almoços à porta fechada. O dono da casa abre e fecha a porta aos seus amigos, convida-os a almoçarem e, no fim, à moda do Porto, divide a despesa por todos com a respectiva recompensa de ter sido ele o organizador.

Uma associação de amigos, sem fins lucrativos e sem apoios do Estado, resolve fazer a recolha entre eles dos medicamentos não utilizados e dentro do prazo de validade, e, depois, faz a sua redistribuição por outros amigos. Será que há uma lei que proíba alguém de dar a outrem o que quer que seja?

E podemos continuar nesta linha. Quem sabe se, num destes dias, não seria aconselhável voltarmos aos tempos remotos da troca de mercadorias. Há alguma lei que proíba de trocar um móvel por sacos de batatas?

Para que se compreenda toda esta complexa legislação, António Nunes, inspector da ASAE, na Assembleia da República, reconheceu que os pequenos produtores não têm legislação a defendê-los, logo, correm sérios riscos. As indústrias tradicionais e de família estão a desmoronar-se.

Há medo nas pessoas, pela repressão que é imposta por homens de rosto coberto. As pessoas sentem que são tratadas como malfeitoras. A pequena economia vai-se debilitando e desaparecendo.

Agora, apareceram uns deputados a criar um grupo de trabalho para fazer o levantamento dos produtos tradicionais. Não se sabe quando, até porque o grupo é afecto ao Governo, irão aparecer os resultados. Depois, haverá sempre uma justificação, de que os produtos tradicionais irão ser regulamentados.

As leis a que estão sujeitos estes produtos são quase todas baseadas em legislação comunitária. Falar de doce de figo, de galinha de cabidela ou do medronho a um estrangeiro é o mesmo de quando nos falam a nós de produtos genuinamente de outros países europeus.

Esperemos que haja seriedade e celeridade neste projecto, para que não morram, como diariamente vem acontecendo, as pequenas indústrias tradicionais.

Porque, mais importante do que inspeccionar as condições da fábrica, é avaliar o produto final, posto à disposição do grande público, e saber se tem ou não condições para ser consumido.

Se não reunir os pergaminhos de um produto tradicional, a definir pelos entendidos em cada produto e não por um senhor que de cátedra manda palpites, então o produto deve ser retirado do mercado e a entidade produtora devidamente avisada das correcções que deve efectuar. Educar e prevenir.

Somos defensores da tolerância, da educação e prevenção, como forma de repor a legalidade. Sem o recurso à repressão, sem atitudes persecutórias.

Uma polícia que não é capaz de prevenir e de educar é porque não tem estes ensinamentos na génese da sua formação, daí transformarem-se em agentes da repressão, sem o mínimo de princípios básicos de humanidade e de respeito pelos contribuintes.

Que fique claro: previna-se, eduque-se, recomende-se... quem não seguir as regras, depois destes três princípios aplicados, é porque quer estar fora da lei, logo, deve ser sujeito a uma penalização. Portugal e os portugueses precisam de aprender a respeitar-se mutuamente.

Como ponto de honra reclamamos – não deixem morrer as nossas tradições, só porque há uns políticos que não passam de pingarelhos, a querer ser mais papistas que o Papa, usando e abusando, como se isso fosse ser um bom europeu, dos «fundamentalismos» de uma Europa que não nos diz respeito.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

Propaganda

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

Perante a gravidade da situação vivida no Hospital de Faro, todos têm sido unânimes em reconhecer que a solução para melhorar o estado caótico das urgências e acabar com muitas das críticas que se fazem àquela infra-estrutura de saúde, passa pela construção do Hospital Central no Parque das Cidades.

A propaganda do Governo em torno da construção do Hospital Central tem sido concebida com algum cuidado, temos que o reconhecer.

Em Agosto de 2007, José Sócrates veio ao Algarve afirmar que o concurso público seria lançado em 2008, as obras começavam em 2009 e a abertura ao público seria em Maio de 2012.

Os deputados do Partido Socialista têm seguido a cartilha e, sempre que podem, vão confirmando as datas anunciadas pelo seu primeiro-ministro.

O ano de 2008 já aí está e não vislumbramos quaisquer movimentações, nem tão pouco podemos acreditar na propaganda, depois de tudo aquilo a que José Sócrates se comprometeu e não realizou, ou, até, quando tomou medidas contrárias ao que defendeu.

Aliás, que conclusão podemos retirar quando o ministro da Saúde Correia de Campos, ainda esta semana afirmou: «Faro vai ter um hospital central e é isso que estamos a tratar. Espero estar em muito boas condições, daqui a alguns meses, de anunciar o concurso do novo Hospital Central de Faro, que vai ser construído em parceria».

A primeira questão que se levanta é a de que a actual situação vivida no Hospital de Faro está a passar ao lado do ministro da Saúde, porque não se importa com as críticas que são feitas, as anomalias que diariamente se apontam, a demissão dos médicos, etc.

Tudo isto parece ser secundário para o ministro da Saúde, que coloca em rodapé e como ponto fulcral o futuro Hospital Central. Pura propaganda.

Fazer uma promessa, que ninguém sabe se e quando irá ser cumprida, para esconder os factos reais e humilhantes da vida interna do Hospital de Faro, não dignificam a imagem política de um ministro, que deve ser, por regra, um exemplo.

«Daqui a alguns meses», afirma o ministro. Pressupõe-se que o anúncio, ou a intenção do seu lançamento, poderá ser feito lá para meados do ano, ou, quem sabe, como prenda de Natal, já em finais de 2008, para ninguém afirmar que, afinal, mais uma vez faltaram a um compromisso.

Como parceria público/privada, com concurso de âmbito internacional, por uma questão de transparência, e com a possibilidade de não aparecerem parceiros nacionais de imediato, até porque se perspectiva, como já foi anunciado, a construção de um hospital privado em Faro, será que o Governo encara a possibilidade de avançar sozinho?

A resposta a esta questão nunca foi dada. Nem acreditamos que o Governo, apesar desta ser uma zona turística, altamente rentável para a economia do país, mas pouco interveniente em termos eleitorais, esteja disponível para avançar com uma unidade hospitalar de raiz a expensas do erário público.

Se até ao momento, no Algarve, não avançaram obras públicas financiadas pelo Orçamento de Estado, se não há previsão de verbas em PIDDAC ou nos próprios Ministérios da Saúde e das Obras Públicas para construções de vulto, não acreditamos que a obra seja, alguma vez, subsidiada pelo dinheiro dos contribuintes.

Toda a política de Saúde que o actual ministro vem aplicando tem o carimbo imposto por um Governo que deixou de ter como slogan «as pessoas primeiro», para aplicar «o défice primeiro», mesmo que os portugueses morram à porta dos hospitais, levem horas para serem transportados ou atendidos.

Que importa que façam 30 ou 40 quilómetros, por montes e vales, em curvas e contracurvas, para ir a uma Urgência?

Promete-se uma maior rentabilidade e qualidade no serviço a prestar aos utentes, quando, na prática, isso não passa de mera propaganda.

Os estudos técnicos mandados efectuar não tiveram em conta as pessoas, mas, tão só, a mera matemática de uns números desumanizados que, ainda por cima, se esqueceram de equacionar que os transportes, até às novas Urgências, são por conta dos utentes.

Lindo serviço, sem dúvida, senhor ministro! É sempre o mexilhão a pagar!

Porque não publicam os Hospitais de Faro e do Barlavento os balancetes mensais das suas receitas e despesas, para se perceber, comparativamente aos anos anteriores, se houve ou não aumento em termos de gestão?

É verdade ou mentira que há médicos dos dois hospitais a fazerem serviços por contrato aos fins-de-semana, com custos mais elevados do que o normal? Há respostas para estas perguntas ou não? Seria bom, em nome da transparência e da razão, que fossem divulgados esses dados.

Anunciou-se para o Algarve a criação de três urgências básicas – Albufeira, Loulé e Vila Real de Santo António – que não funcionam nos novos moldes.

Quando é que o senhor ministro da Saúde pensa pôr em funcionamento estes serviços? Será mais uma promessa (ou propaganda) para não cumprir?

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Quinta-feira, Janeiro 17, 2008

A degradação do SNS

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

Indiferente às matrizes político-partidárias, porque nas questões da Saúde não nos podemos mover nas águas turvas das estratégias dos partidos, tenho que me colocar ao lado de António Arnaut, fundador do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Vou citá-lo muitas vezes. O seu depoimento ao jornal «Expresso» e a frontalidade com que assume uma posição crítica contra Correia de Campos, ministro da Saúde do actual Governo, pela política de degradação do Serviço Nacional de Saúde que tem vindo a impor desde os tempos de António Guterres, são importantes como tema de reflexão porque, António Arnaut, para além de militante do Partido Socialista, é o primeiro subscritor de uma petição que o Bloco de Esquerda lançou.

«Poucas vozes se levantam na defesa da maior conquista social do século XX português», reconhece, referindo-se ao Serviço Nacional de Saúde, que deve prevalecer nos termos constitucionais de ser geral, universal e gratuito.

O Presidente da República já tinha chamado a atenção para o que se passa na Saúde, questionando o Governo para que se explique, porque ninguém entende quais as directrizes que Correia de Campos quer lançar na Saúde em Portugal.

A petição do Bloco do Esquerda, no texto que a sustenta, aponta para o facto da «actual política de Saúde, em especial o encerramento de serviços e o corte de despesas necessárias ao seu bom funcionamento, tem degradado o SNS: o acesso é mais difícil e a qualidade de assistência está ameaçada».

As palavras que Correia de Campos emprega não nos convencem, nem tão pouco as populações que se manifestam ou os corredores das urgências cheios de macas são exemplos para desculpar o ministro da Saúde.

As ambulâncias do INEM não substituem as urgências, muito menos quando funcionam em função de ordens do CODU, que faz a interpretação das queixas recebidas de acordo com uma triagem quantas vezes duvidosa.

Na visão do ministro ou de uma comissão de avaliação, ter as urgências em proximidade é muito pior do que fazer 30 ou 40 quilómetros para ir a um hospital. São coisas que não cabem no normal pensamento de um mortal.

Quando as coisas dão para o torto, como é costume, não há responsáveis. Se houve mortos, ou partos na ambulância, tudo isso é fado, tudo isso é a vida de um país do terceiro mundo.

No Hospital de Faro, assistimos ao pedido de demissão de 19 médicos com funções de chefia, que a administração não aceitou, mas o que prevalece é que os médicos mantêm a sua posição e ninguém os pode obrigar a ocupar lugares de chefia, muitos deles feitos por convite pessoal.

O que se procura fazer, relativamente ao Hospital de Faro, é branquear uma situação que está há muito tempo preta. Utilizam-se os termos e a língua portuguesa (tão traiçoeira que ela é) para baralhar e confundir.

A realidade teve mostra em imagens televisivas. A realidade está presente no dia a dia.
«Foi ele [Correia de Campos] quem iniciou o processo de degradação do SNS, ainda no Governo de Guterres. Leva a cabo uma política de terra queimada: estamos perante um ultraliberalismo sem regras e à solta!», afirma António Arnaut.

Era importante, já que há tanta certeza do ministro na reforma do sistema de Saúde, que fosse aprovada uma directiva parlamentar que obrigasse Correia de Campos, no final do mandato e depois de aprovadas as contas do seu ministério, caso se verificasse o agravamento das despesas, relativamente ao que tinha recebido do Governo anterior, a repor as verbas gastas a mais.Há que responsabilizar os ministros pela política que praticam, penalizando-os.

Assiste-se, hoje, dito por muitos profissionais da Saúde, a uma política de mercenarismo no sector. Seria bom que os Hospitais do Barlavento e de Faro publicassem mensalmente as suas despesas com as contratações casuísticas que efectuam.

Podem responder, se houver coragem política: quantos médicos, ao fim-de-semana, vão trabalhar para o Hospital de Faro, pertencendo aos quadros do Hospital do Barlavento e vice-versa e quanto é que isto custa ao erário público?

Será que todas as consultas que estes hospitais possuem estão a ser rentabilizadas? Só para citar um exemplo de forma aleatória, a marcação de uma consulta foi feita para três meses depois, e no dia em que ela se realizou, na hora em que teve lugar, não havia mais nenhum doente para ser visto.

Não havia lista de espera, porquê tanto tempo e tão pouca rentabilidade das potencialidades de uma vertente inserida no Serviço Nacional de Saúde? Será que, num país pobre, de desempregados, é honesto andar a fomentar a procura dos serviços de saúde privados?

Como é possível, perante a oferta de uma máquina para efectuar determinado diagnóstico, que a associação que a pretendia doar tenha sido informada que o hospital não tinha doentes que justificassem a aquisição de tal máquina?

Seria porque o médico que deu o parecer é membro de uma clínica privada e nessa unidade existe uma máquina para fazer aquele tipo de diagnóstico?

Os hospitais-empresa, ficou provado, têm um desempenho, principalmente a nível de despesas, muito pior que os hospitais-públicos. Teimosamente, continuam a enveredar por este modelo.

Cito António Arnaut, que não quer falar do seu partido, o PS. A sua assinatura na petição do Bloco de Esquerda é feita na qualidade de cidadão e também por «puro humanismo: não podemos consentir que se retirem os cuidados de saúde a uma população já sacrificada pelo desemprego».

Manuel Alegre, um histórico do Partido Socialista e vice-presidente da Assembleia da República, Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, João Semedo, também, assinam a petição do Bloco de Esquerda, que pretende angariar 100 mil assinaturas para defender o Serviço Nacional de Saúde no Parlamento.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

Foi um ano de promessas

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

É bom lembrar que o Governo veio em peso ao Algarve, em meados do ano, lançar um conjunto de promessas, desde o Hospital Central, passando por investimentos privados, pomposamente apelidados de Projectos de Interesse Nacional (PIN). Ouvimos promessas, cujas concretizações não se sabe quando poderão acontecer.

Quanto ao Hospital Central, já se falou demais sobre este assunto. Há a promessa de ser lançado o concurso este ano, para que as obras se iniciem em 2009 e a sua abertura oficial se verifique no ano de 2012. São intenções e não passam de mera propaganda, por muito que se queira fazer crer aos algarvios de que o Governo é honesto quanto ao que afirma e promete... (coloque-se as reticências)

Quanto aos chamados Projectos de Interesse Nacional, praticamente estão todos em projecto. É de realçar o início da construção do autódromo, em Portimão. Deixem-nos colocar a pergunta: de todos os projectos apresentados na mediática reunião de Lagos, quantos estão à venda no papel?

Um projecto aprovado vale muito mais do que a intenção de ali se projectar um empreendimento. Quantos dos PIN aprovados pelo Governo, por proposta de um determinado investidor, já terão mudado de mãos?

Em termos palpáveis e com reflexo na economia algarvia, não se vislumbra nos próximos tempos quaisquer melhorias significativas.

Pomposamente, o Governo anunciou o chamado Programa Allgarve. O reflexo da sua aplicação na economia regional e nos fluxos turísticos foi nulo.

O turismo, como indústria de lazer, deve ser programado com dois anos de antecedência e o Algarve precisa de canalizar turistas que atenuem a sua sazonalidade. Oferecer programas no Verão, e a quem já cá está, é como chover no molhado.

Nesta altura do ano, por exemplo na BTL, era obrigatório estar a apresentar a todos os operadores os grandes acontecimentos para 2009 e 2010, para que estes possam ser divulgados e integrados nas brochuras promocionais, o que de outra forma é impossível, pela antecipação com que as agências começam a motivar os seus potenciais clientes e imprimem o seu material de promoção.

Em 2007, não houve uma obra pública de relevo na região algarvia. Houve uma tentativa de criar mais um momento mediático, com a hipótese de algumas inaugurações, mas depois de uma passagem de olhos pelo catálogo regional, não foi encontrado nada com verdadeiro significado para uma visita ministerial.

Retirando a Barragem de Odelouca, que, no fundo, é a continuidade de um projecto inacabado, nada mais de relevo se pode inscrever nas obras com alguma dimensão. Convém esclarecer que a verba para construir esta obra foi conseguida com um empréstimo bancário.

Somos todos nós, os algarvios, que iremos pagar, não com o aumento do custo da água, para que não apontem o dedo ao Governo, mas esqueceram-se de dizer que aumentavam as taxas sobre os resíduos sólidos. Não pagamos num lado, pagamos no outro…

O ano de 2007 foi de muitas promessas. Promessas cuja passagem à realidade não sabemos quando acontecerá.

Para 2008 gostaríamos de ver algumas coisas palpáveis, mas seria muito importante saber que a empresa Estradas de Portugal, em conjunto com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, lançava a concepção do projecto para uma via alternativa à actual Via do Infante, mais para o interior do Algarve, com ligação entre ambas, mas abrindo caminhos ao Alentejo e à futura operacionalidade do aeroporto de Beja, numa ligação coordenada com a Andaluzia.

Como seria bom ouvir das entidades responsáveis, no Ano Internacional do Planeta Terra (2008), que este seria o Ano da Região do Algarve, para a defesa dos valores da Nação algarvia...

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Quarta-feira, Janeiro 02, 2008

Os novos algarvios


por Fernando Reis (professor e director do Jornal do Algarve)

De país de emigrantes Portugal transformou-se, como consequência dos novos rumos traçados pela Revolução de Abril e pela integração europeia, num país de imigrantes. E o Algarve espelha hoje, inequivocamente, essa nova realidade demográfica. Africanos, brasileiros e gente de leste, entre muitos outros, compõem o mosaico multiétnico e multicultural de um Algarve que terá que ter sempre presente o seu passado de abertura ao mundo e de espaço onde se cruzaram povos, culturas e religiões, que foram capazes de conviver mesmo quando se degladiavam ferozmente pela sua conquista.

Numa Europa cada vez mais completa com a entrada de novos países, mas também mais assimétrica em termos de riqueza e desenvolvimento, é normal que se registem esses fluxos migratórios dos países pobres para os países ricos, tanto mais que a mobilidade dos cidadãos no espaço europeu é um direito inerente a uma cidadania europeia.

E numa época em que a quebra dos índices demográficos é uma preocupação séria, os fluxos migratórios podem ajudar certas regiões, como parece estar a acontecer com o Algarve, a recuperar população. Das 4820 crianças nascidas no Algarve em 2006, 862 são filhas de mães estrangeiras, o que não deixa de ser significativo. Para além das diferenças óbvias, em termos de progresso e nível de vida, entre os países de origem e os que os acolhem, esta imigração, se por um lado reflecte o desejo de procurar uma vida melhor, por outro, pode criar a ilusão que esses emigrantes passam a viver em países e regiões onde não existem problemas sociais. O que é falso. Será que é fácil fazer entender ao cidadão comum, porque é que um país como o nosso, com cerca de 500 mil desempregados e graves problemas de exclusão social, ao mesmo tempo que acolhe estes fluxos de mão-de-obra, gasta milhões em subsídios e apoios sociais?

E que também tem milhares de jovens que não conseguem emprego? Não podemos esquecer-nos que, mesmo na lógica das migrações internas no espaço da UE, este problema tem estado na base de uma certa xenofobia emergente, que se torna ainda mais grave quando se cruza com manifestações racistas, alimentadas por essa vaga de imigração clandestina que, num destes dias, também atingiu o Algarve, mas de que, felizmente, vamos estando a salvo. Com todo o reconhecimento pelas estrangeiras que aqui dão à luz, ajudando-nos a resistir à erosão demográfica, será que também não podíamos ser nós a multiplicarmo-nos?

É que, como se não bastasse, ao invés de uma política de apoio à natalidade como existe já noutros países europeus a braços com o mesmo problema, vamos fechando maternidades e mandando as nossas grávidas parir para Espanha.

NOTA: Os comentários de Fernando Reis são emitidos todas as quartas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Sábado, Dezembro 22, 2007

Votos de BOAS FESTAS!



Os cooperantes e colaboradores da RÁDIO GILÃO TAVIRA, CRL apresentam-lhe os melhores votos de BOAS FESTAS e de PRÓSPERO ANO DE 2008. Agradecemos-lhe o privilégio da sua companhia diária e o apoio concedido ao longo do corrente ano. Aceite igualmente o nosso CONVITE para escutar as novidades que estamos a preparar para os primeiros dias de 2008!

Quinta-feira, Dezembro 13, 2007

Região inovadora

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

O Tratado de Lisboa reforça o papel das regiões, conferindo ao Comité das Regiões um papel mais interventor, sublinhando, inclusive, o princípio da subsidiariedade que deve existir a nível regional. Portugal, lentamente, vai adaptando o aparelho desconcentrado do Estado às cinco regiões plano – Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve – o que é um passo positivo.

A União Europeia procura aprofundar esta temática, como factor de coesão económica e social. Não se conhece um único movimento de protesto contra a regionalização.

A União Europeia pretende que as regiões se tornem inovadoras e contribuam para mudanças económicas. Impõe-se, portanto, que a região do Algarve se enquadre dentro das vertentes que apontam para a sua auto-sustentabilidade.

Dentro dos trinta temas prioritários, definidos para as regiões e a mudança económica, há que transportá-los para a realidade algarvia, procurando nos fundos de coesão, se ainda formos a tempo de alcançar mais algumas verbas, meios que possibilitem a abertura de estratégias que possam dinamizar o Algarve, não como uma região periférica dedicada exclusivamente ao turismo, mas onde ainda é possível dinamizar actividades como a agricultura, pescas, domínios tecnológicos, científicos e de alta tecnologia, entre outros, ajudando, ao mesmo tempo, a reestruturar e activar as chamadas indústrias tradicionais.

Era importante que as autarquias, através da AMAL, conjuntamente com a Universidade, associações empresariais, institutos de ensino, organismos desconcentrados e outras entidades, definissem uma agenda de modernização para o Algarve.

Uma agenda que impusesse conceitos básicos que passam pela melhoria da qualidade do ar, da água, da reciclagem, para se entrar, depois, nas políticas de saúde, na matéria de transportes urbanos, onde se pode falar de linhas inter-urbanas que sirvam três ou mais concelhos, como forma de rentabilização dos custos e da melhoria na mobilidade dos cidadãos.

Uma agenda que passasse também pelos projectos comuns a comunidades vizinhas, na aplicação das energias renováveis, com a obrigatoriedade das unidades hoteleiras adaptarem a energia solar às suas estruturas ou tirando proveito, por exemplo, das palas do Estádio Algarve, instalando painéis solares a produzir energia para aquela infra-estrutura, para o futuro hospital e laboratório.

Outra das medidas na agenda seria a promoção do empreendedorismo, com a definição clara em termos territoriais de onde devem ser instaladas as empresas, sem entrarmos na concorrência das capelinhas, sob pena de se transformar uma estratégia regional num rotundo fracasso.

Há que criar laços de subsidiariedade com este tipo de políticas, que passam pela AMAL, com os municípios, depois da aprovação da agenda de modernização do Algarve, a se comprometerem na solidariedade para com outros municípios mais carecidos.

Integrar a juventude marginalizada proporcionando oportunidades de emprego, que podem passar por um programa de revitalização da agricultura, onde a figueira, a alfarrobeira e a oliveira devem ser pomares a dinamizar, com o emparcelamento dos terrenos, cujos muros de pedras devem ser banidos e sinalizados com marcos, para possibilitar o aparecimento de extensões rentáveis.

O associativismo pode e deve ser um caminho, entre os donos dos terrenos e quem os deseje cultivar. O abandono das terras, fruto da vinda dos filhos dos agricultores para as cidades, deve ser abolido.
O conceito de região inovadora deve prevalecer.

A nossa localização, apesar de periférica, tem algumas vantagens, como a climática, a segurança, a existência de alguma paz urbana, factores que nos colocam na frente de muitas outras regiões. Há que potencializar estas condições.

Instituir uma política regional com base numa agenda de modernização do Algarve seria a pedrada no charco.

As entidades públicas algarvias têm o dever e a obrigação de inovarem em conjunto, para o futuro da região, consolidando nichos de empresas, desenvolvendo serviços de infra-estruturas e de apoio à inovação, montando engenharias financeiras, desenvolvendo pólos de excelência, comercializando resultados da investigação universitária e não só, fomentando planos transregionais...

O Algarve deve estimular o estatuto de região líder e da inovação política, económica e social.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Terça-feira, Dezembro 11, 2007

Erickson fugiu do Algarve... Para Espanha!

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

Mais um que foi para Espanha.
Já não o primeiro, mas seria muito bom que fosse o último.

Nem a chancela de Projectos de Interesse Nacional, criada por José Sócrates para evitar estas situações, nos salva. A Burrocracia e outros empatas conseguem estragar tudo.

Erickson tinha para o Algarve, para Lagos, mais concretamente, um projecto de grande qualidade e que fugia à ditadura do sol e praia e, por isso, garantia uma ocupação todo o anos. Um projecto virado para a área desportiva que reforçava a integração do Algarve num segmento turístico de qualidade e grande poder de compra.

O investimento de 50 milhões de euros que o ex-treinador do Benfica trazia iria criar 350 postos de trabalho, três hotéis com cerca de 2.000 camas, um spa, campo de golfe e um mini-estádio com capacidade para 8.000 espectadores. E uma escola de futebol.

Claro, apareceram os obstáculos do costume, Erickson esperou três anos e fartou-se. Foi-se embora. O projecto fugiu para Espanha. Por cá, por este nosso Algarve, vai continuar a acontecer o habitual: só os patos bravos conseguem fazer as suas construções horrorosas e sem qualidade.

Parece-me que quanto mais os autarcas e outros responsáveis ou irresponsáveis falam de requalificar o Algarve quanto mais mal tratam os investidores… Erickson não quis ficar à espera anos sem fim e acabar na falência e no suicídio como outros e por isso mandou tudo ter juízo, pegou no projecto e no dinheiro e foi-se embora para onde o tratam como deve ser tratado um investidor.

Assim, meus amigos, nunca mais saímos da cepa torta…

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

Dia Internacional do Voluntariado


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

Nos dias que correm, onde tudo se compra e vende, é salutar o testemunho de quem, por amor, olha o próximo numa perspectiva evangélica: “Precisei de ti e não me virastes as costas”.

Esta voz chama actualmente, novos e menos novos, a dedicarem-se aos outros.

Foi com interesse que assisti à apresentação do Projecto “Solidus”, do Corpo Nacional de Escutas, agrupamento de S. Luís – Faro.

Trata-se de uma ferramenta interactiva, onde voluntários, encontram toda a informação necessária, de forma a apoiar cidadãos em dificuldade ou instituições que necessitem de recursos humanos qualificados, em áreas ainda não cobertas pelos seus quadros de pessoal.

www.solidus.pt é o endereço do site que permite a inscrição dos voluntários, das instituições e de todos aqueles que necessitem de apoio. Convido ao auditório a efectuar uma visita.

A propósito do voluntariado, deixai que vos dirija mais algumas palavras:

O Voluntariado é uma contrapartida ao egoísmo!

Voluntário é o que corresponde ao apelo e à urgência de uma missão: diz-se pronto, capas, disposto a agir em beneficio de um outro cidadão ou comunidade, respeitando as regras de um estatuto, as linhas mestras de um compromisso.

Sendo o voluntariado, uma contrapartida ao egoísmo, tem razão o apelo de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

Levai ao extremo do amor as exigências do verbo dar, lembrando mais uma vez, Jesus Cristo: “Tudo o que fizerdes ao mais pequeno, é a mim que fazeis”.

Aqui está a base de toda a generosidade.

Decida-se também você a ser SOLIDÁRIO!

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Quinta-feira, Dezembro 06, 2007

Outra vez o anti-regionalista!

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

No regime democrático, é normal existirem correntes pró e contra. É o caso dos regionalistas e dos anti-regionalistas. Não é por acaso que a nossa Constituição prevê a instalação das regiões administrativas. Muito antes de Portugal colocar a regionalização no texto constitucional já esta estava desenvolvida noutros países.

Os primeiros vinte países da Europa optaram por criar modelos de descentralização, regionalização ou federação. Do que se trata, na realidade, é de mudar o modelo administrativo.

O actual modelo português visa, tão só, cimentar o centralismo, que tem na sua génese a defesa dos interesses pessoais, de grupos e grupelhos instalados na capital.

Os profissionais da democracia musculada dedicam-se, essencialmente, a procurar bons empregos, benesses, avenças encapuzadas e outras formas de se auto-governarem.

Quem detém o poder não o quer partilhar. É uma questão de cultura e os portugueses, muito por causa do regime ditatorial e pidesco vivido antes do 25 de Abril, perderam hábitos de associativismo e de partilha. São egocêntricos.

Há, ainda, no Portugal democrático, um conjunto de inquisidores, que se julgam donos da verdade, só porque moram numa urbe que se intitula capital do reino, de onde mandam uns palpites para as almas penadas, como apelidou Miguel Sousa Tavares, no «Expresso», os defensores da regionalização.

Este escriba, resolveu, mais uma vez, falar contra a regionalização, como se as maleitas deste país tivessem a sua origem nas apelidadas regiões.

Diz ele, que há interesses escondidos à espera da regionalização, e que os eleitos a nível regional vão utilizar o dinheiro público actuando como caciques locais, comparando as regiões autónomas, com capacidade legislativa, às regiões administrativas, que não possuem tal capacidade.

Seria bom que Miguel Sousa Tavares, na sua eloquência anti-regionalista, se detivesse sobre os caciques do poder central. O Algarve, por exemplo, nos dois últimos anos perdeu muitas das repartições descentralizadas a favor de Lisboa.

As almas penadas dos algarvios lá terão que ir em peregrinação ao Terreiro do Paço, a Évora e a outros locais, porque não podem resolver os seus problemas na sua região. Das cabeças iluminadas dos caciques do poder central saem coisas de bradar aos céus.

Para o Algarve, mandaram uma série de projectos ditos de interesse nacional que, iremos ver num futuro próximo, se não contribuirão para destabilizar o ordenamento do Litoral.

Daqui a uns anos, quando o poder estiver regionalizado, lá terão os responsáveis, a exemplo do que se está a fazer na Andaluzia, que mandar derrubar muito do que foi construído, para tornar o Algarve ambientalmente mais sustentável.

Muito do que se está a fazer por este Portugal fora já não tem a intervenção do poder local, mas dos ministérios centrais, que até mandam suspender os Planos Directores Municipais, para implantar mais um hotel. Este tipo de actuação, não se enquadra nas linhas puras do caciquismo?

Considera Miguel Sousa Tavares, do seu pedestal, que os regionalistas estão a preparar um «golpe», porque pretendem que a obrigatoriedade do referendo seja retirada da Constituição, para que se possam criar as regiões administrativas.

Há razão para que assim seja, porque, em abono da verdade, o que se pretende é modernizar o país e a sua administração, descentralizando, aproximando-a dos cidadãos e não obrigando toda a gente a correr para Lisboa.

Ou será que Miguel Sousa Tavares acha que todos os portugueses têm os mesmos direitos e deveres políticos, já para não falar noutros? Não esqueça que, para se candidatar a deputado, só o pode fazer incorporado na lista de um partido.

É esta a democracia que temos, musculada e corporativa. A regionalização não se faz porque os políticos carreiristas não querem perder poder, pretendem controlar, mexer os cordelinhos de acordo com as cores políticas e não no interesse das populações. Basta olhar para as assimetrias existentes no país.

Mais importante do que a eleição dos representantes para exercerem o poder regional, é sabermos que os eleitos estão imbuídos de uma visão regional, mais próxima dos cidadãos. O seu trabalho será de dinamização das suas regiões. O poder local tem dado bons exemplos. A excepção não pode fazer a regra.

A União Europeia criou o Comité das Regiões com o objectivo de reforçar a coesão económica e social entre os Estados.

No preâmbulo do Tratado da União Europeia, afirma-se que «o processo de criação de uma união cada vez mais estreita entre os povos da Europa, em que as decisões sejam tomadas ao nível mais próximo dos cidadãos, de acordo com o princípio da subsidiariedade», é alcançado com a institucionalização do Comité das Regiões. Para um bom entendedor, meia palavra basta.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Terça-feira, Dezembro 04, 2007

GUADIANA PRECISA DE FUTURO

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

Rio com história e muitas estórias e a precisar de futuro, o Guadiana foi, desde há vários milhares de anos, uma das artérias fundamentais das trocas comerciais e culturais não só deste território que é Portugal mas de toda a Península. Nas suas margens nasceram há milénios, prósperas cidades – Castro Marim, Alcoutim, Mértola e outras, entretanto desaparecidas, como Konistorgis - que tiveram vida cultural e económica bem animada, tiveram capacidades militares, tiveram projecção política e até chegaram a cunhar moeda.

No século XX ainda, o Guadiana era a grande auto-estrada para quem fazia percursos do Pomarão até Vila Real de Santo António. Gentes e mercadorias transitavam para cima e para baixo pelo Guadiana. Depois, em meados do século XX, veio o domínio da estrada e dos carros e o pobre do Guadiana foi esquecido e abandonado. Entrou em depressão económica e social. Séries sucessivas de presidentes de câmara têm olhado para ele mas não vêem nada… Ou apenas vêem um sítio para dar uns mergulhos e umas braçadas.

Há uns anos, porém, o Guadiana foi redescoberto e valorizado para uma certa actividade económica. E começou uma época em que se os dias parecem calmos, as noites são muito agitadas… Tráficos de toda a ordem, incluindo o tráfico de armas, fizeram das noites do Guadiana uma animação. E nas suas margens até umas colombianas vieram residir… Porque se há muitos tráficos, a verdade é que a droga é ali rainha.

E já chegámos a um ponto em que lanchas aparecem e lanchas desaparecem… até de instalações confiadas às autoridades. Em suma, a coisa tornou-se um farrabadó!

É mais que tempo da polícia fazer o seu trabalho. E é mais que tempo dos senhores presidentes de câmara verem no Guadiana uma oportunidade soberana de desenvolvimento económico. Se não souberem como, eu sugiro que a Rádio Gilão organize umas conferências e seminários sobre o assunto… Há-de aparecer alguém para explicar o que fazer e como fazer.

Triste é isto de os traficantes terem descoberto o que os autarcas não viram… E esta situação, meus senhores, não pode durar!

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Sexta-feira, Novembro 30, 2007

10 Milhões de Estrelas, um gesto pela Paz


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

Pelo quinto ano consecutivo está em curso a Operação “10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz” promovido pela Cáritas Portuguesa, em parceria com todas as Cáritas Diocesanas de Portugal Continental, Madeira e Açores.

O objectivo desta operação é motivar cada cidadão para a aquisição de uma vela que, quando acesa, simbolize a adesão de toda a população portuguesa à causa da Paz.

A vela é apenas um sinal e um instrumento que facilita a partilha de bens com os mais pobres, porque enquanto persistirem tantas e tão graves desigualdades no mundo, não haverá paz na terra mesmo para “os homens de boa vontade”.

«10 Milhões de estrelas – um gesto de Paz» desenvolve-se em gestos concretos, colectivos ou de cariz familiar, que dêem visibilidade à esperança de um mundo mais justo, mais solidário e mais pacífico.

Assim, na noite de Natal, todos os que partilham estes valores são convidados a fazer brilhar as janelas e varandas das suas casas com velas acesas. Pelas cidades, vilas e lugares, milhares de velas vão aquecer a noite, como sinal da mesma esperança e do mesmo compromisso pela sua construção.

Das verbas recolhidas pela Operação 10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz 2007, 30% destinam-se a apoiar um projecto da Cáritas de Angola, direccionado para as mulheres em situação de risco. Os restantes 70% serão canalizados por cada uma das Cáritas Diocesanas para projectos nacionais.

A Cáritas Diocesana do Algarve, utilizará essa verb para a construção do Lar da Mãe, uma valência que pretende acolher mulheres grávidas que querem ter os seus filhos e não têm condições para tal, muitas delas abandonadas pelas famílias e vítimas de maus-tratos por parte dos companheiros.

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Quarta-feira, Novembro 28, 2007

A agonia do pequeno comércio


por Fernando Reis (professor e director do Jornal do Algarve)

Um pouco por todo o Algarve, as pequenas lojas e outros espaços onde ainda se pratica o comércio tradicional vão resistindo, como podem e com a ajuda dos respectivos municípios, perante a proliferação dos grandes espaços comerciais, chamem-se eles, hiper, forum ou centro, numa luta desigual em que o consumidor acaba por cair, inevitavelmente, no engodo do mais barato, não resistindo ao apelo dessas catedrais do consumo, ainda que acabe por comprar, quase sempre, mais do que o que desejaria.

Ao longo de quase duas décadas, desde que foi inaugurado, pela mão da Sonae, o primeiro centro comercial no Algarve, o número de grandes superfícies comerciais cresceu de forma tão rápida, que hoje já são mais de oitenta, transformando o Algarve num autêntico “El Dorado” do grande consumo.

E enquanto o pequeno comércio tenta resistir a esses Golias do consumismo moderno, perspectiva-se um futuro ainda mais negro para o sector do comércio tradicional, com a abertura de mais algumas dezenas de grandes superfícies nos próximos anos. Convém lembrar que os respectivos projectos já estão autorizados. Com um problema acrescido.

No Algarve, a situação é muito mais grave que no resto do país. Enquanto a média nacional de área comercial é de 161 metros quadrados por cada mil habitantes e a europeia de 196, em Portimão e Albufeira é de 2595 e 2455 metros quadrados por mil habitantes, em Lagoa de 625, em Lagos de 540 e em Silves de 335. Se a este quadro, juntarmos o facto de o consumidor algarvio ser frequentador das grandes superfícies de Cartaia, Huelva e Sevilha e, mais recentemente, do Plaza de Ayamonte, prevendo-se aqui, também para breve, a abertura de um Corte Inglês, a situação torna-se, ainda, mais preocupante.

Apesar de haver uma lógica de mercado subjacente a este crescimento das grandes superfícies, que agrada ao próprio consumidor e gera postos de trabalho. O reverso da medalha traduz-se no encerramento das pequenas lojas, com as consequentes falências e despedimentos. Todos os anos fecham as portas mais de 200 estabelecimentos de comércio tradicional, numa torrente, até agora, imparável.

E como já anteriormente escrevemos, a propósito deste drama."Não são, apenas, as falências e o desemprego que estão em causa. É também parte da nossa identidade que se vai perdendo com o fim das tradições, absorvida pelo capital sem rosto das grandes multinacionais.

Será que podemos ansiar por outro destino que não seja o de nos transformarmos – o país - cada vez mais num enorme hipermercado de uma Europa que só nos quer como consumidores dos seus produtos? Porque será que quando se fala na possibilidade de uma regulação racional do número de grandes superfícies, há logo quem argumente que essa deve ser ditada pelo próprio mercado? Regulação, se calhar, só mesmo, quando esses grande mega espaços se comerem uns aos outros e o país estiver de "tanga".

NOTA: Os comentários de Fernando Reis são emitidos todas as quartas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Sexta-feira, Novembro 23, 2007

Visita “Ad Limina” dos Bispos Portugueses


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

Decorreu de 3 a 12 de Novembro a Visita “Ad Limina” dos Bispos portugueses a Roma.

Quando recebeu os srs Bispos, o Papa Bento XVI, já tinha na sua posse os relatórios das diferentes dioceses que previamente estudou.

A realidade da Igreja Católica em Portugal, levou o Santo Padre a “intuir as carências, ansiedades e insatisfações”. Verificou a “maré crescente de cristãos não praticantes”.

No intuito de ajudar a resolver estes problemas, o Papa alertou os Bispos para que estudassem a “eficácia dos percursos de iniciação catequética, em virtude do contexto difícil em que os jovens são permanentemente confrontados com outros apelos”.

Sugeriu ainda uma formação permanente dos cristãos e uma mudança no “estilo de organização das comunidades paroquiais”, bem como uma nova “mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II”.

Alertou para a corresponsabilidade na missão, clarificadas as funções do clero e dos leigos. Os sacerdotes alegando falta de formação dos leigos, acabam por centralizar tarefas que os afastam do que é inerente ao seu múnus.

O Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, recebido juntamente com o seu antecessor, considera estas e outras indicações do Santo Padre, muito oportunas.

Afirmou: “Vejo nos apelos do Papa a confirmação do percurso que D. Manuel Madureira imprimiu à nossa diocese e que temos vindo a incrementar. A pastoral tem que se apoiar sempre mais na comunidade cristã. É nela que se torna urgente suscitar e alimentar uma tomada de consciência mais viva sobre a responsabilidade que todos - leigos, sacerdotes e consagrados - têm na comunhão e na missão da Igreja. A comunidade vive a mesma vocação (à santidade), edifica-se pela celebração dos sacramentos, exprime-se na multiplicidade dos ministérios, participa da mesma missão da Igreja: anunciar o Evangelho de Jesus Cristo”.

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Quinta-feira, Novembro 22, 2007

Demitam-se!

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

Com a demissão dos chefes de equipa da área médica e do director das urgências no Hospital Distrital de Faro fica posta em causa a governabilidade daquela unidade de saúde por parte de actual administração.

A situação criada com a carta colectiva de demissão dos médicos não foi devidamente analisada, limitando-se a presidente da administração, na altura, a apelidar os médicos de «amigos», e como somos todos «amigos», isso não passava de um simples arrufo de gente que se conhece.

Houve uma displicência em relação à tomada de posição dos médicos, por parte de quem acredita que a sua realidade é mais real do que aquela que se encontra no lado oposto.

Para os responsáveis, tudo isto parece normal, dentro da anormalidade que é o momento presente no Hospital de Faro. O entupimento das urgências e outras anomalias no hospital não são de ontem, mas foram-se acumulando e o saco acabou por rebentar.

O que nos parece contraditório, em todo este processo, é a cumplicidade que reina entre a tutela e a administração do Hospital que, no mínimo e com coerência, perante a forma como foi posta em causa, se devia demitir ou ser demitida.

Ao que parece nada disto acontecerá. Há como que um pacto, onde se colocam os valores numa prateleira, porque o importante é o tacho que se usa para regalia pessoal, e quem quiser que retire a tampa.

Os responsáveis têm que compreender não ser possível encontrar equilíbrios e estabelecer pontos de entendimento com a actual administração, posta à prova e que nada modificou, antes contribuiu para o agravamento e o consequente pedido individual de demissão, exigido que foi pela própria tutela para tornar prática a posição assumida colectivamente.

Podem apontar todas as causas técnicas que entenderem, as deficiências herdadas de um passado remoto ou recente, anunciarem as medidas paliativas e obras de fundo, mas o resultado final está desde há muito estabelecido – os médicos não acreditam nos actuais gestores.

Sendo a saúde um sector melindroso, onde se compreende que não devam existir radicalismos, porque tais posições acabam por se reflectir nos cuidados a prestar aos doentes, é de todo aconselhável uma abertura de diálogo permanente entre as administrações e os técnicos.

Em Faro, terão sido feitas, já depois das demissões entregues, duas reuniões para avaliar o estado do hospital, coisa que, acaba por se concluir, deveria ter sido feito há muito tempo. Não teve lugar o diálogo e o confronto das partes e acabou por chegar-se ao momento da ruptura.

Perante o extremar de posições, é de concluir que a administração não soube encontrar caminhos para resolver os problemas, como é de todo aconselhável no sector da saúde, e deixou andar a carruagem até ao descarrilamento.

Há responsáveis, e se os há, corporizados na administração, esta deve colocar o seu lugar à disposição da tutela, como forma de libertar o responsável político que deu o aval aos actuais administradores, para que possa assumir uma posição de renovação do actual elenco ou, o que seria de todo inconcebível, dar-lhes nova confiança.

É preciso clarificar, para que haja alguma transparência.

Pelo desenrolar do processo, com os médicos na fase de diálogo com a directora clínica e a administração, prometendo aqueles apresentar a lista das necessidades e estes a garantia de sanear tudo muito rapidamente, entramos no carrossel das frases feitas, das afirmações ambíguas, das estatísticas amanhadas por conveniência.

No meio do turbilhão, são metidas as pessoas numa urgência a rebentar pelas costuras.

O pacto de cumplicidade entre a tutela e a actual administração do Hospital Distrital de Faro, que pretende passar a empresa pública, como forma de ter um novo estatuto de gestão, para o bem e para o mal, já que pode entrar em concorrência (como se o Estado não tivesse obrigação para com os seus concidadãos) libertando os critérios de taxas a cobrar, a contratação de médicos, etc., parece ser a estrelinha que vai resolver todas as maleitas, apesar de se acrescentar que só para 2012 (acredite quem quiser) quando estiver concluído o Hospital Central do Parque das Cidades, a estabilidade de funcionamento será encontrada.

A realidade nua e crua do Hospital Distrital de Faro é corporizada pela posição assumida pelos médicos ao se demitirem. Por mais truques e análises técnicas que se façam, esta atitude não pode ser escamoteada, porque é o culminar de uma caminhada que não foi devidamente acompanhada pela administração, que não devia ter deixado chegar ao ponto a que chegou a posição dos médicos, com uma ameaça de demissão de forma colectiva.

Senhores da administração, demitam-se!

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Quarta-feira, Novembro 21, 2007

Somos cada vez menos


por Fernando Reis (professor e director do Jornal do Algarve)

Numa altura em que se comemora o Dia Universal da Criança (20 de Novembro), os números da mortalidade infantil continuam a ser dramáticos. Em todo o mundo morrem diariamente 27 mil crianças menores de cinco anos. Mortes que podiam ser evitáveis e que só acontecem pelo sub-desenvolvimento da maior partem dos países e muitas regiões, da África, Ásia e América. A cada 3,6 segundos morre uma pessoa por má nutrição e, na maioria dos casos, antes dos 5 anos. A malária mata um menor a cada 30 segundos e em 2006 mais de dois milhões de crianças tinha Sida.

Comparativamente com 1990, em que a mortalidade infantil se cifrou nos 13 milhões de crianças, a situação evoluiu positivamente, tendo-se registado em 2006 uma mortalidade infantil de 9,7 milhões. Ainda assim, um passo muito pequeno, para o progresso, 18 anos após a Aprovação dos Direitos da Criança (20 de Novembro de 1959). Estamos ainda longe, mesmo nos países desenvolvidos, de garantir que todas as crianças possam usufruir dos seus direitos, nomeadamente no acesso à saúde e à educação, sem esquecer a resolução de problemas como a exclusão social, os maustratos, a pedofilia e o trabalho infantil.

Contrariando uma certa tendência para encabeçar os piores rankings da União Europeia, Portugal apresenta, felizmente, em 2006, uma das menores taxas de mortalidade infantil da EU, 3,3 óbitos por cada mil nascimentos, que era de sete por cada mil entre os menores de cinco anos, em 2005.

Mas se em termos de mortalidade tudo vai bem, ao nível da natalidade voltamos a integrar a lista dos piores. Portugal regista a taxa de natalidade mais baixa da UE. Apenas 1,36 crianças por mulher em idade fértil. Isto é, três vezes menos do que em 1935. Subjacente a este fenómeno estão condições sociais cada vez mais adversas para as famílias e para a mulher, em particular, que a leva a retardar a natalidade até conseguir a estabilidade profissional. Enquanto em 1987 as mulheres tinham os filhos antes dos 30 anos, nove anos depois, a maioria dos nascimentos verifica-se no grupo dos 30 aos 34 anos. O primeiro filho deixou de surgir aos 26,8 anos para passar a ser aos 29,9 anos.

Alertam alguns especialistas que, com a actual taxa de natalidade, não se faz a renovação das gerações, que só é possível com 2,1 crianças por mulher e que, deste modo, Portugal corre o sério risco de desaparecer.

De facto, dificilmente se convencem as famílias a terem mais filhos no quadro de dificuldades económicas e sociais que o nosso país atravessa actualmente. Tanto mais que, ao invés de um maior apoio à família, as novas políticas neoliberais promovem uma crescente instabilidade do emprego, maiores restrições no acesso à saúde por parte da população e dificuldade em arranjar emprego, por parte dos jovens.

Só com uma nova visão da função do Estado, capaz de promover o equilíbrio das contas públicas e o progresso económico, ao mesmo tempo que assegura o bem-estar social, será possível sermos cada vez mais.

NOTA: Os comentários de Fernando Reis são emitidos todas as quartas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Terça-feira, Novembro 20, 2007

“PORTUGAL, O ALGARVE E O MAR” E O QUE REALMENTE PRECISAMOS

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

Neste congresso do Algarve falou-se de muita coisa mas uma, dada a circunstância, tem particular relevo – a questão do mar. Gostei de ver o meu amigo João Guerreiro explicar detalhadamente como era o mar para o Algarve – antes de chegar este império da praia e do trabalhar para o bronze – e como era decisiva e estratégica a importância do mar para o Algarve. E como temos agora que re-descobrir isso…

Outro orador do painel, Adriano Moreira, explicou como «Portugal pode perder o controlo da ZEE se não souber exercer os seus direitos». Ou seja, se não tiver os meios e instrumentos para se impor…

“Não há direitos sem as necessárias capacidades efectivas de os exercer, e há sinais de que isso pode acontecer na Zona Económica Exclusiva». Adriano Moreira recordou, a propósito, o episódio do Mapa Cor-de-Rosa no século XIX: «nessa altura as potências europeias retiraram-nos territórios africanos que não controlávamos, nem tínhamos possibilidade de controlar. Parece que o mesmo poderá acontecer em relação aos Oceanos, se Portugal não for capaz de exercer de uma forma efectiva o controlo da imensa área que nos está entregue».

O velho ministro das colónias de Salazar, na sua velha linguagem muito católica e romana, achou ainda que “vivemos na teologia do mercado” e que nos esquecemos que “não há países que sobrevivam sem conceito estratégico, e Portugal deixou de o ter desde 1974”, sendo muito cáustico em relação à história recente portuguesa. Frisou que a opção da continentalidade versus maritimidade pode ser fatal se Portugal não souber tirar lições da sua história e citou Lusíadas para mostrar como «os Descobrimentos portugueses foram estrategicamente pensados, executados, e são um modelo de conceito estratégico nacional, curiosamente, já na altura compatível com a Unidade Europeia».

Adriano Moreira acerta no diagnóstico mas não tem receitas para salvar o doente... Conversa desta não nos leva longe. Não nos leva mesmo a lado nenhum!

E quanto a não haver, desde 74, conceito estratégico, um dos responsáveis disso é precisamente ele, Adriano Moreira, e outros da sua geração. Pelo que fizeram antes do 25 de Abril e pelo que não fizeram depois, nestes últimos trinta e poucos anos… E, como agora se vê, continuam a não ter nada a dizer sobre o que há a fazer! Explicar assim só “explica” quem não sabe fazer!

Para já há nisto uma evidência: precisamos de uma Marinha que ocupe e defenda o nosso vasto mar e precisamos de saber construí-la, ganhar com isso tecnologia e postos de trabalho, aumentar as exportações e aumentar o nosso poder negocial com os aliados e impor respeito a gulosos e outros mal intencionados. E saber construir à volta desse projecto um cluster do mar, uma das poucas coisas que podemos fazer com vantagens económicas em tempos de economia global e de a Europa precisa… Ou seja, como Adriano Moreira não disse: precisamos duplamente de uma Marinha que nos defenda o mar e seja base de desenvolvimento económico sustentado.

João Guerreiro bem que pode criar um grupo pluridisciplinar – com biólogos, geo-economistas, geo-políticos e engenheiros e etc. -para fazer os trabalhos de “Inteligência Económica” necessários ao desenvolvimento do cluster do mar. Pode até começar por convidar Félix Ribeiro – que é talvez quem melhor conhece este problema – ou o algarvio André Magrinho para uns seminários sobre o tema na Universidade do Algarve.

Para sairmos da lamechice e das queixas e começarmos a fazer alguma coisa do que precisamos… E precisamos urgentemente!

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Sexta-feira, Novembro 16, 2007

Rede de Cuidados Continuados


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

Uma sociedade que não ama nem respeita os seus mais velhos é uma sociedade desumanizada, sem alma e sem futuro.

Nada do que nós desfrutamos chegou até nós por acaso. O que nos foi chegando e perdura é, frequentemente, mais fruto do trabalho, da dedicação, do amor, com muitos sacrifícios e lutas pelo meio, daqueles que nos precederam, que do nosso trabalho e engenho pessoal.

Saborear a alegria de viver, ainda que com as limitações que a idade impõe, não é possível sem se estar rodeado de um ambiente de amor e gratidão, de apreço e estima.

Na recta final da vida, já muita coisa se dispensa, não o sentir-se amado e acarinhado.

Assim, regozijo-me hoje com uma iniciativa política merecedora de apreço.

Trata-se da prioridade que o Governo, através dos Ministérios da Saúde e do Trabalho e Solidariedade Social, está a dar à criação de uma Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados às pessoas em situação de grande dependência.

É importante que estes nossos concidadãos se sintam apoiados pelos profissionais de saúde, num processo que envolva as famílias, proporcionando bem-estar e o sentimento de que não estão abandonados.

Que esta medida não discrimine ninguém por motivos financeiros e que se articule com as diversas soluções de apoio social promovidas pelos profissionais das Instituições Particulares de Solidariedade Social.

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Quinta-feira, Novembro 15, 2007

Transparência

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

O nosso Estado democrático tem vindo a ser moldado, ao longo destes 30 e poucos anos, àquilo a que se pode chamar de democracia musculada. Isto é, em muitos casos, não é carne, nem é peixe.

Podíamos falar em milhentos exemplos, desde a tentativa de amordaçar a liberdade de informar, até aos últimos e recentes acontecimentos de visitas a Sindicatos por parte das forças policiais, para não mencionar as escutas telefónicas a que todos estamos sujeitos.

Há medo na sociedade portuguesa. Um medo que começa a crescer, pela repressão imposta a muitos níveis.

Somos defensores do diálogo, da prevenção e da educação, como forma de construir a cidadania e motivar os cidadãos para a solidariedade e a subsidiariedade.

Diálogo é cada vez menor – pagas e depois reclamas, e, mesmo assim, talvez tenhas uma surpresa, mesmo com a razão do lado de quem reclamou; prevenção é a forma mais honesta de construir uma sociedade equilibrada, chamando a atenção para os verdadeiros valores e para os direitos e deveres; por fim, a educação, onde é necessário existir uma escola assente em bons pilares, capaz de moldar elementos, com capacidade de análise e intervenção no dia a dia, na base da verdade, da honestidade e no respeito mútuo.

Para existir este equilíbrio, é importante, que haja transparência. E é aqui que começa o busílis da questão portuguesa. Vivemos numa sociedade onde a verdade, em muitas situações, é completamente adulterada, porque muitos intervenientes são manipulados pelos lóbis e vendem-se por mais uns dinheiros, salvaguardando, desta forma, uma reforma ou um emprego.

Comecemos por questionar os deputados da Nação: quantos dos que estão no hemiciclo recebem avenças de grupos económicos?

Era importante, para transparência do poder político, que fosse publicada de forma discriminada as verbas arrecadas por cada deputado, e saber-se dos seus interesses com este e aquele grupo.

Que se perceba que estamos a levantar uma questão, não há indicação de quem quer que seja, mas para sossego dos eleitores era bom que a clarificação deste assunto fosse feita. Quem não deve, não teme.

Outra pergunta que deve ter resposta é sabermos se os arquitectos e engenheiros na administração pública estão directa ou indirectamente ligados a gabinetes exteriores. Isto é, se fazem projectos e mandam outros assinar, passando por eles o seu deferimento.

A história que vamos contar é pura coincidência, se tiver alguma relação com casos passados ou que aconteçam no presente… Um serviço público recebia projectos para avaliação e consequente financiamento, só que uma grande parte deles chumbavam, recebendo o proponente a recomendação de que havia em Lisboa um gabinete que dava o tratamento adequado para a sua aprovação.

No gabinete de Lisboa, quem lá estava era a mulher do homem que chumbava o projecto.
Uma situação que recentemente foi notícia no Porto, mas passa-se também noutras localidades, diz respeito à autorização para construir varandas e janelas, junto à extrema de um prédio ou de um terreno, o mesmo será concluir, ocupar a propriedade alheia com benefícios próprios a que não se tem direito.

No Porto, o Tribunal, e bem, mandou demolir as varandas. O problema é saber quem foram os responsáveis pela aprovação de uma ilegalidade e quem passou licenças de construção.

No topo da pirâmide está o poder político a assumir e a dar a cara pela aprovação de projectos incorrectos, mas, em princípio, o mal vem dos pareceres técnicos mal fundamentados.

Logo, os responsáveis são os técnicos, que devem assumir todos os prejuízos que advenham dos pareceres emitidos.

O poder político não pode nem deve alinhar nestes atropelos, porque, a acontecer, obriga as pessoas a falar em corrupção. Não se entende que a aprovação de um projecto com ilegalidades não tenha um responsável declarado.

O poder político, sob pena de ser rotulado, pode considerar que foi enganado, mas tem que haver a punição do responsável e, nestes casos, sendo técnicos, as respectivas Ordens devem-lhes retirar a carteira profissional.

Porque um técnico não pode alegar desconhecimento das leis que regulam a sua actividade. Se as infringir é com conhecimento e deliberadamente. Há responsáveis, mas, na maioria dos casos, não há culpados.

Isto são exemplos, que até podem estar exagerados, mas são necessários para que se compreenda que a transparência, como norma de funcionamento, é muito importante num Estado de direito.

A transparência da vida pública deve começar nas relações do Estado com a sociedade. Para aplicarmos o princípio da qualidade de quem nada tem a esconder ao Estado, implica saber quem são os responsáveis, para que, em nome da justiça e da verdade, sejam responsabilizados.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Terça-feira, Novembro 13, 2007

Bem-vindo sejas, José

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

A política parece estar de volta ao PS Algarve. Depois de meses, sem posições políticas sobre os assuntos importantes, o PS Algarve, pela voz de José Apolinário, manda dizer que está vivo e actuante. De facto, nos últimos anos, este partido tão importante para o Algarve, oscilou a sua actividade entre as sessões de estudo e uma posição muito de funcionário.

As sessões de estudo são importantes para a formação dos militantes – se forem bem desenhadas e executadas a contendo. Mas um partido político não é um grupo de estudos… Tem de falar para fora. De tomar posições. Políticas.

Um partido político tão pouco é um grupo de gente colocada no aparelho de estado e dirigido por um funcionário. Ademais a funcionar em Bruxelas.

O PS Algarve, perdido nisto, perdeu posições, perdeu a voz e perdeu o rosto. Tornou-se um equívoco político.

Talvez por estar farto de isto, deste equívoco, Apolinário decidiu falar e demolir a posição de Macário Correia… Em boa hora o fez. Bem-vindo sejas, José.

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Sexta-feira, Novembro 09, 2007

Sinistralidade nas estradas


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

O tema da sinistralidade nas estradas é oportuno perante a tristeza que a todos causou o desastre que vitimou 15 pessoas na A23, bem como os atropelamentos ocorridos na semana que agora termina.

As estradas não podem continuar a ser lugar de tantas tragédias. Em muitas ocasiões os acidentes não são fruto do acaso ou do destino.

Elas ocorrem, frequentemente, porque cada um de nós julga que os problemas surgem apenas por culpa dos outros. Reduzir a sinistralidade rodoviária é, por isso, uma tarefa de todos.

Uma tarefa que, desde logo, impõe que não se deixe passar sem reprovação as múltiplas e generalizadas conduções de risco e que se altere o entendimento comum de que, nas estradas, tudo se pode fazer.

Para diminuir a sinistralidade rodoviária é também necessária uma cuidada sinalização e uma boa manutenção das vias.

Ninguém, obviamente, está livre de ter um azar que origine um acidente. Mas é preciso dizer que são demasiados os que, imprevidentemente, abusam da sorte.

É preciso agir de um modo diferente.

Ficam alguns conselhos aos condutores:

- Evite a velocidade excessivas e manobras perigosas;

- Não conduza sob o efeito do álcool ou substancias psicotrópicas;

- Não use o telemóvel enquanto conduz, nem ouça música em volume elevado;

- Respeite e use as regras de ultrapassagem;

- Respeite os direitos dos peões nas passadeiras.

Não esqueça que sem consciência cívica, sem respeito pelos outros, sem uma mudança de mentalidades, não há leis nem mecanismos possíveis que possam alterar o actual estado da situação

Nas suas regras, restrições e constrangimentos, o código da estrada favorece o respeito pelo outro e a sua própria liberdade.


NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Quinta-feira, Novembro 08, 2007

Com a saúde não se brinca

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

A saúde dos portugueses está acima das tricas partidárias. Ninguém tem o direito de a utilizar para fazer chicana política, sob pena de estar a cometer um crime contra a sociedade.

Entenderam os socialistas que a demissão dos dezanove médicos no Hospital de Faro foi uma «encenação», que acontece ciclicamente, passando, desta forma, um atestado de menoridade aos clínicos, apelidando-os de actores manipuláveis.

É que, deram a entender os deputados socialistas algarvios, os médicos demissionários estariam a ser instrumentalizados pelas eleições para o Ordem ou pelos partidos políticos da oposição.

O Partido Socialista descredibilizou os médicos e quer transformar uma questão técnica e de infra-estruturas numa luta político-partidária. Desde há muito tempo que os socialistas não toleram a intervenção de Macário Correia (presidente da AMAL e da Câmara de Tavira) na vida política regional.

O presidente da Câmara de Faro José Apolinário, numa acção política e de tentativa de branqueamento da situação que se vive no Hospital, reuniu-se no domingo com a administração.

E foi ver as televisões filmarem um médico oftalmologista a trabalhar ao domingo, que teceu elogios à situação, dando-se ao luxo de dizer que os doentes não precisam de ir para Cuba…

Lógico, desde que as listas de espera não ultrapassem largos meses ou mesmo anos. Uma pergunta que nunca foi respondida: quanto estão a ganhar os médicos vindos de Coimbra para encenarem, ao domingo e para a televisão, que no Hospital de Faro as coisas até estão bem?

O político José Apolinário virou-se contra a reacção de Macário Correia, porque este utilizou a AMAL para colocar o dedo na ferida, e, como as suas reacções são transmitidas a nível nacional e regional, incomodam.

Macário foi eleito presidente da Junta Metropolitana, por maioria, e, como tal, deve e tem o direito de intervir em tudo o que diga respeito à região. Em todas as áreas.

Pode ou não gostar-se do que ele diga, esse é um assunto que dirá respeito a cada pessoa, mas não se lhe pode retirar o cargo de presidente da AMAL e proibi-lo de falar nessa condição.

José Apolinário, ao tentar branquear a situação do Hospital de Faro, fez um mau trabalho em nome dos seus munícipes, enquanto presidente da Câmara. Como militante socialista foi defender o seu partido e o seu Governo.

Mesmo assim, como pessoa, e porque as pessoas estão primeiro, os partidos não se podem sobrepor ao povo algarvio. Querer negar que as coisas estão mal no Hospital de Faro é lançar uma mentira e relegar para um plano secundário os doentes. Infelizmente, o poder, as mordomias e as promessas baralham a racionalidade dos homens e mulheres.

A falta de coragem política e humana para analisar o cerne da questão leva alguns responsáveis socialistas, eles sim, a transformarem-se em correias de transmissão do Governo, mesmo sabendo que um paciente morreu numa maca porque não lhe foi feito um tac para elaboração do diagnóstico clínico, visto que o dito Hospital Central/Distrital não os efectua durante a noite.

Daí que o médico responsável por aquele doente tenha sido constituído arguido pelo Ministério Público. Esta foi a gota de água. Os médicos, a partir de agora, começam a ser responsabilizados e vão responder na barra do Tribunal, o que aquela classe não aceita. Exigem, por isso, condições de trabalho nas urgências.

Afirmar que a situação da urgência, neste momento, é igual há de um ano, é reconhecer que as coisas não estão bem.

Se os médicos só agora se manifestaram, uma das razões tem a ver com acontecimentos recentes. Outra talvez seja porque a administração lhes foi prometendo que o problema ia ser resolvido.

As urgências, depois do fecho dos SAP, entupiram, por muito que se manipule os números e se faça a sua extrapolação para as especialidades, retirando a carga à urgência geral. Passaram todos por lá, antes de serem reencaminhados. A Administração Regional de Saúde e a do Hospital negam esse aumento, mas os médicos confirmam.

Em quem devemos acreditar? Em quem joga com os números, ou nos que estão no dia a dia em contacto com essa realidade? Porque será que a esmagadora maioria dos utentes não dá nota positiva às urgências deste hospital, como de qualquer outro?

O Partido Socialista percebeu que o estado de graça acabou. O alerta veio da manifestação de 200 mil pessoas em Lisboa. Dos resultados das sondagens. Vale tudo para se manter à tona da água.

Até a mentira e a hipocrisia, mesmo que se veja e saiba existir gente a morrer nas macas atiradas nos corredores dos hospitais.

Amanhã o PS será oposição e vai reagir da mesma forma que os outros partidos reagem quando não estão no poder. A descredibilização da política é feita pelos políticos.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Quarta-feira, Novembro 07, 2007

Saúde e política


por Fernando Reis (professor e director do Jornal do Algarve)

Dezanove médicos do Hospital Distrital de Faro demitiram-se das chefias das urgências, alegando falta de condições para assistir os doentes que chegam aos respectivos serviços. Os responsáveis tentam desvalorizar o caso, enquanto o PS-Algarve fala de demissões com contornos políticos, no contexto da actual disputa eleitoral para a direcção da Ordem dos Médicos.

É bem possível que acha alguma dose de razão nas razões de uns e outros, mas aos olhos dos algarvios, principalmente dos que se vêem obrigados a recorrer ao Hospital de Faro, salvo algumas raras excepções, a assistência prestada aos doentes, particularmente aos que entram nas urgências, deixa muito a desejar. Mais por culpa do entupimento dos serviços, com doentes espalhados pelos corredores deitados em macas ou sentados horas a fio em cadeiras de rodas e pelo risco acrescido de doenças resultantes das múltiplas bactérias que por ali proliferam, encontrando terreno fértil para o contágio de quem ali tem o azar de ter que recorrer, do que pela falta de competência dos médicos.

Ora se os utentes sofrem na pele com a falta de condições daqueles serviços, a que importa somar as listas de espera para certas cirurgias - o caso das operações às cataratas é paradigmático – os profissionais de saúde que ali trabalham, médicos e enfermeiros, sofrem o stress, a impotência e a frustração de pouco ou nada poderem fazer para obviarem a grave situação que se lhes depara. Com o agravante de serem, quase sempre, os primeiros a serem responsabilizados quando as coisas não correm bem para o lado do doente, nem sequer servindo de atenuante as urgências consecutivas que por vezes são obrigados a fazer para suprir as carências dos serviços.

Do esgrimir de argumentos entre as partes sobressai, de facto, a componente política. Na verdade, um dos grandes obstáculos à resolução dos problemas da saúde tem residido na circunstância de a melhoria do sector não ser encarada como um desígnio nacional, acima de qualquer interesse – político, económico ou de qualquer outra natureza – mas de terreno de luta política, em que muitas vezes o Governo e o ministro têm que desfazer o que outros fizeram em nome de uma ideologia, de um programa ou de um objectivo político.

Será que alguém, consciente das dificuldades de resposta do sistema público de saúde e atento aos sucessivos adiamentos na construção de um novo Hospital Central e do desinvestimento da administração central na área da saúde, pode ignorar este protesto dos médicos? O que é visível para a opinião pública é que há uma tendência acentuada para acabar com o Serviço Nacional de Saúde, a pretexto de doutrinas neoliberais que acham que ninguém tem direito aos serviços públicos de saúde sem pagar, mesmo quando já é o contribuinte que paga, através de descontos, taxas e impostos, esse serviço.

O Governo tem razão quando quer pôr termo ao parasitismo dos que se querem aproveitar do sistema, mas o Estado tem uma obrigação social da qual não se deve demitir. E o que parece estar no horizonte é o fim do Estado Social. Depois de mais de 30 anos de democracia, recusamo-nos a aceitar que a saúde seja só para os que têm dinheiro.

NOTA: Os comentários de Fernando Reis são emitidos todas as quartas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Terça-feira, Novembro 06, 2007

A Crise do Hospital e a Politiquice Politiqueira

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

A crise do hospital de Faro desencadeou uma tempestade num copo de água… Macário Correia criticou a situação e aparentemente fê-lo de um modo ambíguo e pouco cuidado. José Apolinário aproveitou a deixa e fez uma crítica cerrada às ambiguidades de Macário Correia.

Apolinário não admite – e bem – que Macário use a sua posição de presidente da AMAL para para fazer política partidária. “A AMAL – diz Apolinário – não é um órgão do PSD e Macário não pode usar desta posição para assumir posições que a AMAL não discutiu democraticamente”. O presidente da câmara de Faro tem razão, como é óbvio. E as declarações de Macário, por muito que ele agora se explique, ficam irremediavelmente prejudicadas… Para a próxima, é conveniente que Macário não seja ambíguo, não jogue nas ambiguidades, clarifique a sua posição e seja claro no que diz.

Mas a moral desta estória é outra. É a incapacidade dos políticos algarvios de se entenderem na defesa dos interesses do Algarve. Porque se é verdade que Apolinário tem razão e se é verdade que Macário não devia ter usado a crise do Hospital de Faro para política politiqueira, também é verdade que enquanto for assim não há política, com P grande, para defender os algarvios… E neste cenário todas as crises são possíveis no hospital de Faro ou em qualquer outro lado sem que o Algarve se saiba defender!

E – deixem-me que vos diga – não é com a regionalização que se resolve esta incapacidade dos políticos algarvios de fazer política a sério e defender o Algarve… Pelo contrário, a regionalização só virá agravar esta politiquice. Portanto, mais do que regionalizações, o que precisamos realmente é de gente capaz!

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Sexta-feira, Novembro 02, 2007

Todos os Santos e Fiéis Defuntos


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

Celebra-se nestes primeiros dois dias do mês de Novembro, a Solenidade de Todos os Santos e a Comemoração dos Fiéis Defuntos.

Muitas pessoas imaginam que se trata de uma única celebração em dois dias consecutivos. No entanto, não é assim, embora cada um destes dias tenha muito em comum.

Passo a explicar:

Peregrinos sobre a terra, festejamos, logo no primeiro dia do mês, a certeza de que muitos, conhecidos nossos ou não, de agora como de sempre, responderam ao convite de Deus à santidade; percorreram o seu caminho num esforço alegre de O amar com todo o coração, transformando esse amor em dedicação ao próximo, indiferentes a dificuldades e provações. Agora participam da vida em plenitude. A “comunhão dos santos”, que professamos na fé, garante-nos que a sua solicitude fraterna é um apoio a nós, que ainda estamos em caminho.

Logo depois, digamos que invertemos as posições, para nos colocarmos nós em atitude de fraternal ajuda a quantos “nos precederam com o sinal da fé e dormem o sono da paz”. Na verdade, seguros de que a pedra do túmulo não é a última palavra sobre a nossa existência, de que “a vida não acaba, apenas se transforma”, apoiando-nos na fé, como resposta à ansiedade de vencer este mistério de silêncio, que é a morte, seguros na certeza da ressurreição de Cristo, exercitamos a mesma “comunhão de santos, rezando por todos, unindo-nos a todos, para além desse drama da morte. Se assim não fosse, seria vã toda a pregação e vazia de fé. Mas, porque Cristo ressuscitou, temos a certeza de que podemos todos caminhar para o abraço eterno e feliz com Deus. E rezamos, para que aqueles que foram antes de nós, experimentem essa felicidade.

Olhemos para o mistério da morte não como a última palavra sobre o destino humano, mas como uma passagem para a Vida Eterna.

A morte é a transição entre a peregrinação terrestre e a pátria do Céu.

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Quinta-feira, Novembro 01, 2007

Responsáveis, não há

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

Começa a ser prática corrente na vida pública e na sociedade portuguesa que, perante situações mais anómalas, complicadas e prejudiciais ao país e à democracia, não haja responsáveis.

Quem deu a ordem aos polícias para entrarem na sede do Sindicato? Não se sabe. Quem colocou o acrescento ao tal artigo do Código Penal sobre o crime continuado? Não se sabe.

Porque razão a senhora, que está à frente da Casa Pia, afirma desconhecer os factos, quando a anterior lhe passou a pasta e as cartas? Porque não quer responsabilidades.

Os exemplos podem multiplicar-se e é um exercício que as pessoas devem começar a fazer – questionar, sempre, quem é o responsável ou responsáveis. Um nome, nomes, um rosto, rostos.

Os últimos e o actual Governo têm vivido sob o signo do défice. Depois, assiste-se ao jogo dos valores percentuais. Os anteriores estavam com um défice de 6 por cento, os actuais desceram para 3 por cento.

Passa tudo, segundo os entendidos, por uma questão de manipulação. Considerando, nos anteriores, as chamadas receitas extraordinárias, alcançadas, por exemplo, com a venda do património do Estado, o valor final é um, não o tendo em linha de conta, é outro.

Os políticos manipulam os números a seu belo prazer. Quem não é capaz de manipular é o povo – a vida, com o aumento dos impostos, cada vez está mais complicada.

Há aumentos diários nos produtos petrolíferos, nos empréstimos, na alimentação... pode escrever-se, em termos populares, que assistimos dia sim, dia sim, ao aumento do rol da mercearia.
Há responsáveis? Ninguém quer assumir.

A culpa é da crise mundial e da globalização. Nunca ouvimos nenhum político afirmar: «não sou capaz de parar esta avalanche de aumentos». Responsáveis são todos os outros.

Até o povo, a quem foram dadas oportunidades de contrair dívidas, no tempo das vacas gordas, esquecendo-se os responsáveis(?) de alertar que, um tempo de vacas magras vem sempre a seguir ao das gordas. Hoje, Portugal tem mais de dois milhões de pobres. É assustador.

No Governo do PSD, foram taxadas as off-shore com um imposto de 5 por cento. Quem decretou a medida pensou – vamos lixar os que querem fugir aos impostos.

É claro que, passados estes poucos anos, concluiu-se que não lixaram aqueles que pensaram em lixar, mas apenas lixaram o mexilhão. Hoje, há um ou outro que pagou os 5 por cento, o resto desapareceu.

O actual Governo, como a coisa não resultava e o pouco que entrava deixou de entrar, passou o imposto para 1 por cento. Mas o mal está feito. Para recuperar vão ser necessários mais uns anos, até que a confiança se reponha e os investidores acreditem que, afinal, isto não é a república das bananas.

Mandou-se aplicar uma lei de 1997, a propósito as camas paralelas e das habitações para fins turísticos, com a polícia a invadir as agências à procura da documentação que legalizasse as casas como sendo para aluguer a turistas. Foi um cataclismo.

A lei não tinha aplicação possível e quem a fez não seguiu um raciocínio lógico, daí que a maioria das habitações saiu do mercado e as complicações para quem quis legalizar eram muitas.

Há um responsável por este caos? Não há. Quem fez o mal, deve estar bem colocado. Não sendo possível aplicar a lei, há que modificá-la de acordo com a realidade.

Está a ser preparada, e já em ante-projecto, uma lei que passa a definir as tais camas paralelas como «alojamento local», sendo que o mesmo vai ser licenciado pelas Câmaras. Parece que é uma lei concebida com mais realismo.

Quem redige os diplomas legais, pensamos nós, fá-lo, muitas vezes, julgando que estes vão legalizar situações menos claras. Só que a sua concepção não se baseia na realidade, mas na imaginação de quem pensa que é dono da verdade.

Em conclusão – com as atitudes de repressão impostas, acabou-se com muitas habitações utilizadas no chamado mercado paralelo, mas, por arrastamento, desapareceram os jardineiros, os pedreiros, os canalizadores, os electricistas, etc.

Um montão de pequenas empresas que faziam girar a economia regional. Podem questionar – estavam legalizadas? Essa é outra questão desta problemática.

Ninguém gosta de viver em ditadura, e muito menos fiscal. Aliciar a sociedade para a participação, para os verdadeiros valores da cidadania, passa, em primeiro lugar, por reduzir a repressão e aplicar os conceitos de prevenção, de educação, de solidariedade, de subsidiariedade.

Quem se sente reprimido, e o povo sente isso na pele, não abre mão de fugir aos impostos, principalmente quando lhe aplicam a multa por ter trabalhado uma vida inteira para alcançar uma reforma e, agora, exigem que continue a pagar impostos como se fosse um trabalhador normal.

Há nomes e rostos responsáveis por todas estas situações? Não há. Tudo passa de uns para os outros, seja qual for o partido, mas sem nomes e responsáveis. Tudo é abstracto. Ninguém culpa ninguém, nominalmente. É o sistema, uma coisa que não tem rosto. Infelizmente.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Quarta-feira, Outubro 31, 2007

A propósito das alterações climáticas


por Fernando Reis (professor e director do Jornal do Algarve)

O “Verão” outonal que estamos a viver, com tempo seco e temperaturas anormalmente altas - muito acima da temperatura média para esta época – fazem-nos reflectir sobre as alterações climáticas que o chamado “efeito de estufa” tem vindo a provocar à escala planetária e o crescente risco de desertificação da Península Ibérica.

Há dias, no seu périplo por Espanha, depois de já o ter dito em Portugal, Al Gore sublinhou isso mesmo: pela sua localização geográfica, a grande massa de terra no seu interior, enquadrada por altas cadeias montanhosas e a crescente influência do ar quente proveniente do Norte de África, a Península Ibérica, sobretudo o interior sul – será a principal vítima do aquecimento global, que as emanações de CO2 têm alimentado. Apoiado em estatísticas, o ex-candidato à Casa Branca lembrou que os períodos de seca são cada vez mais amplos, com o intervalo entre as chuvas a passar de 50 para 60 dias e admitiu que o Verão possa prolongar-se por mais duas a cinco semanas, não se esquecendo de alertar para os riscos de extinção de espécies como a águia imperial e o lince ibérico. A invasão do Mediterrâneo por pragas de medusas e o aumento do número de incêndios florestais são outros indicadores de uma tragédia anunciada, que o Mundo tem obrigação de travar. Mas não são apenas estes os problemas que ameaçam a Península Ibérica, como consequência do aquecimento global, também corremos o risco do aparecimento de doenças tropicais, como o paludismo, a erosão do litoral e a alteração do regime de chuvas, com secas e cheias repentinas.

Há 20 anos, quando Al Gore iniciou a sua cruzada em defesa do Meio Ambiente, muitos não levaram a sério o alerta e, ainda hoje, há quem prefira enterrar a cabeça na areia como a avestruz, não se importando de deixar como legado um planeta em agonia.

O exemplo que aqui vamos deixar veio de Espanha, mas também podia vir dos EUA, que teimosamente se recusam a assinar o Protocolo de Quioto ou do nosso próprio país, onde continua a existir quem, por ignorância ou interesse próprio, rejeita o apocalipse climático. Mariano Rajoy, o líder do Partido Popular, falando em Maiorca, na mesma conferência em que Al Gore deu conta das suas preocupações, invocou, perante a incredulidade dos presentes, o testemunho de um primo, catedrático de Física em Sevilha, que uma vez lhe disse: “Se ninguém é capaz de garantir o tempo que vai fazer amanhã em Sevilha, como é que alguém pode dizer o que se passará no mundo daqui a 300 anos?”

É esta frivolidade do discurso político, que também existe em Portugal, que é preciso combater, se quisermos, efectivamente, lutar de forma séria e honesta contra o aquecimento global. Será que devemos escudar-nos em preconceitos político-ideológicos ou em interesses particulares quando está em causa a nossa própria sobrevivência? Infelizmente também o Algarve e o país não têm sido poupados à voragem desses interesseiros.

NOTA: Os comentários de Fernando Reis são emitidos todas as quartas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Terça-feira, Outubro 30, 2007

BOAS NOTÍCIAS PARA O ALGARVE

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

Há notícias boas para o Algarve… Notícias que mudam o habitual panorama da lamechice e do faz que anda mas não anda. Há notícias de que o Algarve pode mesmo estar a mudar. Senão vejamos:

Para Vilamoura anuncia-se um investimento de quase mil milhões de euros que vai criar lagos navegáveis com casas e hotéis e postos de amarração para barcos, o que permite captar um turismo de iates que até aqui nos estava a passar muito ao largo… Parece, pois, que o capital está a desembarcar no Algarve, com investimentos a sério. Finalmente, parece que vamos passar dos pequenos investimentos abimbalhados, sem capital e sem gosto, coisas pobretanas e feiosas, destinadas à especulação por empresas bimbas e, frequentemente, falidas. E isso, não nos esqueçamos, foi o grande responsável pela degradação do nosso Algarve nos anos 80 e 90. Agora, a confirmar-se este desembarque do capital, torna-se possível a recuperação e a requalificação que o Algarve precisa.

Mas há mais.

O Governo propõe, sob a forma de lei, uma solução que vai resolver o problema das camas ilegais no Algarve. Não será perfeita… mas é uma solução, num problema que se arrasta há décadas sem que ninguém o tivesse procurado resolver. E, desta vez, até há o bom senso de entregar a capacidade de regulamentar a coisa às autoridades locais, às assembleias municipais.

E mais ainda:

O Governo propõe-se resolver de vez o emaranhado legal e o horror burocrático que têm impedido o desenvolvimento do turismo e até – como aqui em tempo referimos – já levaram investidores ao suicídio. Acabar com essa trapalhada horrorosa e única no mundo, uma herança ainda da mentalidade salazarenta, é o que agora o governo de Sócrates está a fazer. Para bem de todos nós e do desenvolvimento do turismo de qualidade no Algarve e da criação de riqueza e de postos de trabalho.

Ou seja, vai acabar esta situação absurda em que as regras são tão complicadas que ninguém as aplica e em que não se consegue fazer um investimento porque falta sempre um papel ou o “ámen” de um funcionário qualquer, de um burocrata ou de um empata. Acabar com isto e criar regras claras e incentivadoras do investimento de qualidade é o que o Algarve há muita precisava… É o que o Governo está a concluir. Portanto, parabéns ao primeiro-ministro José Sócrates!

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Sexta-feira, Outubro 26, 2007

Eutanásia


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

Segundo um projecto de investigação desenvolvido pela Faculdade de Medicina do Porto, cerca de 50% dos idosos institucionalizados, ainda que não sofrendo de doenças crónicas ou terminais, admite a morte assistida e a sua legalização.

Os dados preliminares do inquérito afirma faltar perceber se isso reflecte uma vontade firme ou se é resultado da solidão e abandono que os leva a pensar na morte.

Num outro estudo anterior, cerca de 40% de médicos oncologistas, estariam disponíveis para a prática da eutanásia.

Quanto a este debate que estou certo ocorrerá na próxima legislatura, receio que não seja assente na brutal contradição que diz que a vida é inviolável (veja-se a Constituição Portuguesa) e o eliminar de uma vida porque esta se tornou incómoda.

A resposta a dar ao sofrimento no final da vida é uma atenção cheia de amor, o acompanhamento através da medicina paliativa e não uma ajuda para morrer.

Tomada como simples execução da morte de alguém para facilidade do próprio, ou de outros, a eutanásia choca-se em cheio com o Mandamento: “não matar”. Isto, mesmo que ela corresponda ao desejo da pessoa em questão.

Quanto às outras pessoas, o problema é bastante mais profundo. Vistas as situações com sinceridade, ressalta que, no fundo, o grande motivo é a libertação dos incómodos que elas causam. E deve reconhecer-se que se trata de egocentrismo feroz, tão típico do nosso tempo.

Devido aos actuais meios do prolongamento de vida, compreende-se que não faz sentido as terapias que consistem em manter as pessoas vivas, custe o que custar. Compreende-se igualmente que, não havendo razões de esperança de melhoras, será caso de optar pela chamada prestação de cuidados normais: alimentação, hidratação, suficiente bem-estar.

A perspectiva de se eliminarem as pessoas idosas ou muito doentes, causa bastante mal-estar e angústia.

As pessoas, no fundo, gostam de viver e têm direito à vida.

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Terça-feira, Outubro 23, 2007

ESCUTAS E ESQUIZOFRENIA LEGAL

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

Parece-me evidente, ou seja, vejo como uma evidência, que os telefones do sr. Procurador-Geral da República estão, como ele disse, sob escuta. Ou, dito de outro modo, que as suas chamadas serão certamente gravadas. Por quem, por quantas entidades e de que natureza é coisa que, obviamente, ignoro. Mas, em Portugal, qualquer “brigada de observação” estrangeira sempre funcionou muito à vontade… E é, igualmente, muito fácil, a partir do exterior das fronteiras portuguesas, escutar qualquer chamada em Portugal… Portanto, o sr. PGR, pelas funções que ocupa e pela informação a que tem acesso e com que lida, deve, muito naturalmente, ser escutado por uma série de gente que tem interesse em saber o que se passa em Portugal. Os telefones dele e os de muita gente que seja considerada de interesse por quem quer saber o que por cá realmente se passa… Recordo-me ainda de, há uns trinta anos, a embaixada da RDA ter adquirido um prédio muito alto no Alto do Pina para proceder a determinadas “tarefas revolucionárias”… Era, na altura, um segredo de polichinelo o que lá se passava. Era de tal ordem que ministros e primeiros-ministros, da altura, eram logo no início das suas funções instruídos sobre as formas práticas e expeditas de empastelar as escutas

O problema do sr. PGR e o de senhores como José Miguel Júdice, na sua reacção a este caso que lhe caiu como sopa no mel, é o de viverem num universo apenas constituído por leis e códigos e ignorarem soberbamente o mundo real, a sua evolução tecnológica e a banalização de aparelhos de capacidades quase ilimitadas… Quando chegarem ao mundo real, todos estes senhores, toda esta gente que vive numa espécie de universo paralelo, de livros e códigos, descobrirá uma realidade prática e tecnológica que nem imaginava! Esperemos que, então, percebam que têm de adequar as leis à realidade, se quiserem que a República Portuguesa tenha algum mecanismo de defesa… E que percebam que serão sempre escutados e que tudo o que podem fazer é regulamentar a prática dessas escutas, dentro da perspectiva da defesa da República e dos seus cidadãos. Ou seja, as escutas vieram, com a tecnologia, para ficar… “Habituem-se”, como diria o António Vitorino numa outra situação.

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Sexta-feira, Outubro 19, 2007

Erradicação da Pobreza


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

O Dia Internacional para a Erradicação da pobreza que ocorreu a 17 de Outubro é uma iniciativa criada por um padre católico em 1987 e que foi assumido pelas Nações Unidas em 1992.

A pobreza é um flagelo contra o qual a humanidade tem de lutar até à exaustão.

Hoje todos somos chamados a uma solidariedade cada vez maior para que nenhum cidadão seja excluído.

Neste sentido, cerca de vinte mil pessoas subscreveram uma petição contra a pobreza, entregue na Assembleia da República pela Comissão Nacional Justiça e Paz.

Os promotores desta iniciativa entendem que a pobreza “constitui uma grave negação dos Direitos Humanos fundamentais e das condições necessárias ao exercício da cidadania, situação que reputam eticamente condenável, politicamente inaceitável e cientificamente injustificável”.

Solicitam assim à Assembleia da República que estabeleça um limiar oficial de pobreza, em função do nível de rendimento nacional e das condições de vida padrão da nossa sociedade, “que sirva de referência obrigatória à definição e à avaliação das políticas públicas de erradicação da pobreza, bem como à fixação de prestações sociais”.

Segundo dados do Eurostat, no ano de 2005, a taxa de pobreza atingiu 20% da população portuguesa – 1 em cada 5 portugueses. Entre as populações mais vulneráveis, encontram-se a infantil e a idosa. Números que encerram “dramas pessoais e familiares”, reveladores do muito por fazer para a concretização do objectivo de erradicar a pobreza.

Passado o dia comemorativo há que passar do discurso à prática. Tomemos consciência de que os problemas da pobreza e exclusão social dizem respeito a todos nós.

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Quinta-feira, Outubro 18, 2007

Regionalização, é mentira

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

«A regionalização não é uma prioridade para os portugueses», afirmou Luís Filipe Menezes, no discurso de encerramento do XXX Congresso Nacional do PSD.

Para quem defendia, na sua moção de estratégia, no capítulo da «descentralização», assumir a regionalização sem preconceitos, aqui se mostra como, quando se obtém o poder, e Luís Filipe Menezes estava indigitado há pouco mais de quinze dias como futuro líder nacional dos social-democratas, se muda radicalmente o discurso, adaptando-o às circunstâncias, de forma a agradar a gregos e troianos, como se a um governante não assistisse o dever de se comprometer com aquilo que escreve ou afirma.

Quanto à questão da regionalização, ficámos entendidos – Luís Filipe Menezes defendeu e escreveu que o «PSD estará disponível para liderar este processo», mas, em abono da verdade, depois de ter recebido recados, nomeadamente de Manuela Ferreira Leite, resolveu inverter as prioridades.

Os portugueses já não anseiam pela regionalização, coisa que irá discutir com as bases e, porque não, como o próprio afirmou, esperar pela alteração da Constituição Portuguesa para evitar a simultaneidade.

Foi como que um recado para o seu vice-presidente Mendes Bota, pedindo-lhe desculpa por não assumir com coragem a descentralização, mas prometendo que o Algarve, se acabarem com a simultaneidade, será a primeira região a instituir no país.

Mendes Bota, líder regional dos social-democratas algarvios, tomou o partido de Luís Filipe Menezes nas eleições directas, mostrando-se seu apoiante desde sempre, porque ele era um regionalista, defensor da descentralização, ao contrário de Marques Mendes, opositor deste modelo administrativo para Portugal.

O que se constata, mais uma vez, é que na política não há compromissos e muito menos valores. Tão só assistimos à ânsia de ocupar o poder a todo o custo, dizendo agora uma coisa que agrada a quem a ouve, para a desdizer amanhã perante outra plateia.

De acordo com a manipulação, como se se tratasse de movimentar marionetas, assim se constrói o discurso, sempre na perspectiva de que o que passou passou, importa é o agora.

E porque não manipular o futuro de forma risonha, prometendo a criação de 150 mil postos de trabalho ou uma nova Constituição, num aceno aos que vêem no documento base da Nação um mal para o crescimento do país.

Luís Filipe Menezes afirmou, na sua moção de estratégia: «o PSD defende que as regiões administrativas poderão ter um papel muito importante na gestão e coordenação dos múltiplos órgãos descentralizados da administração pública, e no estímulo da competitividade criativa e positiva entre diferentes partes de Portugal, contribuindo assim para uma verdadeira coesão económica e social do país».

O líder do maior partido da oposição afirmou, mas não se mostrou coerente com este enunciado, porque os tais sulistas, elitistas e liberais lhe sopraram ao ouvido e, quem tem aquilo, tem medo.

Mais vale um pássaro na mão, que dois a voar.

Luís Filipe Menezes afirmou ao país que o estilo do PSD é de firmeza e esperança, mas, se em algumas coisas deixou transparecer ideias, noutras ficou aquém do desejado e até as retirou do seu discurso.

Começou a moldar a sua figura ao espectro político das elites social-democratas, para conseguir balançar-se entre uma esquerda e uma direita, sem ferir susceptibilidades.

É uma espécie de sopa onde se vai colocando os ingredientes de forma a ficar saborosa para que todos a possam papar.

Regionalização, como prioridade no PSD, é mentira. Há que encarar com frontalidade que Luís Filipe Menezes receou avançar com a descentralização, pegar na lei de Cavaco Silva e dar-lhe expressão na Assembleia da República.

Abriu-se aos autarcas, porque tem que contar com eles. A vida de Lisboa pode trazer-lhe contratempos e nada melhor do que se manter próximo das bases.

Fala num conclave nacional dos autarcas social-democratas, porque Luís Filipe Menezes precisa de ter alguma coisa palpável onde se agarrar. Sem grupo parlamentar, sem uma maioria no Comissão Política Nacional, resta-lhe a área onde se movimentou nos últimos anos - os autarcas.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Quarta-feira, Outubro 17, 2007

Os números da pobreza


por Fernando Reis (professor e director do Jornal do Algarve)

Portugal tinha em 2005, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), cerca de dois milhões de residentes em situação de risco de pobreza, o equivalente a 19 por cento da população.

Ainda assim, apesar da vergonha do número, resta-nos a consolação de termos registado menos um por cento que em 2004. Os idosos com mais de 65 anos e os menores de 16 anos registavam as taxas de pobreza relativa mais elevadas: 28 e 23 por cento, respectivamente. Isto é, enquadram-se no conjunto de habitantes com rendimentos mensais de pouco mais de 360 euros por mês.

"No contexto europeu, apenas somos superados pela Lituânia e a Polónia, com 21 por cento da população em risco, situando-se a média europeia nos 16 por cento". De acordo com os dados do INE, a taxa de risco de pobreza mais elevada era de 42 por cento (idosos vivendo sós e famílias com dois adultos e três ou mais crianças dependentes), sendo "o rendimento dos 20 por cento da população mais rica 6,9 vezes superior ao dos 20 por cento da população com menor rendimento".

Ou seja, uma gritante desigualdade social: apenas sete por cento do rendimento líquido das famílias, para os dois milhões de residentes com menos posses, contra 45 por cento para os dois milhões de residentes com mais riqueza. E não fora os rendimentos de pensões de reforma e sobrevivência e os números seriam bem maiores, colocando em situação de risco de pobreza 82 por cento dos residentes com 65 ou mais anos.

O desemprego continua a estar à cabeça deste flagelo. Dos 19 por cento de residentes em situação de risco de pobreza, doze por cento estava empregado, 29 por cento não tinham qualquer trabalho e 25 por cento apenas obtinham rendimentos da reforma. Para completar este drama social, convém sublinhar que se apenas fossem considerados os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, seriam cerca de 4,1 milhões de pessoas em risco de pobreza em 2005, o equivalente a 41 por cento da população residente.

Trinta e três anos depois da Revolução da esperança, mais de duas décadas após a integração europeia e numa altura em que se assinala o Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza, é esta a realidade social do país. Mais palavras para quê?

NOTA: Os comentários de Fernando Reis são emitidos todas as quartas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Terça-feira, Outubro 16, 2007

ORÇAMENTO E… MEMÓRIA

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

Vem aí o novo orçamento de Estado, o orçamento para 2008. Falemos, então, desse orçamento.

Mira Amaral e Miguel Beleza, dois ex-ministros do PDS de Cavaco, reconhecem hoje no Diário Económico, que é positiva a actuação do Governo na luta contra o défice que já permite tirar o nosso país da “lista negra” de Bruxelas. Da lista negra do défice.

De facto, como recorda Jorge Coelho, também no Diário Económico, o défice, que ultrapassava os 6% quando Sócrates chegou ao Governo, está agora nos 3%! A economia, que estava com crescimento negativo, está agora a crescer quase a 2%! E a dívida pública também apresenta bom comportamento: ou seja, está a descer… Está tudo bem? Não, mas o que não podemos é ter a memória curta.

Temos de saber de que situação partimos e temos de recordar quem nos meteu nela. Temos de saber em que direcção vamos e que caminho estamos a fazer. Temos de saber o que queremos e como lá chegar. É bom, portanto, recordar isso agora e até recordá-lo ao novo presidente do PSD. Luís Filipe Menezes diz que não se resigna ao crescimento mínimo garantido da economia assegurado por este governo e que, diz ele, parece satisfazer Sócrates…

Quando o défice era de mais de 6%, quando a economia não crescia mas antes minguava e quando a dívida pública aumentava, o primeiro-ministro chamava-se … Santana Lopes. Este senhor, por qualquer razão que a razão desconhece, é hoje o nº 2 real do PSD.
Oh, Dr. Menezes, peça ai ao seu nº 2 que lhe refresque a memória… Se é que ele se lembra de alguma coisa…

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Sexta-feira, Outubro 12, 2007

Nonagéssimo Aniversário das Aparições de Fátima


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

Por ocasião do nonagéssimo aniversário das aparições de Fátima é inaugurada naquele Santuário, a nova Igreja da Santíssima Trindade.

Quem habitualmente participa em peregrinações sabe da urgente necessidade daquele templo, capaz de acolher cerca de dez mil pessoas, em condições de conforto.

A Igreja agora inaugurada é de elevada qualidade artística e estou certo enquadra-se muito bem em toda a estrutura do Santuário, não chocando arquitectonicamente com a Basílica e a Capelinha das Aparições.

A sua edificação só foi possível graças às dádivas dos peregrinos de todo o mundo, sem necessidade do recurso às comparticipações do Estado.

É motivo de orgulho dos portugueses esta obra e um legado importantíssimo às gerações vindouras.

Os católicos louvam a protecção da Mãe de Deus, colocando nas suas mãos a vida, os problemas, os sofrimentos e os projectos.

Olhamos para Nossa Senhora, contemplamo-l’A como exemplo de fé e pedimos-lhe que nos alcance a graça duma fé humilde e forte, esclarecida e comprometida.

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Quinta-feira, Outubro 11, 2007

Este é o meu grito de revolta!

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

Não vamos permitir que o Governo, numa atitude meramente fanática, desprovida de sentimentos e de respeito para com as pessoas, feche o Hospital de Dia de Oncologia de Portimão. A pergunta que queremos fazer é muito simples – haverá algum tribunal capaz de julgar um ministro que, pelas suas directrizes, tenha contribuído para a morte de alguns cidadãos?

Porque, se alguém morre por causas alheias ao seu sofrimento, tem que haver um responsável? Ou, como é hábito, infelizmente, não há responsáveis? Tudo é abstracto. Não há rostos.

Tem que haver, de uma vez por todas, a co-responsabilização da tutela respectiva, sob pena de se estar a implantar uma verdadeira república das bananas, em que cada um faz o que quer e não assume as suas responsabilidades.

O Hospital de Dia de Oncologia de Portimão tem serviços de excelência, está humanizado, serve toda a população do Barlavento algarvio. Fechar aquele serviço, por mero capricho ou por simples números matemáticos de uma despesa, é um crime. E os criminosos devem ir a julgamento, ou não?

As pessoas não se podem acomodar, porque um senhor sentado numa cadeira em Lisboa, sem pensar nas pessoas, e sem conhecer a realidade do Algarve, resolve fechar e concentrar a prestação de um serviço em Faro, como se aquela cidade ficasse ao virar da esquina e não fossem dolorosas as deslocações.

Como se tal concentração trouxesse uma melhoria na prestação de cuidados. Ou será que tal visionário já está a magicar passar a pasta para os privados?
A Comissão Permanente de Saúde e Solidariedade da Assembleia Municipal de Portimão, da qual fazem parte políticos de todas as forças partidárias, mostrou-se contra o encerramento do Hospital de Dia de Oncologia.

Com uma moção, aprovada por unanimidade. Mas é pouco, mesmo muito pouco esse documento, que vai parar, numa significativa maioria de casos, ao cesto dos papéis.

Porque quem está ao lado do poder, por conveniência, comodismo, cobardia e para não ser alvo de represálias, ignora simplesmente este grito de revolta. É por isso que não se pode ficar por aqui. É por isso que não podemos pactuar com aqueles que, hoje, querem a morte a sair para a rua.

Fala-se em melhoria de serviços com a utilização do chavão «prestar serviços de excelência». É pura mentira, hipocrisia da mais baixa. É falta de carácter. Não há, nestes casos, um estatuto deontológico que acuse estes senhores de pessoas impuras?

Os políticos, uma esmagadora maioria, dizem o que querem, mentem com todos os dentes que têm, contradizem-se, mas, infelizmente, não há um regulamento para os enviar para julgamento. Achincalham o povo, menosprezam as pessoas como se não fossem iguais, mas não há Tribunais para os julgar.

A falta de sensibilidade e de humanismo de uns senhores que se dizem ministros, que outra coisa não fizeram na vida a não ser viverem à custa do erário público, por conseguinte, dos impostos que cada um de nós paga, servem, tão só, para castigar este povo martirizado.

Nunca trabalharam, não deram no duro para conseguir um bocado de pão. Nunca tiveram um emprego. Foram sempre filhos de um deus maior, que lhes colocou uma mãozinha por baixo. Encostaram-se à política e às tetas da porca.

É impossível compreender, dentro da racionalidade da nossa condição de seres humanos, as atitudes discricionárias impostas por um Governo que não diminuiu o desemprego, antes tem-se assistido ao seu aumento, não foi capaz de reduzir a despesa, antes criou um garrote fiscal, com a carga de impostos e, consequentemente, a subida das receitas, mas sem diminuir as despesas.

Não faz investimentos para controlar o défice. Não tem uma política social. Intitula-se de centro-esquerda para ganhar votos na área social-democrata.

Desvirtuou os seus princípios de um socialismo humanista para ramificar a ideologia centrista, esquecendo as pessoas como princípio fundamental de qualquer Nação.

As pessoas, que em tempos estiveram em primeiro lugar, hoje, estão na cauda das preocupações. Não há política social. Há medidas anti-sociais. Há repressão. Há medo. Há gente a morrer nas valetas. Há mais barracas. Há mais pessoas a pôr fim à vida. Há menos pão. Há mais pobres.

Mas que importa que haja gente a morar debaixo da ponte, se todos eles passam por cima dela, esquecendo que nas entranhas há gemidos de dor? Eles põema música dos rádios mais alta para não ouvirem os ruídos da realidade.

Povo da Nação algarvia, não vamos permitir que se feche o Hospital de Dia de Oncologia de Portimão. Vamos mostrar a nossa revolta se for necessário! Já chega de brincar à governança! Este é o meu grito de revolta!


NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 8,30 horas, com repetição às 13 e às 19 horas.

Terça-feira, Outubro 09, 2007

"DUPLO USO" E "CAPITAL DE RISCO", MAIS MOURINHO "THE SPECIAL ONE"

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

A Fragata “Vasco da Gama” apreendeu ontem uma lancha rápida com 3 toneladas de droga ao largo do Algarve e deteve 4 indivíduos, oriundos do Norte de África.

Eis um claro exemplo daquilo para que servem os nossos meios da defesa, em tempos sem guerra. Como a Marinha bem disse – e é necessário frisar – esta operação materializa uma filosofia de “duplo uso”… Fixem esta expressão “duplo uso” porque esta filosofia é realmente a que Portugal precisa para ser um país seguro e com desenvolvimento sustentável.

Para o desenvolvimento, de que precisamos absolutamente, o governo acaba de adoptar uma medida inovadora que, diga-se de passagem, há muito mesmo muito tempo devia ter sido adoptada. Mas foi-o agora, portanto, parabéns a este governo.

De facto, criaram-se agora instrumentos de financiamento à inovação e de capital de risco que até agora faltavam dramaticamente… São 530 milhões para capital de risco… Ninguém mais poderá dizer que o capital de risco não existe em Portugal. Este Governo entendeu o que há muito deveria ter sido entendido: sem capital de risco não há inovação nem choque tecnológico.

Finalmente, Mourinho, o nosso José the special one, vai ser o rosto da campanha de promoção do Algarve no mercado inglês… Uma boa decisão do secretário de estado do Turismo, Bernardo Trindade. Com as saudades que os ingleses já têm de Mourinho vão gostar, de certeza, imenso de o ver.

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Terça-feira, Outubro 02, 2007

O turismo tão maltratado...

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

O turismo gera, em França, 12 mil milhões de euros de excedentes na balança de pagamentos. Gera dois milhões de empregos – daqueles que não podem ser deslocalizados – e 72 milhões de visitantes… Tudo isto dá uma participação do turismo de 6,5 por cento do produto interno bruto francês. A agricultura, também em França, emprega menos de metade das pessoas que trabalham no turismo e representa 2% do PIB… Daí que os franceses se andem a interrogar sobre o sentido que faz ter o turismo entregue a um secretário de Estado e a agricultura a um ministro.

Os números são, de facto, arrasadores: 900 mil empregos na agricultura, contra 2 milhões no turismo; 2 % do PIB na agricultura contra 6,5 por cento no turismo. Só a dificuldade que as mentalidades têm em acompanhar o andamento de uma realidade que se transforma rapidamente explica este atraso, esta situação invertida. De facto, o turismo deveria ter um ministro e a agricultura um secretário de Estado…

Guardadas as proporções, o que se passa aqui em Portugal é – vocês já perceberam – exactamente o mesmo…

Quando é que as mentalidades dos nossos governantes evoluem o suficiente, para se harmonizarem com a realidade, é que… não sabemos.

Uma nota final:

A judoca algarvia, a Ana Cachola, está a um passo de conseguir a classificação para os jogos olímpicos de Pequim 2008. A Ana tem estado imparável na sua caminhada vencedora, pelo que, tudo indica, vamos ter uma atleta algarvia em Pequim. Parabéns, Ana, alma e concentração até Pequim.

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Segunda-feira, Setembro 24, 2007

UMA ESTRATÉGIA DE RETROCESSO

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

Parece que a Região de Turismo do Algarve lançou um repto ao Governo para, no prazo de um ano, estar a trabalhar em parceria com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) em prol de um Algarve com mais sustentabilidade turística.

E parece ainda que a Região de Turismo do Algarve quer uma "união de facto" com ATA para encontrar novas formas de gestão da promoção. Parece que para António Pina, a RTA, que promove o Algarve a nível nacional, e a ATA – uma entidade público-privada da região algarvia, cujo objectivo principal é promover o Algarve no estrangeiro – "deviam ser uma só entidade".

Parece também que, na opinião do presidente da RTA, António Pina, se não houver parceria entre as instituições que tutelam o turismo e o planeamento da região, "corre-se o risco de, dentro de alguns anos, olharmos para o mapa do posicionamento das estruturas hoteleiras do Algarve e verificar que houve uma concentração e não uma dispersão com vista à coesão social da região algarvia". Também parece que o presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA) defende uma nova gestão para a promoção do turismo do Algarve que passe pela união da RTA com a Associação do Turismo do Algarve (ATA).

E tudo isto parece a partir de notícias várias dos últimos dias…

Confesso que não percebo nem a metade… Então para estabelecer entendimentos e parcerias entre entidades do Algarve é preciso desafiar o Governo? Não podem tratar disso sozinhos, como pessoas adultas e informar a tutela que tiverem de informar, apresentando soluções (que é para isso que lhes pagam…) em vez de ir levar problemas ao Governo que tem mais em que pensar…

E – eu sei que as “uniões de facto” estão muito na moda – é preciso a RTA fundir-se com a ATA para resolver pequenos problemas de logística e gestão corrente de recursos cada vez mais escassos…? Não é isso uma maneira desadequada de para resolver um problema de dinheiros liquidar a participação dos empresários e reduzir tudo de novo à acção burocrática do Estado? E nem se tem a certeza de que tal coisa solucione nada… Antes pelo contrário. É um retrocesso na governança das instituições e sem qualquer resultado garantido…

António Pina parece animado de boas intenções mas estas soluções não parecem ser as melhores… Além de tudo o mais é tempo – e mais que tempo – dos algarvios resolverem entre si os seus problemas sem desafios por tudo e por nada ao Governo e sem cair no estatismo puro e duro que afasta os agentes económicos em vez de os integrar na gestão estratégica do turismo algarvio.

Mas este é que é mesmo o problema: Em vésperas da comemoração do Dia Mundial do Turismo, há alguma gestão estratégica do turismo algarvio…? Alguma estratégia? Vocês já sabem a resposta.

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 9,30 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Domingo, Setembro 16, 2007

Estamos de regresso...


Agora em novo horário, das 7 às 10 da manhã, sempre às meias horas (mais coisa, menos coisa...), e com as repetições a iniciarem-se às 11 da manhã, para que ninguém perda uma pitada...

Nos próximos dias (ou semanas, quem sabe!), vamos ter novos participantes, a escutar com atenção, com novos temas de interesse geral e renovadas razões para ir passando por aqui!

Domingo, Julho 29, 2007

Educação Moral e Religiosa Católica


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

Aproximando-se as inscrições para o próximo ano lectivo, tem pleno cabimento uma breve reflexão sobre a escolha da disciplina de EMRC, uma vez que ela é opcional, é de inscrição facultativa.

Os alunos das nossas escolas, crianças e jovens de uma sociedade cheia de capacidades, mas também de limitações, debatem-se, cada vez mais, com problemas e situações que têm uma manifesta influência nos seus comportamentos diários.

Com esta situação estão preocupados os pais, os professores, os educadores em geral, como estão preocupados os que têm responsabilidades públicas. O que estará, então, faltando à nossa gente nova, num período em que todos parecemos preocupados em que não lhes falte o que melhor os possa preparar para a vida, uma vida digna, sadia e útil?

A educação é fundamental, mas não há uma educação neutra que dê para tudo e para nada, nem educação passatempo, como se educar fosse ajudar a passar uns tantos anos na escola para cumprir determinações legais. A educação é um contributo indispensável dos mais velhos aos mais novos, que permite prepará-los para a vida, desenvolver as suas capacidades naturais e enriquecê-los com o acesso ao património cultural, que permanece vivo e nos foi legado para benefício de todos.

Deste património fazem parte os valores cristãos e os modelos evangélicos, fundamentais para moldar o carácter, fortalecer a vontade, aguçar a sensibilidade, estimular a solidariedade, capacitar para a vida normal em sociedade e para a participação activa que visa o bem de todos.

Em ordem a este objectivo, tenho consciência de que a aula de Educação Moral e Religiosa Católica é um bom contributo a favor das crianças, dos adolescentes e dos jovens das nossas escolas públicas.

Os professores desta disciplina estão cada vez mais preparados para ajudarem os seus alunos numa caminhada educativa com sentido positivo. Quando recomendo aos pais e encarregados de educação que não descuidem a matrícula dos seus filhos, não tenho outro interesse senão o seu bem, hoje que eles estão expostos a tantos desafios a que devem saber responder.

Os alunos mais velhos façam também a sua matrícula e resistam à tentação do mais cómodo. Nenhum êxito se alcança sem esforço e uma vida de facilidades é uma vida sem sentido, com todos os riscos possíveis.

Procurem os professores e os serviços da Escola motivar os pais e os jovens para a matrícula. Tudo o que pode ajudar os alunos é bom para eles e a aula de EMRC pode ajudá-los. Assim o diz a experiência de muitos que por ela optaram sem complexos.

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 11 horas, com repetição às 17 e às 23 horas.

Quinta-feira, Junho 28, 2007

Círculos uninominais para os cidadãos

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

O sistema de eleição dos deputados volta a estar na ordem do dia, com o PSD a apresentar, antes mesmo do PS, um projecto-lei. Os social-democratas querem um menor número de deputados, mas, ao que consta, os socialistas não admitem uma redução muito significativa; o PSD apresenta, o que não era de esperar, os círculos uninominais, sistema que o PS, também, e em princípio, poderá admitir mas, como afirma, com as devidas cautelas.

O que se coloca em causa é saber se a nova lei eleitoral para a Assembleia da República vai permitir que todos os cidadãos possam concorrer, independentemente dos partidos, dentro de cada um dos círculos uninominais.

Porque se assim não for, voltamos a ter um sistema mascarado de democrata, porque só quem se apresentar com a sigla de um partido pode ser eleito.

O que se pretende é que o cidadão o seja de corpo inteiro, com deveres e direitos, logo, se desejar concorrer no seu círculo eleitoral, apresenta-se proposto por um número mínimo de assinaturas, ou, simplesmente, apresenta o seu desejo de concorrer, com todos os prós e contras que o processo possa ter para ele próprio. Mas essas são contas do seu rosário.

Na minha opinião, o Algarve deverá comportar cinco círculos uninominais - Vila do Bispo, Aljezur e Lagos; Portimão, Lagoa e Monchique; Silves, Albufeira e Loulé; São Brás de Alportel, Faro e Olhão; Tavira, Castro Marim, Vila Real de Santo António e Alcoutim, nos quais será eleito o deputado mais votado. Os restantes três deputados a que o Algarve tem direito são eleitos no Círculo Nacional.

Quando os partidos alegam que os círculos uninominais vão apenas servir a bipolarização, somos levados a considerar que estão a querer mascarar a verdade. Vamos ao exemplo do Algarve – há quantos anos é que o PCP e o CDS-PP não elegem um deputado pela região?

O Bloco de Esquerda terá alguma vez hipótese, no actual sistema, de eleger um seu representante? Na região algarvia, a bipolarização é patente e não ouvimos ninguém a queixar-se de tal facto. Esse argumento não serve.

Os círculos uninominais, abertos a todos os cidadãos, vão revitalizar a democracia. O empenho de cada um, num direito de plena cidadania, valoriza a política. Fugimos ao corporativismo dos partidos.

Basta ver que, na presente legislatura, muitos daqueles que foram eleitos abandonaram a Assembleia da República, sendo substituídos por deputados de quinta e sexta linha.

Que legitimidade tem um partido, que utiliza os nomes e pessoas com alguma credibilidade e depois os deixa sair, sabendo-se que o povo votou naqueles nomes, para falar em transparência e honestidade política? Ou será que os partidos entendem que as pessoas nada valem, apenas conta a sigla partidária?

Porque os valores, as teses programáticas de cada força política diluem-se umas nas outras, e já não se fala em direita e esquerda, por muito que alguns partidos ainda pretendam que assim é que deve ser.

Mas quem governa não governa, essencialmente, sob a batuta de Bruxelas? E a política, que emana da União Europeia, é de esquerda, de direita ou do centro?

O importante da futura lei é que retire, definitivamente, o exclusivo da representatividade aos nomeados pelos partidos e permita que cada cidadão, por si, possa concorrer.

De acordo com o número de votos que receber, assim receberá da parte do Estado o estipulado por lei atribuído a cada voto.

Apresenta as suas contas como qualquer entidade – o deve e haver – correndo o risco de ganhar ou perder. Fica a certeza de que teve a liberdade para apresentar a sua candidatura sem ser proposto por um partido.

Se a lei não abrir ao cidadão o direito a participar, como já acontece a nível das Câmaras e das Juntas de Freguesia, então altera-se a lei com que finalidade?

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 9 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Quarta-feira, Junho 27, 2007

O problema da droga


por Fernando Reis (professor e director do Jornal do Algarve)

O tráfico e consumo de droga em Portugal, principalmente de cocaína, está a aumentar muito rapidamente, apesar do número cada vez maior de apreensões que se tem registado nos últimos meses. Este é um panorama a que o Algarve, infelizmente, também não escapa, acompanhando a tendência nacional.

Apesar das campanhas de sensibilização em torno do problema e de programas como o da "Escola Segura", o consumo de haxixe começa, perigosamente, a vulgarizar-se entre os jovens, como se aquela fosse uma droga inofensiva, enquanto a cocaína está a entrar, em força, entre os jovens adultos, colocando-se como a segunda droga mais consumida no Algarve e no país, e relegando a heroína para o terceiro lugar. Se a isto, juntarmos o crescente hábito dos jovens pelo consumo de bebidas alcoólicas, ficamos na presença de um cocktail altamente preocupante, com consequências graves, sobretudo a nível sanitário, social e económico.

Como inverter esta tendência é o maior desafio que se nos coloca, a todos; pais, educadores, profissionais de saúde, forças policiais e governo, numa altura – 26 de Junho – em que se comemorou o Dia Internacional Contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Droga e Portugal se prepara para levar o tema a debate durante a sua presidência da União Europeia.

Se relativamente ao tráfico, importa estar cada vez mais atento ao papel da África Ocidental, nomeadamente a Guiné Bissau, Cabo Verde e Senegal, que funcionam como plataforma de entrada de cocaína em Portugal e Espanha, no que respeita ao problema da toxicodependência preocupa-nos o facto de alguns indicadores revelarem aspectos de algum atraso do nosso país relativamente aos países europeus mais desenvolvidos. Ao mesmo tempo que apresentamos traços de avançada modernidade e desenvolvimento económico, social e cultural, que aproximam a sociedade portuguesa às mais desenvolvidas da Europa, encontramos, também, situações de atraso que nos fragilizam quando se analisam indicadores como os níveis de escolarização e literacia, as taxas de pobreza, abandono e insucesso escolar ou o uso das TIC - Novas Tecnologias da Informação e Comunicação. E a questão das drogas e das toxicodependências encaixa-se, perfeitamente, neste quadro estrutural da sociedade portuguesa.

Se se insistir em combater o fenómeno da toxicodependência com medidas políticas descontinuadas e desintegradas, será difícil mais eficácia na estratégia nacional de combate delineada para 2005-2012, E este é um drama a que ninguém pode ficar indiferente.

NOTA: Os comentários de Fernando Reis são emitidos todas as quartas-feiras, às 9 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Segunda-feira, Junho 25, 2007

Verão, Políticos e Vergonha

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

Esta é a última crónica antes das férias… Antes do tempo de Verão. Verão. Sempre gostei deste substantivo. Não porque rime com férias (de facto, desde a escola primária que nunca tive férias no Verão) mas sim porque este substantivo rima sim com um verbo cheio de futuro e de interrogações.

Verão, sim, mas verão o quê? O que haverá para ver? Quem o verá, quem será capaz de ver…? E quando…?

Esta a beleza do ambíguo substantivo. Menos beleza têm algumas coisas que surgiram nos últimos dias. E que não são nada de bom augúrio para o que poderemos ver…

Por exemplo, chegam-me aos ouvidos as queixas dos viveiristas da Ria Formosa. Estão, lamentam-se eles, a vender amêijoas e ostras a metade do preço de há quatro anos atrás… Enquanto à mesa do restaurante a tendência dos preços é para subir. Resultado, os viveiristas estão a perder o que outros ganham. E eles acham que não é justo. Mas essa é a única coisa em que têm razão. No resto, há que dizer-lhes que a culpa do mal é deles. Porque, como produtores, ainda não sabem, ainda não aprenderam a controlar a cadeia de valor e a ocupar nessa cadeia de valor a boa posição. Deixam-se remeter para o fundo e, obviamente, quem ganha é quem controla os circuitos de distribuição. A eles pouco resta, portanto. Lamentam-se, têm razão, mas lamentar não adianta nada… Estudem o problema, organizem-se e tomem as medidas necessárias para se colocarem bem na cadeia de valor. E deixarão de ter necessidade de se lamentar e passarão a ganhar o que merecem.

Mas esta coisa de não estudar os problemas, não se organizar para os resolver e, depois, queixar-se é um velho hábito, muito salazarento, dos portugueses… Veja-se, por exemplo, a história do hospital de nível superior para o Algarve, que pretende ser uma região de turismo com qualidade. Há terreno, a obra foi assumida como prioritária mas… não acontece nada. Nem data há para o início da obra… Como a natureza tem horror ao vazio, foram os espanhóis a tomar a iniciativa. O hospital de nível superior para servir o turismo do Algarve vai arrancar na Andaluzia, em Sevilha. Digam-me só se isto não é uma vergonha para o país e para a região e se os políticos algarvios não merecem que se lhes pinte a cara de preto ou que os mandemos… tomar banho!

Até mais e boas férias para quem tem agora férias… Para os outros, bom trabalho. Até logo…

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 11 horas, com repetição às 17 e às 23 horas.

Quinta-feira, Junho 21, 2007

O Algarve precisa de coesão territorial

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

A coesão da região algarvia só se poderá manter se houver um desenvolvimento equilibrado, isto é, o Barrocal e a Serra não podem ficar no lado de lá do Litoral, se bem que as realidades sejam diferentes e não se pretenda, de forma alguma, aplicar no interior, a política de cimento que se deixou alastrar por toda a costa.

São realidades bem diferentes. O Barrocal, zona onde se deve incrementar projectos agrícolas ou áreas industriais não poluentes e a Serra com potencialidades para a floresta, áreas cinegéticas e turismo rural.

Estas podem ser, eventualmente, algumas das políticas de desenvolvimento a implementar, na certeza de que as aldeias devem ser abertas a alguma expansão habitacional.

A fixação das pessoas às terras do interior é accionada e fomentada com as condições básicas que garantam o mínimo de qualidade de vida.

Ninguém quererá viver, neste tempo de globalização, numa terra que não tenha luz eléctrica, esgotos públicos, água canalizada, assistência na saúde, escola, acesso à Internet, já para não falar no mínimo de segurança, e sem aquilo que a nós nos parece de mais importante e básico para um crescimento saudável, uma boa rede de estradas e de comunicações entre elas.

A fase das infra-estruturas básicas – luz, água e esgotos – está devidamente acautelada na quase totalidade dos concelhos algarvios e a rede de estradas está em vias de se concretizar.

Com os melhoramentos efectuados nos últimos anos, torna-se possível uma comunicação mais ao menos célere, entre as aldeias.

Depois, entra-se nas áreas mais problemáticas, como a saúde. Não se pode ter um hospital em cada aldeia, é uma realidade evidente.

Mas, as unidades móveis, que tão bons serviços têm prestado às populações do interior, podem ficar sediadas numa aldeia que, com facilidade, responda a qualquer chamamento.

As Juntas de Freguesia, para não se multiplicarem os postos médicos, podem disponibilizar espaços, e são um meio físico já existente, onde as pessoas das unidades móveis podem descansar e sediar-se, criando condições mínimas de conforto.

Julgo que a imaginação deve funcionar nestas coisas, e, com um pouco de boa vontade e desejo de servir quem está mais longe dos grandes centros, encontram-se soluções que, sem serem dispendiosas, são úteis e dão alguma estabilidade emocional a quem vive no Barrocal ou na Serra.

As escolas da Serra que têm vindo a fechar, porque não possuem um número suficiente de alunos, porque razão não passam a ser utilizadas pelos alunos das cidades?

Se há deslocação de alunos do interior para o centro, porque não fazer a experiência do centro para o interior? Talvez os alunos e os seus pais passem a olhar a Serra e o Barrocal com outro interesse.

Trazer meia dúzia de alunos da Serra para o Litoral tem tantos custos, como levar alunos do Litoral para a Serra. E se este tipo de política não se desenvolveu, foi porque os responsáveis permitiram e incentivaram o despovoamento das aldeias serranas.

Quando se deslocam os jovens daquelas zonas para o Litoral, os ditos responsáveis mais não estão a fazer do que convidar os pais a seguirem as pisadas dos filhos.

Falamos em coisas simples, mas tudo passa por desenvolver programas de crescimento para as terras do interior, envolvendo as empresas, as autarquias, as associações locais, de forma a que se concretizem projectos rentáveis para todas as partes envolvidas.

Em abono da verdade, nada se faz ou pouco se tem feito, para motivar a fixação das pessoas em áreas que ameaçam a desertificação humana. Já estão pagos todos os subsídios respeitantes às indemnizações dos incêndios dos últimos anos?

Sou anti-burocratização. Quando se verificaram os incêndios, por exemplo, a política que, no meu entender, deveria ter sido aplicada, era deste tipo: fazer o levantamento dos haveres das pessoas - como quantos porcos perdeu, vacas, árvores, como ficou a sua casa - e, de imediato, dar-lhe os porcos, a vaca, plantar as árvores, reconstruir a casa, já com condições dignas de habitabilidade, e, só depois, saber se a propriedade estava registada, qual o número cadastral e, caso nada disso estivesse feito, deslocar uma equipa que ajudasse as pessoas a legalizarem a sua propriedade, sem grandes burocracias e complicações.

Não foi isso que foi feito. A primeira coisa era saber se tudo estava legalizado e, depois, logo se tratava do resto, num convite ao abandono das terras e à desertificação da Serra, porque são muito poucos os jovens que lá moram e os mais antigos faziam da palavra dada uma coisa muito séria.

Um hábito que, infelizmente, se perdeu, nesta sociedade consumista e, quanto das vezes, vigarista.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 9 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Quarta-feira, Junho 20, 2007

O Baixo Guadiana: património e turismo


por Fernando Reis (professor e director do Jornal do Algarve)

Esforços como os que têm vindo a ser realizados pelos municípios de Alcoutim e Castro Marim, através de um conjunto de medidas susceptíveis de atrair investimento e combater a desertificação, merecem o nosso aplauso. Tanto mais que são feitas quase sem grandes ajudas do poder central e, frequentemente, mesmo contra o velho centralismo do Estado. Espoliados financeiramente, em termos de Orçamento de Estado, com uma fatia cada vez menor de dinheiros públicos provenientes da administração central e espartilhados na sua acção por constrangimentos de um certo fundamentalismo ambiental e de uma burocracia administrativa que teima em persistir, apesar das repetidas promessas de quem governa, em tornar mais céleres esses procedimentos – agora anuncia-se um máximo de 120 dias para resolver licenciamentos que se arrastam por dezenas de anos – Castro Marim e Alcoutim vão fazendo pela vida, graças aos esforço dos seus autarcas, o estoicismo das suas gentes e o interesse dos que ainda acreditam que vale a pena investir no Baixo Guadiana. Unidos pelo rio e pela história, apostam na sua autenticidade como uma mais-valia para um desenvolvimento assente numa oferta turística diferente, apesar da singularidade dos caminhos que cada um tem que percorrer.

Enquanto que Castro Marim, com uma faixa litoral de praias de excelência, um ambiente protegido e um conjunto de projectos de luxo na área do golfe, leva, obviamente, vantagem em termos de investimento e, consequentemente, de desenvolvimento futuro correndo mesmo o risco, como alguém, já vaticinou de se vir a tornar, nos próximos vinte anos, num dos concelhos mais ricos do Algarve, o desenvolvimento de Alcoutim terá que passar, inevitavelmente, por uma ponte para a outra margem. Um concelho pobre, despovoado e ultraperiférico não pode combater o isolamento sem uma ligação à Andaluzia sobretudo por aquilo que esta região significa em termos de dinâmica económica.

Relativamente a Castro Marim, independentemente das diferenças ideológicas e de opinião, normais em democracia, dificilmente alguém deixará de aplaudir a estratégia de desenvolvimento delineada pelo actual executivo. Numa década, Castro Marim agarrou-se ao seu passado de grandeza para potenciar o futuro. Depois de os Dias Medievais a terem colocado, a ela e ao seu castelo, na rota dos grandes eventos nacionais e internacionais, a recuperação do Forte de São Sebastião e do Revelim de Santo António, reabilitam-na enquanto antiga praça forte do Reino, colocando, a história, o património e a cultura, ao serviço do turismo.

Poucos concelhos se podem gabar de misturar num pacote único, uma oferta turística tão diversificada: praia, golfe, rio, ambiente protegido, monumentos, artesanato, história e tradições. O futuro constrói-se, cada vez mais, preservando a memória do passado.

NOTA: Os comentários de Fernando Reis são emitidos todas as quartas-feiras, às 9 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Terça-feira, Junho 19, 2007

PARABÉNS!


Pela segunda vez consecutiva, um colaborador da GILÃO FM vê o seu contributo para o quotidiano do concelho de Tavira reconhecido e vai ser agraciado pelo Município no próximo dia 24 de Junho...

Depois do fundador e director Luís Santos, coube agora tal honra ao Luís de Melo e Horta, director do JORNAL do SOTAVENTO e comentador "residente" do 1001 Olhares desde 2006. PARABÉNS!

A nota biográfica indica-nos que Luís Maria de Melo e Horta nasceu, em Tavira, a 6 de Fevereiro de 1938. Em Tavira frequentou a escola primária e obteve o curso secundário a partir dos colégios da cidade o Tavirense e o Externato Nª Senhora das Mercês. Completaria, anos mais tarde, o curso complementar do liceu. Nos anos 70, matriculou-se na Universidade Clássica de Lisboa para frequentar Direito, onde fez os dois primeiros anos de curso.

Aos 19 anos ingressou no Ministério da Economia (posteriormente Agricultura), tendo-se aposentado, em Outubro de 1986, quando exercia o cargo de Director de Serviços de Administração.

A sua acção está, particularmente, ligada ao jornalismo: foi correspondente de jornais diários (Século, Diário de Lisboa e Diário de Notícias), colaborador da Imprensa Regional Povo Algarvio e do Jornal do Algarve.

Foi co-fundador e subdirector dos quinzenários “O Tavira” e “Lestalgarve” que se publicaram entre 1973 e 1985, tendo entretanto participado na fundação da AIRA - Associação da Imprensa Regionalista do Algarve. Em 1990, foi co-fundador do “Jornal do Sotavento” e seu director, desde o primeiro número até ao presente.

Tem desempenhado vários cargos associativos. Foi fundador, em 1985, do Elos Clube de Tavira, depois seu Presidente da Direcção e é, actualmente, o Presidente da Assembleia Geral. Foi o Coordenador da Convenção Elos Internacional realizada, em Tavira, em Outubro de 2005.

Para além do Luís de Melo e Horta,
vão ser agraciados no Dia do Município os seguintes cidadãos e instituições - Orlando Carlos do Carmo Bateira Ferreira, Rogério da Cruz Domingos, Sonâmbulos Futebol Clube e Viviane Parra Guerreiro. PARABÉNS A TODOS! QUE MUITOS SIGAM OS VOSSOS EXEMPLOS!

Sexta-feira, Junho 15, 2007

"Contos breves e outros afectos"


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

“Contos breves e outros afectos” é o título do livro de Maria Solange Estevens Tavares, editado pela Multinova e apresentado no passado dia 12, na Biblioteca Municipal de Faro.

A Solange Tavares é natural do interior da serra algarvia, da aldeia de Cachopo.

Na sua biografia, desta mulher nascida em 1947, consta que teve o privilégio de sair de casa para ir estudar para Faro, enquanto num meio rural, normalmente, as raparigas saiam de casa para ir servir para os meios urbanos.

Concluiu o curso de História, na Universidade Clássica de Lisboa. Presentemente é docente.

Na nota de abertura Anne-Marie Vécot, afirma que nestes “contos breves e outros afectos” Solange leva-nos para os nossos próprios caminhos, ao encontro das nossas memórias.

Trata-se de um diálogo da autora com ela própria. Fala com o coração e sabe calar-se a tempo de nos deixar livres para nos apropriarmos daquilo que ela nos oferece.

Fiquei honrado por ter sido convidado a estar presente na apresentação da sua obra e por me considerar seu amigo.

Faço um apelo, sobretudo aos mais jovens:

Ler é importante e torna-se um hábito saudável.

Quem lê, escreve melhor, conhece mais, fala melhor e de mais assuntos, aumenta o vocabulário, conhece outras ideias que não as suas.

Dão-nos a conhecer personalidades e os seus feitos, a nossa história, a compreender a nossa sociedade, os nossos valores.

Os livros fazem-nos viajar sem sair de onde estamos para outras épocas, outras culturas, outros mundos…

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 11 horas, com repetição às 17 e às 23 horas.

Quarta-feira, Junho 13, 2007

A propósito do Plano de Ordenamento da Ria Formosa


por Fernando Reis (professor e director do Jornal do Algarve)

O ordenamento do território, particularmente o que abrange áreas protegidas, não pode fazer-se sem o envolvimento das populações residentes, sob pena de se poder vir a frustrar a concretização dos objectivos de salvaguarda ambiental subjacentes a qualquer plano que se pretenda implementar. Quanto mais detalhada for a discussão e mais amplo o número de intervenientes no processo, maiores serão os consensos e as possibilidades de sucesso do plano.

Vem este preâmbulo a propósito da recusa do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade – ICNB, em prolongar o prazo de discussão do Plano de Ordenamento da Ria Formosa, que decorreu entre 24 de Abril e 6 de Junho, conforme reivindicam a Câmara Municipal de Faro e a DORAL do PCP.

O que se pretende é, apenas, dispor de mais algum tempo para ouvir todas as associações da área do Parque e analisar as implicações das medidas preconizadas no presente e futuro das populações residentes, principalmente, as que vivem e labutam nas ilhas barreira da Ria Formosa. A complexidade dos problemas em equação, exige um amplo consenso que é aquele que, para já, une as opiniões dos socialistas do executivo farense e dos comunistas algarvios. Os primeiros dizem que “não é possível assegurar a regulação ambiental da Ria Formosa contra a sobrevivência financeira e social das famílias que dela dependem”, enquanto que os segundos “não aceitam um plano de ordenamento que afaste as pessoas e comprometa o seu futuro”, o que significa dizer a mesma coisa por outras palavras.

Se tivermos em conta, para além do emaranhado de situações que dão singularidade ao Parque, o conjunto de documentos colocados para discussão pública – regulamento em dois anexos, planta síntese, planta de condicionantes, relatório de conformidade com a Rede Natura 2000, relatório de ordenamento, programa de execução e diagnóstico – será que é muito pedir mais alguns dias para estudo e análise da matéria em apreço? Hoje, cada vez mais, a causa da preservação da natureza e da biodiversidade, deve implicar as populações e estas conquistam-se, de uma forma pedagógica e não por imposição.

As populações só podem defender aquilo em que, conscientemente, acreditam ser o melhor para o seu futuro, num quadro que não exclua o Homem do seu ecossistema e biodiversidade.

NOTA: Os comentários de Fernando Reis são emitidos todas as quartas-feiras, às 9 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Terça-feira, Junho 12, 2007

Portugueses contra a corrupção

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

A criação de uma Autoridade Contra a Corrupção é a medida mais desejada pelos Portugueses para combater o cancro da corrupção. Uma autoridade contra a corrupção que os Portugueses desejam que tenha amplos poderes de investigação. E cujo trabalho permita afastar do poder políticos e dirigentes partidários corruptos, bem como demitir sem hipóteses de readmissão os funcionários públicos corruptos.

Estes dados constam de um inquérito/estudo do ISCTE, ainda não divulgado mas que deverá ser publicado no próximo dia 15. O estudo revela ainda que os Portugueses não têm confiança alguma no actual sistema judicial para combater a corrupção. De facto, apenas 0,6% - portanto, coisa de um português em duzentos – só 0,6% dos portugueses acha que o actual sistema judicial funciona bem. Quando chegamos a isto está tudo dito sobre a confiança da população nas instituições em causa.

De resto, é porque os organismos vigentes não apresentam resultados que a população deseja uma Grande Autoridade Contra a Corrupção, com amplos poderes de investigação… E, aqui entre nós, depois de tanta escandaleira e tanta negociata com os dinheiros do Estado, que é o mesmo que dizer o nosso rico dinheirinho dos impostos, quem é que não sonha com a tal Autoridade que meta a corrupção atrás das grades e ponha os corruptos fora da política e do estado…? Está mesmo na altura de José Sócrates começar a tratar de resolver isto…

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 11 horas, com repetição às 17 e às 23 horas.

Sexta-feira, Junho 08, 2007

As Festas Populares


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

O mês de Junho põe Portugal em festa: a 13 é Santo António, a 24 S. João e a 29 S. Pedro.

A denominação de Santos “Populares” é tradicional e exacta: os Santos de Junho são os mais festejados no nosso país.

O culto de Santo António, estimulado pela fama de inúmeros milagres, tem sido inclusive, ao longo dos séculos, objecto de grande devoção popular em todo o mundo, podendo-se afirmar que se trata do primeiro português com projecção universal.

As Festas Populares, manifestações colectivas, mistura de crenças e ritos de devoção particular, são as grandes marcas da religiosidade popular do nosso país. Por vezes é difícil compreender o que há aí de especificamente cristão.

Estas festas não representam porém nenhum problema teológico.

Elas são importantes na nossa sociedade. Permitem apesar de tudo, abertura ao transcendente.

Neste tempo que estamos a viver em que assistimos a uma cultura envergonhada das suas raízes cristãs, alegadamente indiferente e laica, as festas religiosas católicas, são um oásis de frescura.

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 11 horas, com repetição às 17 e às 23 horas.

Quinta-feira, Junho 07, 2007

De um lado os partidos, do outro o trade

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

As eleições para a Região de Turismo do Algarve, às quais apenas concorreu uma lista proposta numa coligação PS e PSD, vão trazer consequências futuras para a região, quer queiram ou não admitir essa realidade muitos dos políticos que cozinharam esta decisão.

O acordo entre socialistas e social-democratas passou ao lado da Comissão Política Distrital do PS.

Não está em causa a bondade das pessoas que compõem a lista, nem se pretende discutir o seu valor pessoal a nível do sector turístico, pois esses são dados que o tempo se encarregará de trazer à tona da água.

O que importa perceber neste contexto, é que os partidos não chamaram para quaisquer negociações as associações do sector, que acabaram por sentir a necessidade de elaborar uma lista própria.

Mas, por força das contingências político-sociais, das pressões existentes sobre determinadas pessoas (sempre negadas por quem as pratica), e da forma corporativa como os partidos funcionam, as associações não conseguiram recolher a assinatura que faltava para legalização da sua candidatura.

Neste momento, seja qual for o resultado final do acto eleitoral, estamos perante uma realidade inquestionável - de um lado, estão os partidos políticos, do outro está todo o sector.

É preciso perceber que, em muitos anos, mais de uma dezena ou vintena, nunca o sector se tinha unido para concorrer à RTA.

E, como era do conhecimento público, havia algumas divergências entre associações como a AHETA e a AIHSA que foram sanadas, constituindo-se um conjunto forte a nível do sector, incluindo o Sindicato dos Trabalhadores da Hotelaria, para responder ao que é considerado como a partidarização da Região de Turismo.

Se, por um lado, a RTA é governável como um organismo normal, esperando-se que o seu presidente não permita que pessoas, caso do vogal Nuno Aires, por exemplo, participem em votações que digam respeito a concursos aos quais a sua empresa concorra, outra realidade será o trabalho a desenvolver pela Associação Turismo do Algarve (ATA), onde os privados, que agora foram relegados para plano secundário, se encontram associados.

A ATA, a quem compete a promoção externa, teve a promessa da Associação do Sotavento, agora representada na lista para a RTA pelo seu presidente Almeida Pires, de que entraria com 100 mil euros, coisa que nunca concretizou.

Tudo isto porque esta Associação terá imposto, para assumir esse compromisso, que a ATA não podia admitir sócios do Sotavento e que as realizações respeitantes àquela zona do Algarve seriam da sua responsabilidade.

Isto é, tínhamos uma ATA que apenas seria real para o Centro do Algarve e o Barlavento. Esperemos agora que Almeida Pires saiba o que é a região do Algarve e António Pina não se deixe ludibriar por truques que retirem operacionalidade à ATA.

Não contente com a colocação de Almeida Pires na lista, o PSD avança com Helena Mak, ligada ao sector do golfe, mas que muito poucas provas tem dado, sendo outro organismo que se propôs entregar 100 mil euros à ATA, nunca o concretizando. São estas as pessoas que o PSD escolheu para darem o seu contributo na Região de Turismo.

Esta realidade, nua e crua, não é benéfica para a ATA, nem tão pouco para a Região de Turismo do Algarve, por muito que os políticos queiram jogar areia nos olhos do sector e dos observadores. O que se vai passar em termos futuros é difícil de prognosticar.

Mas não deixa de ser curiosa a política do Governo, que dá posse ao presidente da RTA no dia seguinte à sua eleição, quando há outras Regiões de Turismo que esperam há um mês por esta acção.

E que dá posse no Governo Civil de Faro, sem que esteja ainda empossada a nova Governadora Civil.

Governo que mantém a fasquia de comparticipação na promoção externa, de acordo com a regra de que um euro dos privados, mais um euro da RTA, correspondem a uma comparticipação do Governo de quatro euros.

Com estas políticas governamentais, tudo se poderá complicar, se a nível da ATA não se mantiver o equilíbrio desejável e a transparência sempre necessária para que funcionem os organismos onde existem vários parceiros.

António Pina, novo presidente da Região de Turismo do Algarve, poderá ter uma vida fácil, porque o seu trajecto político não começou ontem e sempre foi feito com retidão.

Mas o facto de ter condescendido à solicitação de Miguel Freitas, torna-o mais frágil, quando, por outro lado, a lista com quem vai trabalhar lhe diz muito pouco.

O seu pedido de lealdade e transparência é um sinal de quem não está à vontade a comandar as suas tropas.

Em nome da Nação Algarve, fica o desejo de que o futuro seja prenhe de vitórias e que a projecção do nosso nome chegue cada vez mais longe, porque precisamos muito dos turistas.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 9 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Terça-feira, Junho 05, 2007

UMA LUZINHA NO PROTAL II

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

O aprovado PROTAL II não é perfeito. Longe disso. Falta-lhe uma inteligência económica e estratégica com o claro objectivo de valorização do território. Mas, pela primeira vez, aparece uma luzinha…

Uma luzinha que pode ser o início da requalificação do Algarve e da sua adaptação aos novos tempos desta economia globalizada. Pela primeira vez, alguém parece ter entendido que o cliente-tipo do Algarve está a mudar e vai mudar ainda muito mais.

O que tem sido o cliente-tipo do Algarve, o turista sem poder de compra e que vem em esquema de tour-operator, esse começou já a voar para outras paragens, tão ou mais baratas e muito mais exóticas. Não é aí que se pode competir… Nem vale a pena baixar os preços para competir com qualquer praia tropical, em África ou na América Latina, onde a diária do hotal é baratíssima e o avião já chega ao preço da uva mijona.

É num outro tipo de visitante, com mais poder de compra e mais exigente que o Algarve tem de apostar. Mas isso exige a requalificação da nossa região. Ora, esta requalificação só se pode alcançar numa lógica de valorização do território.

O grande embuste que tem havido à volta de Protal e outros planos quejandos, é que eles falam sempre de ordenamento do território sem identificar o referencial que irá organizar e decidir desse “ordenamento”. O resultado desta mentira sistemática e repetida é que não ordenamento nenhum e muito menos há resultados positivos… Só há chatices e burrocracias e outros empatas. Ou seja, o ordenamento do território acaba por ser a empatação da vida e provocar desastres económicos e de toda a ordem.

Por isso, é necessário assumir a valorização do território como objectivo destes planos. Só isso é que os pode justificar e só isso fará com que os algarvios percebam e sintam que eles valem a pena.

Por exemplo, à conta de tais “planos” e de outras burocracias e demais empatas, estão neste momento, no Sotavento, parados investimentos de mil e duzentos milhões de euros, em meia-dúzia de projectos de alta qualidade, com 10 mil camas para os tais novos visitantes que são precisos e que vão criar três mil e quinhentos postos de trabalho… E tudo parado pela burocracia e pelos empatas da ecologia, à espera do inefável e fatal estudo de impacte ambiental… Ou até mesmo com chumbo do Ambiente. A estas situações o Protal agora aprovado parece querer responder de forma positiva. Os investimentos hoje têm muitos destinos, podem ir para muito lado, até logo ali no outro lado do Guadiana… Se os quisemos agarrar temos de ser rápidos e competitivos. Senão, ficamos sem eles e a ver tudo a degradar-se e corremos para o desastre económico… e, portanto, também social.

Sabem o que vos digo…? Que nos valha o São Sócrates ou ainda se perde tudo isto!

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 11 horas, com repetição às 17 e às 23 horas.

Sexta-feira, Junho 01, 2007

Mudar de atitude perante o idoso


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

A solidariedade é expressão da dimensão comunitária da sociedade, em que o bem comum prevalece sobre o interesse particular, de indivíduos, grupos ou minorias.

Neste Ano Europeu da Igualdade de Oportunidade para Todos, detenho-me uma vez mais na população idosa, apelando a uma oportuna mudança de atitude, valorizando a dignidade e as potencialidades dos anciãos.

Há muita gente com idade avançada que é amada e acarinhada e, por isso mesmo, se sente feliz e útil, não pelo trabalho que ainda realiza, mas por ser uma presença congregadora no meio dos seus e uma referência enriquecedora para as gerações dos mais novos, quando estes a sabem apreciar e agradecer. No património de uma família, os mais idosos representam uma parte importante e valiosa para aqueles que ainda não deixaram subverter os verdadeiros valores da vida.
Uma sociedade que não ama nem respeita os seus mais velhos é uma sociedade desumanizada, sem alma, sem futuro.

Nada do que nós desfrutamos chegou até nós por acaso. O que nos foi chegando e perdura é, frequentemente, mais fruto do trabalho, da dedicação, do amor, com muitos sacrifícios e lutas pelo meio, daqueles que nos precederam, que do nosso trabalho e engenho pessoal.

Saborear a alegria de viver, ainda que com as limitações que a idade impõe, não é possível sem se estar rodeado de um ambiente de amor e gratidão, de apreço e estima. Na recta final da vida, já muita coisa se dispensa, não porém o sentir-se amado e acarinhado.

As muitas iniciativas e soluções de apoio social que se vão multiplicando, não podem dispensar a família da dívida nunca paga, que é a do amor aos seus pais e avós. O mesmo acontece com os muitos e dedicados voluntários, fiéis à sua visita aos doentes e aos idosos mais sós da comunidade.

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 11 horas, com repetição às 17 e às 23 horas.

Quarta-feira, Maio 30, 2007

O aquecimento global


por Fernando Reis (professor e director do Jornal do Algarve)

Na próxima terça-feira, 5 de Junho, comemora-se o Dia Mundial do Ambiente, data que as Nações Unidas consideram uma excelente oportunidade para sensibilizar os cidadãos para a importância da preservação do Ambiente. Este ano, o tema escolhido gira em torno da problemática do degelo, como consequência do aquecimento global do planeta, provocado, essencialmente, pela emissões de dióxido de carbono, CO2.

E esta é uma situação que nos penaliza significativamente, já que o nosso país continua bastante distante das metas traçadas pelo Protocolo de Quioto, o que não deixa de ser preocupante. Segundo dados divulgados pela Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, Portugal regista um aumento significativo das emissões de CO2, relativamente ao ano de referência (1990), com 45 por cento, mais 18 pontos percentuais que a meta estabelecida, que é de 27 por cento.

Isto, apesar de Portugal ter evitado a produção de 1,7 milhões de toneladas de CO2, através da importação de electricidade e outro meio milhão, através da produção de energia eólica, numa poupança total de 2,2 milhões de toneladas de emissões de CO2, o equivalente a uma redução de 3,8 pontos percentuais na percentagem de emissões acima do limite de Quioto.

Para o agravamento desta situação, contribuíram a seca de 2005 e os numerosos incêndios florestais dos últimos anos. Prevê-se, aliás, que, até 2070, o aquecimento global da Terra provoque a ocorrência, cada vez mais frequente, na Península Ibérica, de secas que originarão, inevitavelmente, uma quebra até cerca de 60 por cento da sua capacidade de geração de energia eléctrica.

De acordo com as previsões dos cientistas, o degelo do Árctico irá provocar um aumento de 110 centímetros no nível do mar, até 2080, o que afectará cerca de 67 por cento da costa portuguesa. Em tempo de comemorações, importa deixar a mensagem de que a inversão desta tendência autodestrutiva do Planeta, combate-se através de uma educação que promova, verdadeiramente, os valores ambientais e de novas políticas, que apostem, decididamente, num correcto ordenamento do território e nas energias re-nováveis. Não há outro caminho!

NOTA: Os comentários de Fernando Reis são emitidos todas as quartas-feiras, às 9 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Sexta-feira, Maio 25, 2007

CNJP traça quadro da pobreza em Portugal


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

Porque o tema é oportuno, faço eco das conclusões do Grupo de Trabalho "Economia e Sociedade" da Comissão Nacional Justiça e Paz. Esta apresenta - a partir de dados do Eurostat - uma "Caracterização e evolução da pobreza em Portugal", indicando que "a pobreza assume em Portugal uma incidência muito preocupante, atingindo mesmo um dos valores mais elevados, no contexto da União Europeia".

Assim, em Portugal, cerca de 20% das pessoas (cerca de 2 milhões) detinham, em 2005, um rendimento disponível familiar equivalente, depois das transferências sociais, abaixo dos 60% da mediana nacional. Esta taxa de risco de pobreza, apenas era ultrapassada pela da Polónia e da Lituânia (21%), sendo igual às da Irlanda, Grécia e Espanha.

A elevada taxa de pobreza registada em Portugal está associada "a uma desigualdade de rendimentos, que é a mais alta de todos os países da UE" a 25.

Entre as preocupações apresentadas estão "a persistência das situações de pobreza e a necessidade de repensar o sistema de protecção social, bem como as políticas sociais, de forma a torná-los mais eficazes na correcção e prevenção da pobreza".

"A pobreza infantil assume uma incidência muito elevada, hipotecando o futuro das crianças. Acresce que as taxas de abandono escolar, apesar de alguma redução, se mantêm em níveis muito preocupantes", aponta ainda o documento.

A situação de pobreza infantil é particularmente gravosa entre as famílias monoparentais (34%) ou nas famílias mais numerosas (30%), acrescentando que há grupos sociais particularmente vulneráveis ao risco da pobreza: "a população imigrante, as pessoas portadoras de deficiência, certas minorias étnicas ou pessoas com baixa qualificação escolar".

Mesmo entre a população activa, existem taxas de incidência de pobreza elevadas que derivam de situações de desemprego, precariedade no emprego e baixos salários.
Manuela Silva, presidente da Comissão, considera que "não é tolerável que em Portugal persistam níveis de pobreza tão elevados como presentemente sucede e que o crescimento económico que o País tem conhecido ao longo dos anos não tenha servido para melhorar as condições de vida de cerca dos 20% da população cujos rendimentos ficam abaixo do limiar de pobreza".

O estudo mostra que "o crescimento económico vem sendo apropriado por uma minoria e não tem servido para erradicar a pobreza, incluindo as suas manifestações mais extremas".

"Ser pobre em Portugal tem muitos rostos e causas. Afecta mais as mulheres (21%), as pessoas idosas (28%), as crianças (24%)", observa a presidente da Comissão.
A CNJP não se limita a analisar a pobreza monetária e olhar para o "nível e o risco de privação", explicando que "as condições de alojamento, as redes de sociabilidade e a posse de bens de conforto são as que mais contribuem para o grau de privação das famílias".

"Viver em certas zonas do País ou em bairros degradados das cidades e suas periferias é uma situação que, só por si, configura um quadro de pobreza, mesmo que o rendimento auferido possa eventualmente ultrapassar o limiar da pobreza monetária".

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 11 horas, com repetição às 17 e às 23 horas.

Quinta-feira, Maio 24, 2007

O Turismo do Algarve merece mais

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

As eleições para a Região de Turismo do Algarve mostraram a fragilidade do sistema em que assentam e a carga que os directórios dos partidos colocam no acto, partidarizando um organismo que se deseja, cada vez mais, neutro e com capacidade interventiva na organização de eventos e na promoção da região.

Partido Socialista e Partido Social Democrata formaram uma coligação, algo que ninguém consegue compreender, quando se pretende efectuar uma leitura política, e cujo resultado final, por muito que se possa contabilizar as cabeças, é difícil de prognosticar.

Daí que o próprio candidato do PS, António Pina, a desempenhar as funções de Governador Civil, se tenha contido quanto ao seu pedido de demissão.

O sector, personalizado na AHETA, manifestou-se contra a partidarização do órgão, como sempre tem feito. Os resultados palpáveis para o Algarve são quase nulos, porquanto a própria criação da Agência de Turismo, para a promoção, sente-se impotente para capitalizar a participação dos privados.

O Algarve tem sobrevivido à custa da sua própria natureza, e porque se assume como principal região turística do país. Mas cada um puxa para seu lado e não vão lado nenhum.

O presente acto eleitoral acabou por consumar a ruptura entre o chamado trade e aquele órgão de cúpula. As pessoas não se vão entender.

Nos partidos, em especial no PS, começa a sentir-se uma maior contestação ao acordo efectuado com o PSD, acordo que não é do conhecimento de todos os membros que aplaudiram a nomeação de António Pina na passada sexta-feira.

Daí as questões que se colocam, havendo a noção de que há várias correntes dentro dos socialistas, prontas a saltar, caso os resultados eleitorais não sejam favoráveis à coligação.

No PSD, Mendes Bota é o grande vencedor, porque impõe as regras, coloca as suas pedras sobre a mesa, e os socialistas são obrigados a aceitar, permitindo que, no fundo, a governação da RTA continue a ser social-democrata, porque a promoção e a vice-presidência estarão nas suas mãos.

Mas Bota perdeu um aliado, que foi Elidérico Viegas, presidente da AHETA, nada disposto a aceitar a solução proposta. Elidérico está na disposição de apresentar uma lista, nem que seja para perder, mas como um sinal de descontentamento e marcando a sua contestação.

Com a entrada do sector em cena, colocando em cima da mesa uma lista não partidária, é forçoso que haja um dilema por parte de quem vota.

Sabendo-se que haverá, tanto da parte dos socialistas, como dos social-democratas, presidentes de Câmara que se vão abster, resta mexer nas pedras do xadrez, se a lista de António Pina quer sair vencedora.

Volta-se sempre à velha questão – fazem-se as manobras de bastidores para obter uma vitória, que cheira a falso e não tem nada de transparente. Substituir pessoas de quem se desconfia não serem leais, por outras subservientes, é um jogo viciado, que cheira a «apito dourado».

Dia 5 de Junho pode ser um dia em que muita coisa se alterará no Algarve. Se a lista de António Pina não sair vencedora, a Miguel Freitas, depois de tantos convites feitos para que as pessoas se candidatassem e com resposta negativa, só lhe resta colocar o seu lugar à disposição.

Porque foi um tiro que deu nos pés, quando convocou uma Comissão Regional, que não se realizou por falta de quórum e depois de todos os comentários efectuados.

Mostrou não haver coragem para comparecer e exigir explicações, dando o caso por encerrado com o regresso de Helder Martins à RTA.

Ou será que os dirigentes regionais andam a reboque das cabeças de Lisboa e só porque Luís Patrão terá desabafado que o caso de Helder Martins era passado, resolveram esquecer todas as perguntas que deixaram no ar?

A partidarização da Região de Turismo não é saudável. Aquele deve ser um organismo técnico, com dirigentes capazes de gerar mais valias para o turismo.

Neste momento, em que já se adiou a apresentação do «Allgarve» por várias vezes, não se sabe qual o futuro da Região de Turismo, se passa a uma mera agência regional ou se tem um papel interventor na promoção e dinamização dos eventos para a região.

Criar um choque entre o sector e aquele órgão, muito por força da sua partidarização, é cavar um fosso e não esperar a melhor colaboração de quem não está disposto a subordinar-se a pessoas que de turismo apenas conhecem as rotas dos aviões e os locais onde passam férias.

O Turismo do Algarve merece muito mais. É pena que continuemos a alimentar o capelismo.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 9 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Terça-feira, Maio 22, 2007

RTA: A DESILUSÃO DO MODELO DE GOVERNANÇA

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

Já toda a gente sabe que o PSD do Algarve, liderado por Mendes Bota, e o PS do Algarve, liderado por Miguel Freitas, decidiram apresentar uma lista conjunta para a Região de Turismo do Algarve. E que a dita lista será encabeçada por António Pina, actual governador civil de Faro.

Isto é o que parece toda a gente saber. E o que é que parece que ninguém sabe ou, pelo menos, ninguém refere…? O que dá o PS Algarve ao PSD Algarve para que Mendes Bota apoie António Pina…?

Pois ao que me dizem dá-lhe um lugar de vice-presidente, com poderes para substituir o presidente, e ainda um terceiro lugar a que será atribuída a competência de gestão dos milhões das verbas de promoção do Algarve no exterior. Em resumo, uma autêntica negociata ao mais belo estilo “bloco central”… A ser a coisa assim…

A ser coisa assim, estamos perante um erro horrível na escolha do modelo de governança da Região de Turismo. Um erro clamoroso que é um monumental retrocesso e que diz muito sobre as concepções políticas das actuais direcções de socialistas e de sociais-democratas do Algarve. Um erro que é um regresso ao passado do pior que houve. Um erro que significa um salto para trás de pelo menos 20 anos…

Um erro que é um regresso ao pior figurino dos negócios partidários e partilha de lugares entre boys e girls, à sombra do interesse público e, sobretudo, da gestão (normalmente, da má gestão…) dos dinheiros públicos… É o regresso ao modelo do… “abancar em grande à mesa do orçamento”.

E é ainda o excluir realmente os empresários e outras forças vivas das tomadas de decisão e da sua aplicação. É o excluir da sociedade civil em benefício das nomenklaturas partidárias.

É preciso dizê-lo: este é um mau e desajustado modelo de governança.

Percebo que isto corresponde aos usos e costumes de Mendes Bota… Mas não esperava que correspondesse à cultura de Miguel Freitas. Em suma, uma desilusão!

António Pina é uma excelente pessoa… Mas, num quadro destes, com este modelo de governança da Região de Turismo, ele dificilmente pode ser mais, dificilmente pode fazer mais do que o papel de “verbo de encher”…

Francamente, o turismo do Algarve, o salto que ele precisa de dar, os empresários e os projectos que começam a aparecer para requalificar o Algarve mereciam muito mais que esta… desqualificação da Região de Turismo, que este regresso ao pior passado.

Uma última nota para o magnífico trabalho da polícia e outras forças de segurança, na guerra contra os traficantes de droga e outros criminosos. Com o apertar dos sistemas policiais na Turquia, na Itália, na Holanda e na costa espanhola, o Algarve está a ser escolhido como rota alternativa para o tráfico. Sobretudo, o vale do Guadiana… A nossa polícia está em cima da coisa e tem feito um bom trabalho.

Até pra semana!

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 11 horas, com repetição às 17 e às 23 horas.

Partidarismo versus regionalização

por Conceição Branco, colaboradora do jornal Expresso e directora do Observatório do Algarve)

A liderança do turismo do Algarve, com eleições marcadas para 2 de Junho, comporta soluções que são um dos sinais mais claros de quanto a regionalização faz falta.

Senão, vejamos: O PS protestou, e quanto a mim bem, quando o actual presidente da RTA, social-democrata, resolveu começar a tratar da sua vida pessoal, sem terminar o mandato e prejudicando com tal postura, objectivamente, os interesses do organismo público que dirigia.

O Hélder Martins soube, no entanto, livrar-se airosamente desta pressão política e quando percebeu que não tinha condições para prolongar o mandato, nem apoiar uma candidatura do seu substituto, convocou de imediato as eleições.

Apanhados de surpresa, os socialistas viram esvaziado o interesse político da reunião extraordinária da comissão regional de turismo, por eles convocada, onde têm a maioria e estão representadas as autarquias, as delegações regionais dos organismos públicos e as associações empresariais e sindicais.

Martins venceu duplamente este combate político, impondo primeiro aos socialistas o calendário eleitoral na RTA e conseguindo depois que o PSD, partido do qual é militante, iniciasse o processo sem o ónus político de ver discutido publicamente a eventual ilegalidade da sua auto-suspensão.

Mas porque é que há um frenesim tão grande dos partidos em torno do organismo do turismo? Olhando para o edifício político administrativo do distrito de Faro é fácil perceber que, afinal, este é o único organismo no Algarve para o qual existem eleições, apesar de dependentes de um colégio eleitoral.

Os restantes protagonistas da cena política são-no por nomeação dos respectivos ministérios, a que osaparelhos partidários locais dão umas achegas, mas sempre dependentes das nomeações centrais.

Daí que as eleições no turismo acabem por reflectir a “temperatura política”, a capacidade de mobilização e a influência das elites locais.

Miguel Freitas, líder do PS/Algarve, já sem iniciativa política, optou por um candidato consensual, o actual governador civil António Pina, a quem todos reconhecem a seriedade e capacidade de diálogo, uma espécie de perfil para um futuro líder regional.

Mendes Bota, à frente dos sociais-democratas, respirou de alívio, por não ter de discutir na praça pública mais um caso polémico relativo a um quadro do PSD, agarrou com as duas mãos o “acordo de regime” em torno do turismo algarvio e não se coibiu nas contrapartidas que pretende: 2 lugares efectivos e um suplente na comissão executiva, mais a nomeação de uns tantos funcionários para o quadro do turismo algarvio, fiéis à sua linha política e em lugares com capacidade de decisão.

Tão entretidos estavam ambos na definição do acordo, a nível distrital, que lhes passou ao lado o cerne da questão: O secretário de Estado da tutela não disse uma palavra sobre a matéria, apesar de estar em causa a principal actividade económica do Algarve, nem se preocupou em clarificar quando é que a famigerada revisão da lei das regiões de turismo vai entrar em vigor.

Daqui resulta que o próximo presidente e respectiva comissão executiva da RTA tanto podem estar em funções meia dúzia de meses, e ser determinantes para fazer a lei orgânica do futuro organismo, como podem garantir, unicamente, a gestão de continuidade, sem legitimidade para qualquer diferença de monta.

Tudo seria diferente se o perfil do presidente da RTA, tendo em conta a importância do sector no Algarve, fosse sujeito a um escrutínio público, e os acordos para as candidaturas emanassem de um órgão regional eleito, obrigado a prestar contas aos cidadãos dos candidatos que propusessem.

Com o sistema actual, em vez de um cargo público, legitimado por um poder regional a quem se poderiam pedir contas da escolha feita, temos uma espécie de arranjo partidário, hiper valorizado pelos líderes políticos locais e olimpicamente ignorado pelo poder central.

De fora, ficam os verdadeiros actores que no terreno desenvolvem a actividade turística e os cidadãos algarvios, a cada dia mais distantes destas soluções concertadas à socapa pelas cúpulas partidárias distritais.

Tudo poderia ser diferente, para o Algarve e para o turismo, mas não é, e não será enquanto não houver regionalização, o que, neste processo, não parece incomodar nem Freitas, nem Bota, nem as respectivas entourages partidárias, antes pelo contrário.

NOTA: Os comentários de Conceição Branco são emitidos todas as terças-feiras, às 9 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Sexta-feira, Maio 18, 2007

A beleza e a segurança da EN 397 já não é a mesma


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

O uso sábio dos bens da terra recusa um olhar materialista sobre a natureza.

Os interesses imediatos são muitas vezes destruidores.

A apropriação violenta dos recursos da terra chocam qualquer ser humano.

O comportamento inquietante dos responsáveis pelo abate de centenas de eucaliptos e pinheiros na estrada nacional 397, entre Cachopo e a Portela da Corcha (freguesia de Santa Maria de Tavira), revela uma visão redutora e artificial do ambiente.

Em vez de limpeza e manutenção, cometeu-se um “crime”. Selvaticamente abateram-se as árvores doentes e as sãs.

Depois de 23 km percorridos de abate, a empreitada encontra-se parada por imposição da autarquia. Tardiamente, mas parada!

E agora… enquanto o problema não se resolve, não se conhecem soluções.

Os restos de folhagem e pequenos troncos à beira da estrada e nas encostas, várias toneladas, são pasto que a qualquer momento se podem traduzir em catástrofe.

A beleza da estrada Cachopo-Tavira já não é a mesma. Está carente das árvores e metem medo os precipicios da serrania.

Exige-se rail’s de protecção, recolocação dos sinais de trânsito derrubados e outros que reforcem a segurança, bem como a colocação dos marcos da estrada no seu devido lugar.

Para a próxima oiçam a população. Na simplicidade os habitantes de Cachopo têm muito a aconselhar. Da experiência de vida dos mais idosos, aprende-se a usufruir dos bens da terra e a usá-los com sabedoria.

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 11 horas, com repetição às 17 e às 23 horas.

Quinta-feira, Maio 17, 2007

Umas eleições com futuro?

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

As eleições para a Região de Turismo do Algarve estão revestidas de um certo folclore. A suspensão do mandato por 30 dias por parte de Helder Martins, em circunstâncias que muitos criticaram, levou o Partido Socialista, através dos seus membros presentes na Comissão Regional, a solicitar uma reunião extraordinária, para tratar da marcação de eleições e outros assuntos.

Acontece que, dia 18 de Maio, os conselheiros irão reunir-se, com o total esvaziamento da ordem de trabalhos, porquanto as eleições já estão convocadas para 5 de Junho.

A questão legal que se coloca é saber se pode ser anulada esta convocatória, havendo mesmo a intenção de tal ser solicitado, mas, segundo o regimento, desde que um dos 33 membros que compõem a Comissão exija a sua realização, esta tem mesmo que se efectuar.

Eis um dilema no qual os socialistas se meteram e do qual têm que sair airosamente, porque foram ultrapassados, já que não esperavam o regresso de Helder Martins e a marcação rápida de eleições.

Abre-se um novo capítulo nesta história, com uma condicionante – o Governo pretende alterar a lei que regula as Regiões de Turismo, dar-lhe uma nova roupagem, retirar-lhe atribuições, resumir esses organismos a meras agências regionais.

Perante este cenário, a diminuição estratégica do Algarve é patente. Aliás, o tratamento dado pelo Governo à região não convence a maioria dos políticos e os socialistas, principalmente, estão com o menino nas mãos.

Já efectuaram imensos contactos para nomearem um candidato à presidência da RTA e na sua esmagadora maioria as respostas foram negativas.

Como ilação, só podemos tirar que os convidados não acreditam nas potencialidades futuras da Região de Turismo e não estão para se candidatarem por seis meses ou um ano, e, depois, aparecer um secretário de Estado a definir as regras e a obrigar à marcação de novas eleições, ou, na pior das hipóteses, o Governo a nomear directamente, como faz com outros organismos desconcentrados, a equipa que vai gerir os destinos da nova RTA.

O Algarve, pelo seu posicionamento a nível do ranking nacional do turismo, o mesmo será dizer pelo número de camas e a sua contribuição para o PIB nacional, deve ter um tratamento excepcional.

Mas isso não acontece, porque o Governo quer injectar nos poucos locais disponíveis uns quantos PIN e pouco mais, faltando definir uma verdadeira política de requalificação e diversificação da oferta turística algarvia, dinamizando o turismo cultural, o rural e o de natureza, porque possuímos coisas únicas, até ao nível da Península Ibérica.

Será que conseguimos aprender alguma coisa com as pessoas que nos dão ensinamentos gratuitos? Jean-Claude Baumgarten, presidente do Conselho Mundial de Viagens e Turismo, esteve em Lisboa, e em declarações ao «Público», afirmou, por exemplo, em relação ao Terreiro do Paço: «a tendência actual é para experiências culturais e ir para lugares que tenham mantido a sua autenticidade. Naquela praça, deviam ter cavalos, um Ritz Carlton, um hotel-boutique (pequeno hotel de grande luxo), museus, boutiques, e esse para mim é o tesouro escondido de Portugal».

Experiências culturais, uma deixa muito importante, como é de anotar quando ele afirma que as alterações climáticas «irão obrigar os operadores de turismo a preocuparem-se de forma crescente com o ambiente. É isso que o consumidor deseja cada vez mais e está a tornar-se economicamente bom ser amigo do ambiente».

Porque é importante registarmos as declarações de alguém que considera Portugal como um destino onde existem muitas vantagens para ter turismo de qualidade, não resistimos a publicar mais esta sua intervenção: «vocês começaram mais tarde, então aprendam com os erros dos outros. Numa série de projectos portugueses que vi, a densidade de construção é talvez metade ou mesmo 70 por cento menos do que a densidade de construção em Espanha, o que é fantástico. A nossa mensagem é para terem cuidado: no futuro, o mercado de segundas residências e de hotéis irá ter muitas preocupações com o ambiente. Os consumidores não irão aceitar hotéis com grandes alturas ou resorts de segundas residências com grande densidade de construção».

Temos que reflectir sobre o futuro do Algarve, entender que os erros dos outros são lições para aprender e não para repetir e saber que o futuro tem que apostar na qualidade, nas experiências culturais, na defesa do ambiente, na conservação e nas potencialidades dos nossos tesouros.

É preciso perceber que o futuro é exigente. Que o futuro deve e tem que ser, para que o Algarve seja uma potência no turismo, construído com inteligência.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 9 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Quarta-feira, Maio 16, 2007

O caso Maddie


por Fernando Reis (professor e director do Jornal do Algarve)

Quando, no nosso último editorialno Jornal do Algarve, tecemos considerações positivas, a propósito dos baixos índices de criminalidade, que fazem do Algarve um destino turístico relativamente tranquilo, estávamos longe de imaginar que, uma daquelas excepções que confirmam a regra, havia de suceder, tão prontamente, através do rapto de uma criança inglesa, na Praia da Luz, em Lagos. Todos sabemos que, pelo facto de ainda existirem lugares, mais ou menos pacíficos, como é o caso do Algarve, não significa que aqui não ocorram crimes graves e hediondos como o que atrás referimos, mas nunca nos passou pela cabeça que estivéssemos tão próximos de um desta natureza.

De facto, o Algarve, como muitas outras regiões turísticas, do mesmo modo que atrai visitantes também atrai, infelizmente, criminosos que aqui conseguem levar uma vida mais ou menos normal, até ao dia em que revelam toda a sua maldade. Aconteceu, assim, há anos, em Albufeira, no caso Rachel, uma criança inglesa que foi violada e estrangulada e, agora, na Praia da Luz, com Maddie, que esperamos, sinceramente, não venha a ter o mesmo trágico destino de Rachel. Mas estes são casos que nos vêm mais, facilmente, à memória, pelo seu mediatismo, porque, infelizmente, outros, de igual ou superior gravidade, passam mais despercebidos porque não agitam tanto os telejornais nem as primeiras páginas dos jornais, nem suscitam tão vasta onda de solidariedade, como a que se está a verificar agora.

Nesta data, já foi constituído arguido um cidadão inglês, filho de mãe inglesa e pai português, vizinho do Ocean Club onde a vítima estava alojada com os pais e que participara, ele próprio, activamente nas buscas para encontrar Maddie. Não sabemos, por enquanto, qual o seu grau de envolvimento no rapto, nem se existem outros cúmplices, nem o destino que foi dado à criança. Sabemos que o suspeito ficou com termo de identidade e residência e que as investigações prosseguem.

Enquanto fazemos votos para que a criança seja recuperada com vida, queremos, ao mesmo tempo, sublinhar alguns aspectos do caso, que não deixam de ser interessantes, depois de tudo o que se tem dito e escrito sobre a actuação da PJ e o modo como têm estado a ser conduzidas as investigações. A confirmar-se a acusação do referido cidadão britânico e de que o mesmo já estaria referenciado em Inglaterra, se há que responsabilizar alguém por não se ter acautelado esta ameaça, são as autoridades inglesas que deviam ter fornecido o seu cadastro à polícia portuguesa que, assim, certamente, teria encontrado, mais rapidamente, um suspeito. É caso para perguntarmos se é esta a cooperação policial existente ao nível da União Europeia e que garantias temos de que o nosso país não esteja a albergar muitos pedófilos e criminosos.

Face à evolução dos últimos acontecimentos é caso para perguntarmos, também se não terão sido injustas as críticas, por parte dos media e de alguns sectores da sociedade britânica, à actuação da PJ, como se em Inglaterra se conseguissem resolver, com êxito, os muitos casos de desaparecimento de crianças, que todos os anos se registam. Uma terceira e última nota para perguntarmos quantas mais crianças terão que ser vítimas dos pedófilos para se atacar, a sério, este flagelo.

Subscrevemos, inteiramente, a opinião dos que advogam a castração química destes criminosos e o cumprimento integral das penas de prisão que lhe são aplicadas

O violador e assassino de Rachel, condenado a uma pena de prisão de 19 anos, saiu em liberdade após ter cumprido metade da pena e já está em condições de cometer novos crimes.

Fazer justiça não é deixar, em circunstância alguma, as nossas crianças à mercê destes monstros.

NOTA: Os comentários de Fernando Reis são emitidos todas as quartas-feiras, às 9 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.

Segunda-feira, Maio 14, 2007

Valorização do Território

por José Mateus (consultor de comunicação e autor do blogue CLARO)

O PS/Algarve quis ouvir os empresários do turismo algarvio e fez muito bem… Estes encontros são decisivos para que os políticos que temos contactem com a realidade e se curem da doença do autismo.

Os empresários manifestaram o seu descontentamento com a lenta burocracia e a selva legislativa. E alguns disseram de suas razões com todas as letras. São empresários, têm, é claro todas as razões para estar descontentes e disseram-no de forma clara. Outros que lá estavam também, sem serem empresários nem políticos, mas dessa espécie bizarra dos políticos-empresários, andaram, é claro, com paninhos quentes e conversa fiada sobre equilíbrio entre ambiente e desenvolvimento…

Este tipo de banalidades não esclarece nem resolve nada. É conversa fiada. O Algarve precisa mesmo é de uma estratégia de valorização do território que integre os vários factores sociais, económicos, tecnológicos e ambientais, no quadro da actual economia global. E leis claras e eficazes. E a burocracia e outros empatas postos em seu sítio. De certo modo, foi aliás isto que Miguel Freitas soube entender e informou os empresários que o governo vai fazer…

Ora aqui está uma boa iniciativa. Venham mais…

Até pra semana!

NOTA: Os comentários de José Mateus são emitidos todas as terças-feiras, às 11 horas, com repetição às 17 e às 23 horas.

Sexta-feira, Maio 11, 2007

O desaparecimento de Maddie


por Albino Martins (director do Centro Paroquial de Cachopo)

O Algarve está em estado de choque perante a notícia do desaparecimento, no dia 3 de Maio da menina inglesa Madeleine McCann, na Luz de Lagos.

As forças policiais procuram pistas e até ao momento, ficam por esclarecer as causas:

- Saída involuntária e consequente perda da menor, sem razão aparente em virtude dos progenitores se terem descuidado;

- Rapto efectuado por terceiros, nacionais ou estrangeiros que actuam para redes pedófilas;

- ou outras circunstâncias que a seu tempo as instâncias judiciais hão-de desvendar.

Nesta fase importa o apoio social, psicológico e espiritual aos pais da criança que no próximo 12 de Maio, completa 4 anos de idade. É difícil imaginar a dor que lhes dilacera o coração.

A sociedade civil mantenha o seu olhar atento e disponível para colaborar com as autoridades, na procura e na recolha de informações que levem ao esclarecimento deste caso e à descoberta da pequena Maddie.

NOTA: Os comentários de Albino Martins são emitidos todas as sextas-feiras, às 11 horas, com repetição às 17 e às 23 horas.

Quinta-feira, Maio 10, 2007

Democracia musculada

por Hélder Nunes (jornalista e director do Barlavento)

O poder, para quem não tem uma verdadeira escola democrática, é sempre exercido na base do quero, posso e mando. Nos últimos tempos, podem apontar-se vários casos que transmitem para a opinião pública a mediocridade, a falta de honestidade política, a curvatura das colunas vertebrais. O poder, com as devidas excepções, porque as há, transforma as pessoas, descontrola a sua maneira de ser.

Em Lisboa, por exemplo, assiste-se à trapalhada no executivo camarário, com o arrastar da situação, quando as coisas estão degradadas e, com honestidade, cada um por si devia pedir a demissão, sem estar ligado aos princípios corporativistas-partidários.

Uns que só se demitem se os outros o fizerem, e vice-versa, num jogo de ping-pong que põe em causa uma cidade, mas, acima de tudo, a vida dos cidadãos e o descrédito com que a política começa a ser olhada.

Não se percebeu bem, a história da manifestação de apoio ao presidente Carmona Rodrigues, onde, tão só, dez pessoas, hipoteticamente funcionários da autarquia, teriam comparecido. É o ridículo.

Os socialistas no Brasil cruzam os seus interesses com a «Máfia dos Bingos», e colocam em causa as decisões de José Lello, que é acusado de ter desautorizado e ignorado as deliberações da estrutura brasileira do PS, que não pretendia que o seu candidato fosse aquele indicado por Licínio Soares Bastos, hoje a contas com a justiça naquele país.

O jornal «Público» contactou Paulo Pisco, coordenador do gabinete do PS de Relações Internacionais e Comunidades que não quis prestar declarações.

Fez este jornal várias tentativas para recolher declarações do deputado socialista José Lello e também não as conseguiu. Será esta a forma de construir a democracia com transparência?

Costuma o povo dizer, quem cala consente. Mais uma situação que o tempo vai apagar da memória dos portugueses, que, infelizmente, é muito curta.

No Algarve, o assunto envolve o presidente da Câmara de Vila Real de Santo António Luís Gomes.

A contratação deste ou daquele gabinete de advogados para a emissão de pareceres deve estar de acordo com a lei, e os pagamentos devem ser feitos de acordo com as tabelas.

Não é por aí que pretendemos analisar a situação, mas sim respigar a resposta ao jornalista do «Correio da Manhã», quando o presidente não quer comentar as contratações e afirma que «são coisas internas que não tenho que revelar».

Eis a verdadeira actuação do poder – quero, posso, mando. Luís Gomes não pode dar este tipo de respostas, porque a Câmara não é a sua casa particular, e toda a gestão camarária, seja ela de que partido for, tem que ser transparente.

O povo tem que conhecer a verdade. A oposição, por força até do seu estatuto, deve ser conhecedora destas situações.

O presidente pode deliberar sozinho se a lei o permitir, mas o executivo camarário tem que tomar conhecimento de todas as suas decisões, sob pena de estar a esconder situações, das quais, num futuro próximo, estes seus opositores possam ter o respectivo reflexo.

Quando existem dúvidas por parte das oposições, nada melhor do que esclarecer, com verdade.

Porque, acreditamos, ainda acreditamos, que nenhum presidente de Câmara, seja de que partido for, entra numa autarquia para servir de forma negativa os seus concidadãos.

Todos os presidentes procuram fazer o melhor, para que possam ser reconhecidos e reeleitos. Neste tipo de jogo, apenas vale a transparência.

Um presidente, dentro da lei e se a lei o permitir, pode consultar e pagar os serviços que achar necessários para que a sua gestão corra sem atropelos ou ilegalidades, mas tem o dever de os divulgar junto do seu executivo.

Que pode ou não aprovar. Um presidente forte defende os seus pontos de vista e procura que a oposição os aprove, a bem do concelho e dos cidadãos.

As democracias não podem ser executadas como se de uma ditadura se tratasse.

A Constituição Portuguesa não permite este tipo de regime, mas alguns políticos espertos (como em toda a regra, há excepções), manipulam este estado de governação, passando a defini-lo como uma democracia-musculada.

A pergunta final é esta: depois de tantos maus exemplos, como é que não querem que o povo diga, na sua imensa sabedoria, que são todos iguais? Mas há uns que são mais iguais que outros.

Passados 33 anos do 25 de Abril, chegou o tempo de se falar com verdade, porque o povo entende e não é estúpido politicamente.

Vagueia entre as ondas socialistas e social-democratas, porque os comunistas, que pretendem fazer boa figura, na hora da verdade, têm uma forma muito sua de actuar – a abstenção.

Nem sim, nem sopas. Falta-lhes a coragem para dizer sim ou não. Em muitos casos.

NOTA: Os comentários de Hélder Nunes são emitidos todas as quintas-feiras, às 9 horas, com repetição às 15 e às 21 horas.